Narrado por Elias O dia amanheceu com um silêncio diferente. Não era o silêncio da morte, da espera, da tensão que me acompanhava há dias. Era um silêncio leve. Quase... calmo. Levantei da poltrona ao lado da cama dela e me espreguicei devagar. A Aurora ainda dormia, mas seus sinais vitais estavam mais estáveis do que na noite anterior. Ela respirava fundo, em intervalos regulares, como se o próprio corpo tivesse finalmente entendido que estava segura. Me aproximei. Segurei a mão dela com a minha, com cuidado. Beijei os dedos. E sorri. — Você tá me ouvindo, meu amor? Ela franziu um pouco a testa, depois os cílios tremeram. Aos poucos, os olhos se abriram. Lentos, cansados, mas vivos. — Elias… — a voz saiu fraca. — Tô aqui. — Me abaixei mais, quase colando o rosto no dela. — Tô com v

