57

731 Palavras

Narrado por Elias O sangue dele ainda estava nas minhas mãos quando entrei no carro. Não me importei. Não quis limpar. Que ficasse ali, impregnado na pele, como lembrança do que acontece com quem toca o que é meu. A estrada até o hospital parecia mais longa do que era. Cada farol, cada curva, cada maldito segundo de silêncio me corroía por dentro. Não era culpa. Era outra coisa. Uma inquietação primitiva que eu não sabia nomear. Talvez fosse medo. Mas não do tipo que paralisa. Era o medo que empurra, que morde por dentro e faz você acelerar até o último limite. Aurora. Ela estava viva. Era isso que Matteo me garantiu antes de eu entrar no galpão. “Ela está viva, Elias. Machucada, mas viva.” Só que isso não bastava. Eu precisava ver. Tocar. Ouvir. Precisava que ela me olhasse como antes

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR