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873 Palavras

Narrado por Elias Eu nunca achei que levar alguém de volta pra casa fosse tão simbólico. Mas ali estava eu, no banco de trás da SUV blindada, com Aurora deitada com a cabeça no meu colo, coberta por um cobertor leve, com os olhos fechados e os dedos entrelaçados aos meus. Ela ainda sentia dor, mesmo medicada. O corpo inteiro dela carregava os sinais do que passou. Hematomas nos braços, pontos na testa, o corte na costela — tudo ainda fresco demais pra mim. E mesmo assim… ela quis ir. Disse que queria dormir na própria cama. Sentir o cheiro do travesseiro dela. Ter um pouco de normalidade. Eu não discuti. — Tá tudo bem? — perguntei, ajeitando a mão dela na minha. — Tá. Tô cansada… mas bem. — A voz dela era suave, fraca, mas tinha firmeza. — E com saudade da nossa casa. “Nosso lar.”

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