Miguel Ruiz
— Ficou realmente muito bonito aqui, Miguel — Celine olhou o lugar, encantada.
— Você fez um ótimo trabalho.
Ela avaliou a decoração com atenção. Eu sabia que ela notava a qualidade do designer que contratei, um dos melhores do mercado. Eu havia conseguido chegar ao topo.
— Eu achei mesmo que você iria gostar — a abracei por trás — você participou desse sonho comigo. — Beijei o pescoço dela, fazendo-a estremecer com o meu contato. — Celine, deixa aquele cara. Nós podemos lutar contra ele agora.
— Miguel, você não conhece o Joseph. Ele é muito r**m e não hesitaria um minuto sequer em m***r quem entrar no seu caminho — Celine se aconchegou em meus braços e suspirou. — Você não imagina o quanto eu quero isso, mas eu temo pelos meus pais e por você também.
— Celine, você não sabe o poder que eu tenho hoje? — falei irritado. — Eu não sou mais aquele garoto pobre, filho de segurança. Hoje eu sou um homem reconhecido, fiz meu próprio império e cresci tão alto quanto ele.
Tentei mais uma vez convencê-la. Eu não entendia todo aquele medo que ela sentia dele.
Eu trabalhei dia e noite. Mudei tudo na minha vida para me tornar um homem poderoso, por ela. Mas, ao que parece não foi o bastante, pois ela não acreditava em mim e eu podia ver isso claramente nos olhos dela; e suas próximas palavras só confirmaram:
— Mas mesmo assim, ele conseguiu fazer você perder o negócio, você não vê? Ele ainda tem muitas conexões, é perigoso. Miguel, eu só tenho medo — ela agarrou a minha cintura.
— Ele não fez nada. Eu desisti porque tive medo dele descontar em você depois de perder para mim — segurei o queixo dela, fazendo-a olhar para mim. — Eu não fiz o negócio porque não quis. Eu não quis! — Garanti, mas ainda vi a desconfiança em seus olhos.
Eu sabia que Celine ainda não acreditava no meu poder, mas eu iria provar para ela quando deixasse o todo poderoso Joseph Sanz na lama.
— Vamos deixar esses assuntos um pouco e aproveitar o nosso momento — Celine passou os braços em volta do meu pescoço e me beijou com paixão.
Não perdi mais tempo e a levei para a cama. Aqueles momentos com ela eram raros e deviam ser aproveitados ao máximo.
Após nossos momentos juntos, eu a levei para jantar em seu restaurante favorito. Foi bom passar esse tempo juntos.
Quando saía para voltar a empresa, avistei Paul Lang, ele e a minha secretária estavam finalizando a reunião.
Juntei-me a eles à mesa. Não precisei de muito tempo para notar o interesse de Paul em Zahara; também percebi que ela, apesar de reticente, não mostrou incômodo com as investidas dele.
— Você não tem nenhum problema em sair com Paul Lang algumas vezes, tem? — perguntei quando finalmente ficamos sozinhos.
— Não, eu não tenho, senhor Ruiz! — Zahara respondeu com uma naturalidade que me surpreendeu. — Deve ser divertido jantar com um homem tão rico.
Ela forçou um sorriso, e eu estreitei os olhos, tentando decifrar o que passava pela mente dela.
— Você sabe o que ele quer, não sabe? — olhei-a fixamente, buscando qualquer sinal de hesitação.
— Sim, eu sei o que ele quer! — ela sustentou o meu olhar. Parecia absolutamente tranquila com a decisão.
Olhei novamente para ela e uma pontada de culpa me atingiu. Zahara é uma ótima funcionária, extremamente competente, mas daí a dormir com um cliente por benefícios financeiros... Não, isso não era ela, talvez eu estivesse pensando demais. Soltei um suspiro pesado.
— Zahara, você tem certeza que quer isso? Não está tomando essa decisão pelo negócio, certo? Porque eu não preciso disso.
— Não nada disso, senhor Ruiz. O senhor Lang é um homem bonito e não é nada r**m jantar com um homem de bons gostos.
Analisei o seu rosto em busca de dúvida. Não encontrei nada. Diante daquela firmeza, apenas concordei.
— Tudo bem então.
Ela suspirou e encarou a estrada, parecia não ter gostado da minha resposta. Mas, o que ela esperava? Para mim, ela sempre foi a funcionária competente que transava comigo de vez em quando. Que diferença faria se quisesse sair com um dos nossos parceiros?
Por outro lado, enquanto a observava ali ao meu lado, não pude deixar de notar que, assim como eu, ela não media esforços para alcançar um objetivo. Sua competência como secretária é inegável; ela fazia serviços que iam muito além do cargo, dava conta de tudo e nunca reclamava. Suspirei e balancei a cabeça. Aquela decisão ainda não podia me deixar desconfortável.
Se o que aquele homem queria fosse fazer propostas maliciosas e ela se arrependesse depois, não haveria como voltar atrás…
***
— Você se encontrou com o Paul ontem à noite? — perguntei assim que Zahara entrou no meu escritório na manhã seguinte.
— Sim, senhor, nós saímos para jantar — respondeu, direta como sempre.
— Só jantar? — perguntei, erguendo os olhos para encará-la enquanto ela permanecia de pé em frente à minha mesa.
— Sim, senhor. Nós só jantamos.
— Muito bem — respondi, embora a desconfiança estivesse estampada na minha voz. — Eu recebi o contrato e o senhor Lang foi muito generoso. Você fez um ótimo trabalho na reunião de ontem, parabéns!
Comecei a folhear as páginas do documento. Notei um brilho de satisfação no rosto dela. Apesar de ser apenas um simples elogio, ela saiu da sala visivelmente contente.
Eu continuei preso àqueles papéis. A quantia exorbitante que Paul Lang havia investido no negócio começou a me intrigar. Mesmo para um homem com uma fortuna de bilhões de dólares, ele não seria tão generoso sem um excelente motivo. Olhei na direção da porta por onde Zahara tinha acabado de sair. Paul m*l tinha aceitado me ouvir antes e havia recusado o contrato inicial. Como mudou de ideia tão fácil só por conhecê-la? Ele nunca foi homem de perder dinheiro. Por que investir o dobro do valor em um negócio simples? O interesse dele estava me cheirando m*l.
Zahara é uma mulher bonita e atraente, com certeza, mas não valia tanto assim. Ainda mais para um homem cercado pelas beldades mais cobiçadas do mundo. Essa história tinha algo mais.