Chapter 6

2288 Palavras
David está de costas para mim enquanto mexe nas panelas de inox da sua casa, cozinhando algo para nós. Bem, ele não era de todo desastre, para um homem, ele cozinha até bem demais. Centenas de vezes melhor do que eu, que por sinal, sou um completo desastre quando se trata de panela, fogo e alimento. Mantenho meus braços apoiados sobre o balcão de mármore escuro, enquanto observo-o remexer a panela com uma colher de p*u. O barulho da fritura e da colher raspando no fundo do recipiente é o único barulho audível, além do doce som da música calma e meramente sinfônica que salta do celular de David parado sobre a pia, bem ao seu lado. Ele está de bom humor, sempre fica depois de t*****r. Eu, obviamente, nem tanto. Na verdade, nunca, jamais. – Você vai para viagem em Orlando? - David é quem diz. Puxo a minha bolsa e a abro, recolhendo então o aparelho telefônico dourado no menor bolso existente. – Sim, e você? – Óbvio. - ele ri. – Pode ser a viagem de nossas vidas. Sinto meu nariz irritado e então previamente eu espirro, posteriormente passo a mão no mesmo reprimindo o ato nojento de expelir qualquer coisa por ali. Está frio e eu com certeza irei pegar um resfriado nas próximas semanas. Desbloqueio o celular, ignorando completamente David, há uma chamada perdida de um número da qual eu não tenho salvo. Resolvo retornar. – Lauren, estou falando com você. - David prolifera. Coloco meu celular posicionado sobre a minha orelha esquerda. Elevo meu dedo em sinal de silêncio assim que David vira seu rosto em minha direção. O celular chama cerca de seis vezes, até que então o dono o atenda: – Alô? - eu reconheço a voz. – Quem é? - eu sei que é o Peter, mas faço questão de questionar. – Eu é quem pergunto quem é, c*****o! - ele diz. Parece irritado e sonolento. Gargalho, batendo as minhas unhas da mão direita sobre o mármore. – É a Lauren. Você me ligou centenas de vezes, eu estou retornando. – Ah. -  ele diz, passo a mão no meu rosto. David me encara, parou de mexer na panela e agora enxuga as suas mãos que antes estivera molhada em um simples pano de prato vermelho. – O quê? Eu te liguei uma vez, garota. – Calma. Gargalho, mas paro quando encaro a feição nada boa de David. – Vou para aí em dez minutos. - aviso-o e desligo o telefone antes que o mesmo oponha se contra. Abro a minha bolsa, jogo o celular pra dentro dela e a fecho, levantando-me do simples banco alto próximo ao balcão. David apoia suas mãos sobre o balcão e me encara, sou capaz de observar o castanho dos seus olhos flamejar e seu rosto branquíssimo tornar-se avermelhado. – Era o Peter. - digo. Isso não o muda, pelo contrario, ele parece ter ficado ainda mais furioso. – Eu tenho que ir. Puxo a minha bolsa e saio correndo da cozinha, apenas ouvindo-o chamar meu nome sem nenhuma calma aparente. Mas de qualquer maneira, eu não respondo a nenhuma delas.   Aperto o ícone dourado da campainha da casa de Peter. Passa-se de seis e meia, já está escurecendo e o frio parece finalmente tomar conta de Nova Iorque.  Abraço meu próprio corpo, aguardando até que a porta seja aberta. Segundos depois, ela é, mas para a minha surpresa, não é Peter quem a abre. A loira de cabelo curto e repicado é quem o faz, ela sorri, mas para assim que me vê. Não é algo que me incomode, na verdade, pouco me importa. – Olá, Amélia. – Olá, Lauren. - ela diz. Sorri em forma de deboche. – Peter está te esperando no quarto dele. Ela afasta-se da porta. Eu adentro a casa do garoto, não é muito diferente da minha, levando em consideração que moramos de frente um para o outro e que o nosso condomínio segue um padrão para todas as casas do quarteirão. Na verdade, a única coisa que muda é os móveis e a decoração, confesso gostar mais da de sua casa. – Lauren, querida. - ouço a voz doce e conhecida por mim inundar meus ouvidos. Viro-me observando Julie vim em minha direção com seus braços abertos. – É um prazer vê-la aqui. - a morena consideravelmente mais baixa do que eu abraça-me. Eu retribuo, sorrindo. – Eu digo o mesmo sobre você. - eu a solto, ajustando a minha mochila em minhas costas. – Sua irmã está sempre aqui, mas você é uma surpresa. - diz desconfiada. – Lauren é o par do Peter no teatro, tia. - Amélia é quem diz. Ela mantém seus braços cruzados acima dos seus s***s e seu corpo apoiado sobre o corrimão da escada. – Eles vão ser Romeu e Julieta. - debocha. – Oh, sério? - Julie questiona, sei que ela dirige-se a mim. – Não tecnicamente. Amélia também pode ser, com o Tom. - olho para Amélia e sorrio então debochada. Ela revira os olhos. – Eu sendo você não contava com isso. - murmura. Amélia recolhe a sua mochila amarela do chão, próximo a escada e a coloca nas suas costas, posteriormente descendo os poucos degraus que havia subido minutos antes. – Eu vou indo. - avisa. – Não quer que eu a leve? - Julie pergunta, gentil. – Não, tia. - diz Amélia sorrindo e dando um beijo na testa da mais baixa. – Eu estou de moto.- diz, retirando as chaves de dentro do bolso frontal da sua calça jeans clara. Amélia sai, deixando a mim e Julie sozinhas. A mãe de Peter fala-me sobre as mudanças da qual quer fazer em sua casa, ela parece animada, diz nunca ter sentindo-se tão realizada, principalmente após o seu recente casamento com Anthony, pai de Eric.  Subimos as escadas juntas, é o mesmo caminho para ela já que a mesma encaminha-se para o seu quarto e eu para o quarto de seu filho. - Boa noite, querida. Tenha um bom ensaio e paciência com meu filho. - pede. Gargalho e balanço a cabeça positivamente. Ela beija o meu rosto, posteriormente sai pelo corredor indo até o seu quarto. Toco a maçaneta dourada da porta de madeira escura com o brasão de um time de hóquei vermelho colado sobre a mesma. É um time canadense, eu sempre soube que Peter e a sua mãe eram canadenses, na verdade, talvez no oitavo ano, eu soubesse mais da vida de Peter do que ele mesmo. Giro a maçaneta e abro a porta, adentrando no quarto. Peter está sentado sobre a cama, seu corpo está ereto e ele está de costas para mim, encara o vácuo da janela aberta. – Peter? - eu o chamo. Ele não se vira, apenas suspira e volta a deitar-se na sua cama. – Vai embora. - pede. Sorrio; n**o com a cabeça mesmo sabendo que ele não pode ver. Adentro o quarto e fecho a porta atrás de mim, retiro as sandálias dos meus pés, deixando-as em qualquer lugar pelo caminho. Aproximo da sua cama de solteiro e me sento no pouco espaço que ele deixara. Ele finalmente me olha, está sonolento e sem nem um pingo de coragem. – Não vou embora. - informo. Umedeço meus lábios e puxo minhas pernas para cima da cama, cruzando-as. – Sua mãe não te deu educação não? É feio entrar no quarto alheio sem pedir e colocar os pés na cama alheia também. - diz rancoroso. Dou de ombros. – Não. – Você ainda está com a mesma roupa que estava na escola. - balanço a cabeça positivamente. Penso em ressaltar o quão observador ele, mas ele logo interrompe. – Você está fedendo. - gargalha.  – Não estou não.  – Está sim. - ele vira os olhos e levanta de sua cama. Ele usa uma blusa larga, sem mangas que deixa amostra as tatuagens em seus braços, uma calça de moletom cinza e seus cabelos estão desgrenhados. – Se você quiser ensaiar comigo, vai ter que tomar um banho. - avisa. – Você tá de brincadeira comigo. Peter sorri, balança a cabeça negativamente. Ele vai até o pequeno closet localizado do lado esquerdo do seu quarto. Pelas leis da engenharia e da mesmice de nossas casas, aparentemente o quarto dele é o mesmo que o meu, apenas em localidades diferentes. O loiro retorna ao quarto e joga para mim uma toalha branca, macia, exala cheiro de lavanda. Olho-o sarcástica, ele só poderia estar brincando comigo. – Vai, Lauren. - manda, sem evitar sorrir. – Não tenho roupa aqui, Peter. Eu vou na minha casa então. - digo, levantando-me da cama. – Não tenho todo o tempo do mundo, garota. - ele aproxima-se da porta. – Eu vou pedir para a minha mãe emprestar roupas para você. - ele me examina com o olhar e enruga seus lábios. – Vocês são pequenas, as roupas dela devem dar em você. – Brincou? – Não. - ele sorri de maneira diabólica. – Cinco minutos. - determina. Ele sai do quarto e fecha a porta deixando-me sozinha ali. Encaro o vácuo por alguns segundos, dou-me conta que de fato ele não estava brincando. Isso é um fato curioso e até um pouco estranho. Mas não é como se eu quisesse relutar contra isso, de fato eu sentia meu corpo implorar por um banho, principalmente depois de ter transado com David. Eu me sinto suja, não por arrependimento, mas suja literalmente. Levanto-me da cama do garoto e caminho até a porta do lado aposto da qual ele havia saído. É o banheiro, entro e fecho a porta atrás de mim.  Retiro a mochila das minhas costas e jogo sobre o chão de cerâmica pura, limpíssima e sem nenhum tipo de mancha.  Subo a minha blusa, retirando-a. Me ajoelho no chão, abrindo a mochila e colocando a mesma ali dentro, abro o fecho do meu sutiã bem na frente e coloco-o no mesmo lugar. Não me importo muito em dobrar, há espaço suficiente na mochila para que coubesse tudo de maneira desordenada. Levanto o meu corpo e retiro, juntamente com a calcinha a minha calça jeans que tanto havia me incomodado durante todo o dia. Jogo-a embolada dentro da bolsa e fecho a mochila, colocando-a no canto do banheiro. Após me levantar, estendo a toalha sobre o box do banheiro, apenas para me dar uma facilidade ao recolhe-la. Eu me sinto um pouco estranha em estar nua em um lugar onde eu nunca estivera antes, chega a ser constrangedor, tal quase como se eu estivesse sendo espionada o tempo inteiro, mesmo sabendo que de fato, eu não estou. Adentro o box, retirando o pequeno elástico que prendia o meu cabelo. O mesmo cai como cascata pelas minhas costas desnudas. Abro o registro do chuveiro, sentindo as gotas de água caírem desordenadas pelas minhas costas, causando-me a melhor das sensações, sendo imparcialmente uma das melhores coisas que já poderia ter me ocorrido hoje. Passo a mão nos meus cabelos, agradando-os com a água límpida, sem nenhuma intenção de lava-los, levando em consideração que eu já tivera feito isso esta manhã. Desço as minhas mãos pelo meu corpo, aliciando-o enquanto retiro toda a sujeira que estivera impregnada em mim durante o dia todo. Após quase oito minutos apenas de baixo do chuveiro, desligo o registro e puxo a toalha felpuda e cheirosa para mim, enxugando as gotículas de água que se espalham no meu corpo desnudo, posteriormente enrolo-a no meu corpo acima dos meus s***s. Junto todos os fios do meu cabelo e espremo nas minhas mãos, retirando todo o excesso de água que toma posse do mesmo, vendo a água cair sobre o chão limpo e úmido e correr rapidamente até o ralo de cor prata, no canto direito. – Lauren? - ouço a voz de Peter soar do lado de fora do banheiro. – Oi? – Eu vou deixar as roupas aqui em cima da cama e esperar você lá embaixo, certo? – Aham. - respondo-o com cautela. Aguardo alguns segundos, aperto a toalha sobre o meu corpo e quando ouço o barulho da porta que o levaria para fora do quarto, eu dou-me por convencida e então abro a porta do banheiro e saio do mesmo rápido, sem nem ao menos olhar para trás ou para frente. Meu corpo choca-se contra o corpo de Peter e devido ao impacto três vezes maior para mim, meu corpo cai ao chão e pela força involuntária de soltar a tolha, a mesma cai do meu corpo deixando-o completamente exposto. Meu olhar é rapidamente chocado contra o de Peter que sorri, o que acaba me causando uma vergonha absurda, deixando cada pigmento que compõe o meu rosto avermelhado. Levanto-me rapidamente do chão, cobrindo novamente meu corpo com a toalha. Praguejo-o mentalmente, eu me praguejo mentalmente também. – Me desculpa. - Peter diz risonho. Ele permanece de costas para mim e cobre as suas mãos com o rosto. – Meu Deus, Peter. - murmuro, posteriormente emitindo um som raivoso pelos meus lábios. – Você disse que ia me esperar lá fora. – E eu ia. - ele diz. Eu não posso ver seu rosto, mas sei que está rindo. – Mas eu esqueci de avisar que você pode usar a calcinha tranquilamente, é nova, minha mãe acabou de retira-la do pacotinho. – Tá bom. - não grito. Mas soa alto. – Posso ir? - questiona. – Vai logo, garoto. - mando-o. Ele sai apressado, não parece estar constrangido ou coisa do tipo. E talvez nem devesse ficar, mas eu? Bem, eu no momento agradeceria caso aparecesse um buraco agora no chão da qual eu pudesse me enfiar.
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