─ Armin, você come muito abacaxi? – pergunto, ladeando um sorriso.
─ Hm... Às vezes. Por quê? – ele sorri de volta.
─ Porque a sua p***a estava doce.
Armando dá uma risada muito gostosa.
─ Ah, é? Baby. Estava gostosa? Se você quiser já tem mais. – Ele pisca um olho e sorri sensualmente.
Dou uma risada. Ele é mesmo bobo.
Subo na cama, apoiando minhas mãos no colchão e beijo por cima da sua boca vermelha. Em seguida, mordo seu lábio inferior. O ar quente das nossas respirações invade a boca um do outro.
─ Ui... – ele sussurra, abrindo os olhos e me olhando com seus intensos glóbulos azuis. ─ Se você não quiser que eu te f**a, não faça isso. – Sua voz se arrasta.
─ Isso o quê? – dou uma gargalhada sarcástica, olhando-o com um sorriso.
─ Morder minha boca... Me beijar de repente. – Ele dá um leve suspiro, seu timbre segue sensual. ─ Eu gosto muito de você, Lynn. – Meu sorriso se fecha um pouco, enquanto sinto coisas confusas. ─ Quando você chega perto, eu sinto o seu cheiro e... Hmm... Não posso evitar ficar duro, entende? – ele sorri, sarcástico.
─ Entendo. – Respondo no modo piloto-automático. Seguro seu rosto com uma mão e acaricio sua bochecha. Armando parece vulnerável agora, se declarando para mim com esses olhos tão sinceros. ─ Você nunca me disse que gostava de mim. Ou você só diz por dizer? – sussurro, criando problemas desnecessários.
Depois da nossa f**a insana, qualquer garota normal estaria apaixonadíssima. Mas eu não quero amá-lo, nem cair na rede de um garoto que agora se sente no céu comigo, e amanhã se enjoará de mim.
─ Não é por dizer. Você é perfeita. – Ele toca o meu cabelo suavemente, segurando minha cabeça. Acabo ficando corada.
O jeito que ele diz isso é com tanta segurança. Olhando dentro dos olhos, com a voz firme, adocicada, apaixonada.
Olho para baixo, soltando um risinho zombeteiro.
─ Olha, Armando... Nós dois somos amigos, sabe. Você não precisa me tratar como uma qualquer. – Abro um sorriso nostálgico. ─ Não precisa ficar me iludindo, de acordo?
─ Ei... – ele sussurra rouco, me soltando. ─ Desculpa. – Armando fica alguns segundos me analisando. ─ Por que você tá dizendo isso? Não acredita em mim?
─ Eu acredito, mas acho que não deveríamos nos envolver sentimentalmente.
Seu olhar cria um leve brilho estranho.
─ Hm... Por quê? – ele quase sussurra. ─ Não que eu queira me envolver com você sentimentalmente, nem nada. – Ele franze as sobrancelhas, mostrando um lado orgulhoso que eu ainda não conhecia.
─ Coisas minhas. – Digo séria.
─ Você não é a única garota com quem eu saio. Eu não estou desesperado por você. Só tem um mês que nos conhecemos. – Ele bufa, cruzando os braços sobre sua barriga, sem me olhar diretamente agora. Parece chateado.
─ Bom para você. – Digo, nostálgica. ─ Você não sabe, mas todo mundo que se envolve comigo acaba num buraco. – Lá vou eu, com minha habitual autossabotagem.
Armando ergue uma sobrancelha.
De repente, abre um sorriso sádico.
─ Tranquila. Eu tenho outra garota também. A Antónia. – Ele diz com um tom de burla, e mantém o sorriso ladeado.
─ Essa garota? Ela é insuportável. Vive me zoando. – Abro um sorriso irônico, misturado com uma expressão de nojo.
─ Tá com ciúmes do papai, baby? – ele ergue uma sobrancelha, satisfeito. ─ Ela realmente é escrota, mas não deixa de ser gostosa.
Idiota, não é nada disso. Não quero me envolver por eu não gostar de você, senão por medo de que você me abandone quando saiba com quem está lidando.
─ Não é ciúmes! – reviro os olhos e cruzo os braços. O sorriso dele fica cada vez mais satisfeito.
─ Ok. Então você não vai se incomodar se eu pedir para você alguns conselhos sobre ela, não? Nós somos amigos. – Ele segue levemente irônico.
Me deito do seu lado, contendo um suspiro.
─ Claro que não. – Respondo.
Acabo de estragar o nosso sentimentalismo.
Bom, melhor assim...
Acho.
─ Ela é irmã do Daniel, que é um dos meus melhores parceiros... Foi assim como eu a conheci.
─ Daniel Ortega?
Armando ergue uma sobrancelha, curioso.
─ Sim, você conversa com ele?
─ Claro, ele até me convidou para jantar semana que vem.
─ Você aceitou?
─ Aceitei, ué. – Respondo.
─ Hm... Mas qual é a sua? Sair com todo mundo, curtir a vida?
─ Sei lá. Sou livre, não? Ou você é meu papai 24/7?
─ Ts. – Armando estrala os lábios. Ele permanece em silêncio por alguns segundos emocionalmente mais longos do que realmente foram. ─ Olha para mim. – O obedeço e me deparo com seus olhos intensos e determinados. ─ Eu também não tenho nada de ciúmes de você. – Ele ladeia um sorriso sacana, mas seus olhos não lhe deixam mentir. Eles brilham de um jeito melancólico, contradizendo o gesto dos seus lábios.
Assinto levemente.
Vejo como seu sorriso vai fechando.
─ Apesar de que... – sua voz sai fraca, quase tremendo, ele viaja seus olhos por meu rosto, pelo meu colo... ─ Bom, eu fodi uma vez com ela no vestiário. – Armando me olha. Por um momento pensei que ele se confessaria. Mas ele mudou para o outro assunto de um jeito repentino, ainda com um tom melancólico.
─ Foi bom? – pergunto, fingindo que não me importo.
─ Hm... – Ele assente de leve. ─ Não foi r**m. Ela estava lá escondida tentando ver o Luíz sem roupa.
Dou um risinho. Armando se contagia e expande um pouco o seu. A aura vai mudando aos poucos.
─ Eu também estava lá me trocando e quando vi o que ela estava fazendo me deu tesão... – ele conta, um pouco abstraído. ─ Não tinha ninguém melhor para f***r comigo esse dia. Então foi com ela mesmo. – Ele dá um risinho irônico.
Por pura curiosidade perversa, me aproximo um pouco dele e toco seu braço, lambendo meu lábio inferior.
─ Que safado... Como você a seduziu? Usou as mesmas técnicas que comigo? – dou um risinho fino. ─ Disse para ela as coisas estranhas que você gosta de fazer na cama? – apesar de eu fingir que não me importo, dá para ver que solto um veneninho.
─ Hm… não. Não é algo que eu vá contando por aí para gregos e troianos. – Ele solta um risinho sarcástico. ─ Me surpreende que você saiba sobre isso, normalmente eu tenho que perverter as garotas.
Ouço outro risinho levado escapando de sua boca, que correspondo.
─ Eu sou muito inteligente. Aberta. – Digo, abrindo um sorriso convencido. Ele corresponde com outro, assentindo e lambendo sua boca.
─ Não foi difícil seduzi-la. – Seus olhos começam a brilhar com malícia. ─ Eu sempre consigo o que eu quero. Ganho todos os jogos. – Ele pisca um olho, com um sorriso ladeado. ─ Eu só tive que me aproximar dela, de toalha, intimidá-la... E perguntar para ela que raios ela estava fazendo ali, com muita maldade na voz.
─ Deve ter sido quente. – Comento, com certo desânimo.
─ Foi. Sabe de uma coisa? Você soou realmente ciumenta agora. – Ele dá um risinho irônico.
Mostro a língua para ele.
─ E realmente você age como uma criança, é adorável.
Coro e recolho a língua, cruzando os braços.
Ele me dá um abraço lateral, pregando a cintura na minha.
─ Quer ter uma relação DDLG comigo? – Armando pergunta baixinho, me olhando.
─ Como seria nossa relação? – minha voz sai um pouco dócil ao perguntar.
─ Sexo, amizade, role-play. – Responde, compreensivo.
─ Quero.
─ Você atua sempre como se eu fosse o seu pai, e eu como se você fosse minha filha. Você sabe... Às vezes é r**m ter um pai, não? Com tudo o que implica obedecer. – Ele diz maliciosamente. ─ E outras vezes é ótimo. – Armando solta um risinho grave. ─ Depende do ponto de vista. Há castigos que até parecem prêmios.
─ É um abuso s****l. – Dou um risinho sarcástico.
─ Por isso é b**m. Por isso é Kink.
─ Hm... Tem razão. – Lhe olho, ladeando um sorriso.
─ Você acha grotesco demais?
─ Não, papai. Eu acho excitante. – Olho nos olhos dele, dizendo isso de um jeito que chegou a ser fofo.