Ciúmes I

1412 Palavras
─ Armin, você come muito abacaxi? – pergunto, ladeando um sorriso. ─ Hm... Às vezes. Por quê? – ele sorri de volta. ─ Porque a sua p***a estava doce. Armando dá uma risada muito gostosa. ─ Ah, é? Baby. Estava gostosa? Se você quiser já tem mais. – Ele pisca um olho e sorri sensualmente. Dou uma risada. Ele é mesmo bobo. Subo na cama, apoiando minhas mãos no colchão e beijo por cima da sua boca vermelha. Em seguida, mordo seu lábio inferior. O ar quente das nossas respirações invade a boca um do outro. ─ Ui... – ele sussurra, abrindo os olhos e me olhando com seus intensos glóbulos azuis. ─ Se você não quiser que eu te f**a, não faça isso. – Sua voz se arrasta. ─ Isso o quê? – dou uma gargalhada sarcástica, olhando-o com um sorriso. ─ Morder minha boca... Me beijar de repente. – Ele dá um leve suspiro, seu timbre segue sensual. ─ Eu gosto muito de você, Lynn. – Meu sorriso se fecha um pouco, enquanto sinto coisas confusas. ─ Quando você chega perto, eu sinto o seu cheiro e... Hmm... Não posso evitar ficar duro, entende? – ele sorri, sarcástico. ─ Entendo. – Respondo no modo piloto-automático. Seguro seu rosto com uma mão e acaricio sua bochecha. Armando parece vulnerável agora, se declarando para mim com esses olhos tão sinceros. ─ Você nunca me disse que gostava de mim. Ou você só diz por dizer? – sussurro, criando problemas desnecessários. Depois da nossa f**a insana, qualquer garota normal estaria apaixonadíssima. Mas eu não quero amá-lo, nem cair na rede de um garoto que agora se sente no céu comigo, e amanhã se enjoará de mim. ─ Não é por dizer. Você é perfeita. – Ele toca o meu cabelo suavemente, segurando minha cabeça. Acabo ficando corada. O jeito que ele diz isso é com tanta segurança. Olhando dentro dos olhos, com a voz firme, adocicada, apaixonada. Olho para baixo, soltando um risinho zombeteiro. ─ Olha, Armando... Nós dois somos amigos, sabe. Você não precisa me tratar como uma qualquer. – Abro um sorriso nostálgico. ─ Não precisa ficar me iludindo, de acordo? ─ Ei... – ele sussurra rouco, me soltando. ─ Desculpa. – Armando fica alguns segundos me analisando. ─ Por que você tá dizendo isso? Não acredita em mim? ─ Eu acredito, mas acho que não deveríamos nos envolver sentimentalmente. Seu olhar cria um leve brilho estranho. ─ Hm... Por quê? – ele quase sussurra. ─ Não que eu queira me envolver com você sentimentalmente, nem nada. – Ele franze as sobrancelhas, mostrando um lado orgulhoso que eu ainda não conhecia. ─ Coisas minhas. – Digo séria. ─ Você não é a única garota com quem eu saio. Eu não estou desesperado por você. Só tem um mês que nos conhecemos. – Ele bufa, cruzando os braços sobre sua barriga, sem me olhar diretamente agora. Parece chateado. ─ Bom para você. – Digo, nostálgica. ─ Você não sabe, mas todo mundo que se envolve comigo acaba num buraco. – Lá vou eu, com minha habitual autossabotagem. Armando ergue uma sobrancelha. De repente, abre um sorriso sádico. ─ Tranquila. Eu tenho outra garota também. A Antónia. – Ele diz com um tom de burla, e mantém o sorriso ladeado. ─ Essa garota? Ela é insuportável. Vive me zoando. – Abro um sorriso irônico, misturado com uma expressão de nojo. ─ Tá com ciúmes do papai, baby? – ele ergue uma sobrancelha, satisfeito. ─ Ela realmente é escrota, mas não deixa de ser gostosa. Idiota, não é nada disso. Não quero me envolver por eu não gostar de você, senão por medo de que você me abandone quando saiba com quem está lidando. ─ Não é ciúmes! – reviro os olhos e cruzo os braços. O sorriso dele fica cada vez mais satisfeito. ─ Ok. Então você não vai se incomodar se eu pedir para você alguns conselhos sobre ela, não? Nós somos amigos. – Ele segue levemente irônico. Me deito do seu lado, contendo um suspiro. ─ Claro que não. – Respondo. Acabo de estragar o nosso sentimentalismo. Bom, melhor assim... Acho. ─ Ela é irmã do Daniel, que é um dos meus melhores parceiros... Foi assim como eu a conheci. ─ Daniel Ortega? Armando ergue uma sobrancelha, curioso. ─ Sim, você conversa com ele? ─ Claro, ele até me convidou para jantar semana que vem. ─ Você aceitou? ─ Aceitei, ué. – Respondo. ─ Hm... Mas qual é a sua? Sair com todo mundo, curtir a vida? ─ Sei lá. Sou livre, não? Ou você é meu papai 24/7? ─ Ts. – Armando estrala os lábios. Ele permanece em silêncio por alguns segundos emocionalmente mais longos do que realmente foram. ─ Olha para mim. – O obedeço e me deparo com seus olhos intensos e determinados. ─ Eu também não tenho nada de ciúmes de você. – Ele ladeia um sorriso sacana, mas seus olhos não lhe deixam mentir. Eles brilham de um jeito melancólico, contradizendo o gesto dos seus lábios. Assinto levemente. Vejo como seu sorriso vai fechando. ─ Apesar de que... – sua voz sai fraca, quase tremendo, ele viaja seus olhos por meu rosto, pelo meu colo... ─ Bom, eu fodi uma vez com ela no vestiário. – Armando me olha. Por um momento pensei que ele se confessaria. Mas ele mudou para o outro assunto de um jeito repentino, ainda com um tom melancólico. ─ Foi bom? – pergunto, fingindo que não me importo. ─ Hm... – Ele assente de leve. ─ Não foi r**m. Ela estava lá escondida tentando ver o Luíz sem roupa. Dou um risinho. Armando se contagia e expande um pouco o seu. A aura vai mudando aos poucos. ─ Eu também estava lá me trocando e quando vi o que ela estava fazendo me deu tesão... – ele conta, um pouco abstraído. ─ Não tinha ninguém melhor para f***r comigo esse dia. Então foi com ela mesmo. – Ele dá um risinho irônico. Por pura curiosidade perversa, me aproximo um pouco dele e toco seu braço, lambendo meu lábio inferior. ─ Que safado... Como você a seduziu? Usou as mesmas técnicas que comigo? – dou um risinho fino. ─ Disse para ela as coisas estranhas que você gosta de fazer na cama? – apesar de eu fingir que não me importo, dá para ver que solto um veneninho. ─ Hm… não. Não é algo que eu vá contando por aí para gregos e troianos. – Ele solta um risinho sarcástico. ─ Me surpreende que você saiba sobre isso, normalmente eu tenho que perverter as garotas. Ouço outro risinho levado escapando de sua boca, que correspondo. ─ Eu sou muito inteligente. Aberta. – Digo, abrindo um sorriso convencido. Ele corresponde com outro, assentindo e lambendo sua boca. ─ Não foi difícil seduzi-la. – Seus olhos começam a brilhar com malícia. ─ Eu sempre consigo o que eu quero. Ganho todos os jogos. – Ele pisca um olho, com um sorriso ladeado. ─ Eu só tive que me aproximar dela, de toalha, intimidá-la... E perguntar para ela que raios ela estava fazendo ali, com muita maldade na voz. ─ Deve ter sido quente. – Comento, com certo desânimo. ─ Foi. Sabe de uma coisa? Você soou realmente ciumenta agora. – Ele dá um risinho irônico. Mostro a língua para ele. ─ E realmente você age como uma criança, é adorável. Coro e recolho a língua, cruzando os braços. Ele me dá um abraço lateral, pregando a cintura na minha. ─ Quer ter uma relação DDLG comigo? – Armando pergunta baixinho, me olhando. ─ Como seria nossa relação? – minha voz sai um pouco dócil ao perguntar. ─ Sexo, amizade, role-play. – Responde, compreensivo. ─ Quero. ─ Você atua sempre como se eu fosse o seu pai, e eu como se você fosse minha filha. Você sabe... Às vezes é r**m ter um pai, não? Com tudo o que implica obedecer. – Ele diz maliciosamente. ─ E outras vezes é ótimo. – Armando solta um risinho grave. ─ Depende do ponto de vista. Há castigos que até parecem prêmios.  ─ É um abuso s****l. – Dou um risinho sarcástico. ─ Por isso é b**m. Por isso é Kink. ─ Hm... Tem razão. – Lhe olho, ladeando um sorriso. ─ Você acha grotesco demais? ─ Não, papai. Eu acho excitante. – Olho nos olhos dele, dizendo isso de um jeito que chegou a ser fofo.
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