Gabriel foi embora sem dizer uma palavra a Juliana. Ela ainda ficou um tempo na cozinha depois do jantar, fingindo ocupar-se com qualquer coisa, esperando que ele voltasse, que dissesse ao menos um “já vou”, qualquer sinal. Quando percebeu que isso não ia acontecer, pegou a bolsa, as chaves e saiu da casa decidida a ir atrás dele. Precisava vê-lo. Precisava entender. Chegou ao prédio dele já tomada por um misto de raiva e ansiedade. Parou diante da porta do apartamento e começou a bater, forte, insistente, sem se importar com a hora ou com os vizinhos. Detestava usar a chave que Gabriel lhe dera, sempre achara aquilo uma invasão de privacidade, mas estava cansada demais para continuar batendo. Girou a fechadura e entrou. O apartamento estava em silêncio. Caminhou pela sala, depois pelo

