A mesa já estava posta quando Reinaldo entrou na sala de jantar arrastando os chinelos, o mau humor precedendo cada passo. O cheiro da canja ainda subia da cumbuca fumegante, simples demais para alguém que se considerava injustiçado pelo destino e pelo cardiologista. Ele parou diante da cadeira, olhou para o prato e franziu o nariz como se tivesse sido pessoalmente ofendido. — Eu não vou comer comida de doente. — reclamou, alto o suficiente para todos ouvirem. — Vocês comem um belo bife acebolado e eu fico com isso aqui? — apontou para a canja com a colher, fazendo cara de nojo. — Pode levar de volta! Juliana deu um passo à frente, já estendendo a mão para recolher o prato, mas Luna ergueu a palma aberta no ar, num gesto seco. — Pode deixar, Juliana. Nem olhou para a empregada. O olha

