🔥 Reação da Cozinha — O Caos Depois da Tempestade Silenciosa
A porta m*l havia se fechado atrás de Alex e Alan, e a cozinha explodiu como uma panela de pressão esquecida no fogo alto.
— MEU DEUS. — Gabriela gritou primeiro, jogando o pano para cima como se estivesse comemorando gol. — VOCÊS VIRAM? VOCÊS VI-RAM ISSO?!
Luna apoiou as duas mãos na bancada, rindo quase sem ar.
— Eu… eu tô passando m*l! Eles não responderam NADA, mas responderam TUDO!
Dona Tereza balançava a colher de p*u como se fosse um terço.
— Isso aí, minha filha… isso não é fofoca, isso é novela das oito vindo ao vivo no nosso fogão.
Alicerada no balcão, Alicia ainda estava em choque.
Que testa? Que bochecha? Desde quando a vida dela virou um circo?
— Luna… Gabriela… — ela tentou falar, mas as duas já estavam em modo análise criminalística.
Gabriela apontou para a porta.
— Você viu? Delegado Alex deu aquele sorriso de “sou perigoso, mas pra você eu sou pior ainda”.
— E o doutor Alan? — completou Luna, quase suspirando. — Ele te olhou como se estivesse te medindo temperatura com os olhos!
Dona Tereza bateu a colher de p*u na panela.
— Isso aí é namoro, sim! Namoro dobrado, triplicado, sei lá como vocês jovens chamam isso agora.
Alicia se engasgou.
— Não é namoro! — ela insistiu, mas sua voz tremia mais que clara em neve.
— Aham… — respondeu Gabriela, com as mãos na cintura. — E eu sou sócia da NASA.
Luna se inclinou sobre a mesa, olhando Alicia de cima a baixo com um sorrisinho malicioso.
— Minha filha… dois homens lindos, inteligentes e perigosamente apaixonados te beijam na frente da cozinha inteira… e você ainda quer que a gente acredite que não tem nada?
— Eles só… são carinhosos! — Alicia rebateu, quase implorando.
Toda a cozinha riu.
Até o padeiro, que não falava com ninguém desde 2002, soltou um “sei”.
Gabriela se aproximou, segurou o rosto de Alicia entre as mãos como quem examina uma obra de arte.
— Você tá vermelha.
— Eu tô IRRITADA! — Alicia disse, afastando as mãos dela.
— Irritada nada — Luna deu uma piscada. — Você tá apaixonada. E assustada. E feliz. Tudo junto. Um coquetel emocional.
Dona Tereza levantou a colher de p*u como um bastão cerimonial.
— Eu só digo uma coisa: se for pra confusão, que seja uma confusão que vale a pena.
E esses dois… valem cada migalha.
Gabriela gritou lá do canto:
— E EU QUERO SER MADRINHA DO CASAMENTO DUPLO!
— NÃO VAI TER CASAMENTO! — Alicia explodiu.
O silêncio durou exatamente três segundos.
E então—
Toda a cozinha respondeu em uníssono:
— Claro que vai!
Alicia suspirou, derrotada.
A cozinha estava perdida para a imaginação popular.
E ela?
Ela estava perdida… nos dois.
🌙 À Beira do Estacionamento do Hotel — A Reunião dos Irmãos
O sol já estava alto quando os irmãos alcançaram o estacionamento lateral do Hotel Paraíso. Tinham deixado a cozinha para trás, mas não o clima elétrico que pairava no ar.
Alex largou as sacolas na caçamba da caminhonete e passou a mão pelos cabelos, rindo sem humor.
— A ilha inteira vai surtar com isso… — murmurou.
Alan se apoiou na lateral do carro, cruzando os braços com calma estudada demais para ser real.
— A cozinha já surtou. A ilha deve estar dois passos à frente.
Por um momento, os dois ficaram em silêncio, observando o movimento do hotel. O vento trazia o cheiro do mar e um fragmento da voz de Alicia ecoava pela memória deles — confusa, corada, irritada… e tocada.
Alex foi o primeiro a quebrar o silêncio:
— Isso vai cair nela como uma bomba. Você viu a cara dela?
— Vi. — Alan confirmou, a voz baixa. — E entendi perfeitamente: ela tá assustada.
Alex chutou uma pedrinha no chão, irritado com o próprio instinto protetor que fervia no peito.
— Eu devia ter falado alguma coisa ali. Qualquer coisa. Nem que fosse pra acalmar o fogo.
— Se você tivesse falado, teria aumentado — Alan rebateu com serenidade. — Você abre a boca e todo mundo acha que você tá assumindo casamento.
Alex revirou os olhos.
— Ah, claro. Porque você é o discreto, né? Com aquele sorrisinho que você deu pra ela?
Alan o encarou firme.
— Aquele sorriso foi pra acalmá-la. Não pra alimentar fofoca.
— Parecia pra conquistar — Alex provocou.
— E o seu beijo na testa foi pra quê? Culto de domingo?
Os dois se encararam por três segundos.
Depois riram — um riso curto, cansado, cúmplice.
A verdade é que nenhum dos dois estava competindo.
Mas os sentimentos… eram complicados demais para fingir simplicidade.
Alan respirou fundo.
— A gente precisa decidir o que vai fazer. Agora que o rumor explodiu, não vai ter como proteger Alicia disso sozinha. Ela odeia ser alvo de comentários.
— Eu sei — Alex respondeu de imediato. — Aqueles olhos dela quase implorando por uma evasão de emergência… eu senti daqui.
Alan concordou com um leve aceno.
— Ela tem medo de virar motivo de chacota. Medo de que pensem que ela tá jogando com a gente… ou se aproveitando da mãe.
Alex ficou sério, o maxilar tenso.
— Ninguém vai desrespeitar ela. Não enquanto eu tiver vivo.
— Nem enquanto eu tiver pulso — Alan completou, firme.
Houve mais um instante de silêncio.
Até que Alex encarou o irmão.
— Então… qual é o plano?
Alan já parecia ter pensado nisso há mais tempo.
— Primeiro: a gente conversa com ela. Os três. De forma honesta. Sem pressão.
— Certo.
— Segundo: a gente deixa claro que não tem brincadeira nisso. Nem disputa. Nem joguinho.
— Hm.
— Terceiro…
Alan respirou fundo antes de concluir:
— Nós dois damos a ela o direito de escolher como quer lidar com isso. Com a gente. Com a ilha. Com tudo.
Alex assentiu devagar, sentindo um peso e um alívio ao mesmo tempo.
— E se ela não quiser nenhum de nós? — ele perguntou, quase em sussurro.
Alan ergueu o olhar para o horizonte azul do mar.
— Então vamos lidar com isso como adultos. E continuar protegendo ela do mesmo jeito.
Alex franziu o cenho.
— Você consegue mesmo?
Alan respondeu sem hesitar:
— Por ela? Sim.
O delegado soltou o ar, como se estivesse tirando uma placa de concreto do peito.
— Tá. Então a gente faz do seu jeito. Mas eu tenho uma condição.
Alan arqueou uma sobrancelha.
— Qual?
— A gente conta tudo pra ela hoje. Antes que a ilha conte por nós.
Alan sorriu — o sorriso tranquilo, calculado, porém sincero.
— Combinado. Hoje.
Os dois apertaram as mãos — o pacto silencioso de dois homens que amavam a mesma mulher… sem se odiarem por isso.
Mas antes de voltarem para dentro, Alex completou:
— E só pra constar… o beijo na testa foi educado. Civilizado.
Alan riu.
— Foi possessivo e você sabe.
Alex resmungou… mas não negou.