Capítulo 30

1189 Palavras
🔥 Reação da Cozinha — O Caos Depois da Tempestade Silenciosa A porta m*l havia se fechado atrás de Alex e Alan, e a cozinha explodiu como uma panela de pressão esquecida no fogo alto. — MEU DEUS. — Gabriela gritou primeiro, jogando o pano para cima como se estivesse comemorando gol. — VOCÊS VIRAM? VOCÊS VI-RAM ISSO?! Luna apoiou as duas mãos na bancada, rindo quase sem ar. — Eu… eu tô passando m*l! Eles não responderam NADA, mas responderam TUDO! Dona Tereza balançava a colher de p*u como se fosse um terço. — Isso aí, minha filha… isso não é fofoca, isso é novela das oito vindo ao vivo no nosso fogão. Alicerada no balcão, Alicia ainda estava em choque. Que testa? Que bochecha? Desde quando a vida dela virou um circo? — Luna… Gabriela… — ela tentou falar, mas as duas já estavam em modo análise criminalística. Gabriela apontou para a porta. — Você viu? Delegado Alex deu aquele sorriso de “sou perigoso, mas pra você eu sou pior ainda”. — E o doutor Alan? — completou Luna, quase suspirando. — Ele te olhou como se estivesse te medindo temperatura com os olhos! Dona Tereza bateu a colher de p*u na panela. — Isso aí é namoro, sim! Namoro dobrado, triplicado, sei lá como vocês jovens chamam isso agora. Alicia se engasgou. — Não é namoro! — ela insistiu, mas sua voz tremia mais que clara em neve. — Aham… — respondeu Gabriela, com as mãos na cintura. — E eu sou sócia da NASA. Luna se inclinou sobre a mesa, olhando Alicia de cima a baixo com um sorrisinho malicioso. — Minha filha… dois homens lindos, inteligentes e perigosamente apaixonados te beijam na frente da cozinha inteira… e você ainda quer que a gente acredite que não tem nada? — Eles só… são carinhosos! — Alicia rebateu, quase implorando. Toda a cozinha riu. Até o padeiro, que não falava com ninguém desde 2002, soltou um “sei”. Gabriela se aproximou, segurou o rosto de Alicia entre as mãos como quem examina uma obra de arte. — Você tá vermelha. — Eu tô IRRITADA! — Alicia disse, afastando as mãos dela. — Irritada nada — Luna deu uma piscada. — Você tá apaixonada. E assustada. E feliz. Tudo junto. Um coquetel emocional. Dona Tereza levantou a colher de p*u como um bastão cerimonial. — Eu só digo uma coisa: se for pra confusão, que seja uma confusão que vale a pena. E esses dois… valem cada migalha. Gabriela gritou lá do canto: — E EU QUERO SER MADRINHA DO CASAMENTO DUPLO! — NÃO VAI TER CASAMENTO! — Alicia explodiu. O silêncio durou exatamente três segundos. E então— Toda a cozinha respondeu em uníssono: — Claro que vai! Alicia suspirou, derrotada. A cozinha estava perdida para a imaginação popular. E ela? Ela estava perdida… nos dois. 🌙 À Beira do Estacionamento do Hotel — A Reunião dos Irmãos O sol já estava alto quando os irmãos alcançaram o estacionamento lateral do Hotel Paraíso. Tinham deixado a cozinha para trás, mas não o clima elétrico que pairava no ar. Alex largou as sacolas na caçamba da caminhonete e passou a mão pelos cabelos, rindo sem humor. — A ilha inteira vai surtar com isso… — murmurou. Alan se apoiou na lateral do carro, cruzando os braços com calma estudada demais para ser real. — A cozinha já surtou. A ilha deve estar dois passos à frente. Por um momento, os dois ficaram em silêncio, observando o movimento do hotel. O vento trazia o cheiro do mar e um fragmento da voz de Alicia ecoava pela memória deles — confusa, corada, irritada… e tocada. Alex foi o primeiro a quebrar o silêncio: — Isso vai cair nela como uma bomba. Você viu a cara dela? — Vi. — Alan confirmou, a voz baixa. — E entendi perfeitamente: ela tá assustada. Alex chutou uma pedrinha no chão, irritado com o próprio instinto protetor que fervia no peito. — Eu devia ter falado alguma coisa ali. Qualquer coisa. Nem que fosse pra acalmar o fogo. — Se você tivesse falado, teria aumentado — Alan rebateu com serenidade. — Você abre a boca e todo mundo acha que você tá assumindo casamento. Alex revirou os olhos. — Ah, claro. Porque você é o discreto, né? Com aquele sorrisinho que você deu pra ela? Alan o encarou firme. — Aquele sorriso foi pra acalmá-la. Não pra alimentar fofoca. — Parecia pra conquistar — Alex provocou. — E o seu beijo na testa foi pra quê? Culto de domingo? Os dois se encararam por três segundos. Depois riram — um riso curto, cansado, cúmplice. A verdade é que nenhum dos dois estava competindo. Mas os sentimentos… eram complicados demais para fingir simplicidade. Alan respirou fundo. — A gente precisa decidir o que vai fazer. Agora que o rumor explodiu, não vai ter como proteger Alicia disso sozinha. Ela odeia ser alvo de comentários. — Eu sei — Alex respondeu de imediato. — Aqueles olhos dela quase implorando por uma evasão de emergência… eu senti daqui. Alan concordou com um leve aceno. — Ela tem medo de virar motivo de chacota. Medo de que pensem que ela tá jogando com a gente… ou se aproveitando da mãe. Alex ficou sério, o maxilar tenso. — Ninguém vai desrespeitar ela. Não enquanto eu tiver vivo. — Nem enquanto eu tiver pulso — Alan completou, firme. Houve mais um instante de silêncio. Até que Alex encarou o irmão. — Então… qual é o plano? Alan já parecia ter pensado nisso há mais tempo. — Primeiro: a gente conversa com ela. Os três. De forma honesta. Sem pressão. — Certo. — Segundo: a gente deixa claro que não tem brincadeira nisso. Nem disputa. Nem joguinho. — Hm. — Terceiro… Alan respirou fundo antes de concluir: — Nós dois damos a ela o direito de escolher como quer lidar com isso. Com a gente. Com a ilha. Com tudo. Alex assentiu devagar, sentindo um peso e um alívio ao mesmo tempo. — E se ela não quiser nenhum de nós? — ele perguntou, quase em sussurro. Alan ergueu o olhar para o horizonte azul do mar. — Então vamos lidar com isso como adultos. E continuar protegendo ela do mesmo jeito. Alex franziu o cenho. — Você consegue mesmo? Alan respondeu sem hesitar: — Por ela? Sim. O delegado soltou o ar, como se estivesse tirando uma placa de concreto do peito. — Tá. Então a gente faz do seu jeito. Mas eu tenho uma condição. Alan arqueou uma sobrancelha. — Qual? — A gente conta tudo pra ela hoje. Antes que a ilha conte por nós. Alan sorriu — o sorriso tranquilo, calculado, porém sincero. — Combinado. Hoje. Os dois apertaram as mãos — o pacto silencioso de dois homens que amavam a mesma mulher… sem se odiarem por isso. Mas antes de voltarem para dentro, Alex completou: — E só pra constar… o beijo na testa foi educado. Civilizado. Alan riu. — Foi possessivo e você sabe. Alex resmungou… mas não negou.
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