Capítulo 28

739 Palavras
O Presente Dela — A Conversa dos Dois A porta do apartamento havia acabado de se fechar atrás deles quando Alex soltou o ar que vinha segurando desde o jantar. Ele encostou as costas na porta do carro ainda parado na garagem do prédio e passou a mão pelos cabelos. “Cara… eu não estava preparado pra isso.” A voz dele saiu baixa, rouca, como se ainda estivesse absorvendo tudo. Alan, vindo logo atrás, apoiou os braços no teto do carro e o observou com um sorriso pequeno — aquele sorriso que só aparecia quando algo realmente o tocava. “Eu também não.” Ele suspirou. “Ela acabou de entregar o coração dela… assim. Sem pedir nada de volta.” Alex riu de canto, balançando a cabeça. “E justamente por isso a gente tem que dar algo à altura.” Alan ergueu uma sobrancelha. “Você está sugerindo o quê? Comprar um carro? Uma viagem? Raptá-la por um final de semana?” Alex deu um meio sorriso, aquele típico, insolente. “Bom… a parte do rapto eu não descartaria.” Ele se endireitou e abriu a porta do carro. “Mas eu estava pensando em outra coisa.” Alan entrou no banco do carona, cruzando as mãos no colo. “Ok. Diz.” Alex ligou o carro, mas não saiu imediatamente. Apenas deixou o motor ronronar enquanto seus olhos ficavam fixos no volante. “Ela deu pra gente algo muito específico, Alan.” A voz dele estava séria agora — mais profunda que o normal. “Reconhecimento. i********e. Vulnerabilidade.” Alan assentiu devagar. “E amor,” completou. O silêncio tomou o carro por alguns segundos. Mas era um silêncio cheio — do tipo que vinha depois de algo grande demais. Alex pigarreou. “Eu quero dar pra ela algo que mostre que ela faz parte.” Ele virou o rosto, encarando o irmão. “Não só da nossa vida. Do nosso mundo.” Alan franziu o cenho, mas com interesse. “Qual mundo, Alex?” O delegado apoiou o braço na janela, olhando para o prédio onde Alicia vivia. “O mundo onde ela é prioridade. Onde ela é lembrada. Onde ninguém entra sem saber que alguém… dois alguéns… cuidam dela.” Alan o observou por longos segundos — e então sorriu. “Então você quer algo simbólico.” “Exatamente.” “E que tenha o toque de nós dois.” Alex abriu um sorriso lento. “Sabia que você ia entender.” Alan ficou alguns segundos em silêncio, como quem organiza ideias que vinham todas ao mesmo tempo. “Eu posso mandar fazer uma peça personalizada,” ele disse. “Algo delicado, mas duradouro. Algo que ela possa usar no trabalho, no dia a dia. Sem chamar atenção… e ao mesmo tempo carregando um significado só nosso.” Alex bateu o indicador no volante, pensativo. “Algo que diga ‘você pertence à gente’, mas do jeito certo. Do jeito dela.” “Elegante,” Alan completou. “E provocador,” Alex acrescentou. Alan riu. “Claro que você diria isso.” Alex soltou um assobio curto. “Então… o que você sugere, doutor?” Alan se virou totalmente para ele. “Uma joia. Minimalista. Feita sob encomenda.” Alex levantou o queixo, apreciando a direção. “Qual tipo?” Alan respirou fundo. “Um colar. Com dois pingentes discretos.” Alex entreabriu um sorriso, malicioso. “Dois?” “Um que represente você.” Alan apontou para o irmão. “E outro que represente a mim.” Alex ficou quieto por um momento. A ideia o atingiu com força. “Ela usaria,” ele murmurou. “Todo dia.” Alan assentiu. “E saberia que os dois estão com ela… mesmo quando não estamos.” Alex fechou a mão devagar — não em raiva, mas em emoção m*l contida. “Caramba… isso vai deixar a Chef completamente sem ar.” Alan sorriu. “E é exatamente isso que queremos.” Alex respirou fundo e bateu a mão no volante. “Fechado então. Um colar. Dois pingentes.” “Personalizados,” Alan reforçou. “Com significado,” Alex completou. Eles se olharam — dois homens tão diferentes, tão iguais naquele momento — e um acordo silencioso se formou. Algo profundo. Algo definitivo. “Ela merece isso,” Alan disse, finalmente. Alex sorriu de canto, o olhar cheio daquela mistura de desejo e devoção.
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