Capítulo 27

928 Palavras
Um Mês Depois — A Surpresa Que Mudaria Tudo O mês passou como um sopro quente: lento o suficiente para saborear, rápido o bastante para deixar Alicia inquieta com tudo que sentia. Os dias se tornaram um ritual secreto — o café dividido na pausa dos dois, as chamadas de vídeo madrugada adentro, os toques que ficaram mais seguros, mais ousados, mais inevitáveis. E o desejo… Ah, esse nunca mais desceu do palco. Alex era fogo: direto, provocador, aquele perigo gostoso que queimava sem pedir desculpas. Alan era mar: profundo, constante, capaz de desmontar qualquer defesa com um toque na cintura ou um olhar prolongado. Alicia estava perdida. E feliz. Perigosamente feliz. Foi por isso que decidiu fazer algo por eles. Algo que dissesse, sem palavras: eu sinto o mesmo. --- A Preparação — O Plano de Alicia Ela passou a semana inteira arquitetando tudo. Fez as compras escondida no horário do almoço. Escondeu caixas no armário de mantimentos. Mandou mensagens rápidas para os dois dizendo apenas: “Sábado. Sete da noite. Venham arrumados, mas confortáveis. E confiem em mim.” Alex respondeu com um: “Se você me sequestrar, eu vou adorar.” Alan mandou apenas um emoji de ponto de interrogação seguido de um coração — que nela causou um arrepio que percorreu a espinha inteira. A ideia era simples, mas ousada: **Um jantar para três, mas do jeito dela. Um agradecimento. Um convite. Uma promessa silenciosa.** No dia marcado, o apartamento estava transformado: — luzes baixas — velas espalhadas em copos de vidro — um caminho discreto de pétalas até a varanda — música suave tocando em volume baixo — uma mesa bem posta, mas íntima, com apenas um arranjo de lírios brancos no centro A comida estava no forno — receita dela, do tempo em que cozinhava para suportar o mundo. Alicia respirou fundo diante do espelho. Vestido simples, corpo marcado pela última semana de toques deles. Um brilho nos olhos que ela mesma estranhou. Tomara que dê certo. Tomara que eles entendam. --- A Chegada — Dois Mundos Entrando Pela Mesma Porta Sete e cinco. A campainha tocou. Alicia abriu a porta — e perdeu o ar. Alex estava encostado no batente, camisa preta, mangas dobradas, o colar policial discreto contra o peito. Um sorriso de canto, devastador. Alan veio logo atrás, em camisa clara e casaco leve, cabelos ainda úmidos do banho, aquele olhar tranquilo que incendiava sem esforço. Ambos pararam quando viram o apartamento preparado. Alex assobiou baixo. Alan abriu um sorriso lento, encantado. "Chef…" Alex entrou, os olhos percorrendo tudo. "Se isso for um assalto emocional, parabéns. Já fui rendido." Alan se aproximou dela, tocando sua cintura com delicadeza. "Você fez isso pra nós?" Ela engoliu seco e assentiu. "Eu… queria agradecer pelo último mês. Vocês mudaram tudo pra mim." A resposta veio de forma inesperada. Alex tocou o queixo dela, levantando seu rosto. "Você também mudou tudo pra gente." Alan completou, com a voz baixa demais: "Todos os dias." --- O Jantar — Entre Risos, Toques e Confissões A comida ficou quase esquecida entre conversas, provocações e olhares que não fugiam mais. Alex sempre encontrava uma desculpa para tocar a mão dela. Alan sempre encontrava uma desculpa para acariciar suas costas. Alicia estava flutuando — e nervosa. Porque a parte principal da surpresa ainda viria. E o coração dela não parava de bater forte, como se estivesse tentando fugir para o peito de um deles. Quando o jantar terminou, Alicia se levantou. "Esperem aqui… eu já volto." Foi até o quarto e trouxe uma caixa pequena, embrulhada com uma fita azul. Colocou sobre a mesa. Os dois olharam para ela, sérios agora, atentos. "Isso é pra vocês. Pros dois. Quero que abram juntos." Alex ergueu uma sobrancelha. Alan estendeu a mão e puxou a caixa com cuidado. Dentro, havia dois objetos: • Um chaveiro de couro com o símbolo da polícia, gravado discretamente com a frase: “Por me proteger até quando não percebe.” • Um estetoscópio prateado com uma pequena placa no cabo: “Por me curar até quando não olha.” Os dois ficaram imóveis. Silêncio. Forte. Profundo. Alex piscou rápido, desviando os olhos por um segundo — algo muito raro nele. Alan segurou o estetoscópio como se fosse vidro. Alicia respirou fundo. "E tem mais." Os dois levantaram a cabeça ao mesmo tempo. "Eu… não sei onde isso tudo vai dar. Não sei como funciona, não sei o nome. Mas eu sei que… não quero que isso acabe. Não quero escolher um. Não quero perder nenhum." Alex deu um passo na direção dela. Alan também. Os dois pararam muito perto, um de cada lado. "A gente também não quer que acabe," Alan disse, firme. "Nunca quisemos," Alex completou, roçando os dedos no braço dela. Ela sentiu o corpo inteiro responder aos dois ao mesmo tempo. "Então…" ela murmurou. "A surpresa é essa. Eu tô… entregando meu coração. Do jeito que ele é. Pros dois." --- A Resposta — Dois Sorrisos, Dois Toques, Um Destino Alex aproximou o rosto dela do seu, sem beijar, apenas sentindo a respiração dela. "Chef… você não faz ideia do que acabou de fazer com a gente." Alan segurou a mão dela e entrelaçou os dedos. "Isso é… mais do que esperávamos." E então, coordenados como sempre, os dois tocaram o rosto dela: Alex na bochecha esquerda. Alan na direita. Ela arrepiou inteira. "Feliz um mês, Alicia." "Feliz nosso começo." E pela primeira vez, ela sentiu não apenas que estava com eles — mas que eles estavam completamente com ela também.
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