As Marcas que Ficam

1245 Palavras

O quarto estava mergulhado em uma penumbra aveludada, pincelado apenas pela luz tênue que se infiltrava pelas frestas das cortinas de linho. O silêncio reinava absoluto, quebrado apenas pelo som suave e cadenciado da respiração de Claire, que dormia profundamente, o corpo entregue ao cansaço e às emoções da noite. Saymon, no entanto, permanecia desperto. Deitado ao lado dela, o tronco apoiado em um dos cotovelos, observava-a com uma intensidade silenciosa que beirava o devocional. Seus olhos percorriam cada traço daquele rosto calmo e sereno — o contorno delicado da mandíbula, os cílios longos repousando sobre as bochechas coradas, os lábios entreabertos que exalavam um suspiro tranquilo. Ela parecia alheia ao turbilhão que ele vivia por dentro. Mas foi ao descer o olhar pelo corpo adorm

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