Saymon entrou no escritório com passos firmes, quase mecânicos, como se cada movimento milimetricamente calculado pudesse impor ordem ao caos que se espalhava dentro dele. A expressão imperturbável que usava como armadura estava intacta por fora, mas algo em seu olhar denunciava a inquietação que o corroía desde o momento em que deixara Claire. Encerrara uma sequência exaustiva de reuniões, selando contratos que movimentam cifras capazes de sustentar impérios. Movimentara engrenagens pesadas com a mesma frieza habitual, alimentando a máquina que sustentava seu nome, seu legado, seu controle. E, mesmo assim, nada daquilo o preenchia. Porque, atrás de todas as vitórias, havia uma imagem que não lhe saía da mente — Claire, adormecida, frágil e encolhida em si mesma, abraçada a um travesseiro

