Após Sarah deixar a sala, Claire permaneceu ali por alguns instantes. Não por indecisão. Mas por medo. Medo de voltar a ser apenas uma peça na engrenagem silenciosa daquela casa — e na vida dele. O ambiente estava perfeitamente organizado: pratos sendo retirados com precisão, copos reluzentes, arranjos simétricos, temperatura controlada. Tudo no lugar. Tudo certo. E, ainda assim, havia uma frieza no ar. Como se aquela casa, apesar de viva, não tivesse alma. A mesma frieza que ela sentia em Saymon Ferraz. Ele era um mistério. Silencioso, calculado, observador. Seu olhar dizia mais que qualquer palavra — um olhar que a despia com exatidão, como se a estivesse estudando, testando, decifrando. Claire sentia que cada passo que dava ali era avaliado com olhos atentos, como se caminhasse sobr

