Entrei na minha sala tentando conter o ódio que senti quando vi aquela c****a. Não a reconheci de costas de calça, mas quando ela virou, eu percebi a sua intenção. Ela ia tentar me seduzir, iria inventar uma mentira qualquer e não estava nem um pouco interessado a ser feito de o****o duas vezes.
Sentei à mesa e me virei para a janela, enquanto Dona Marlene aguardava o comando. Eu precisava dar um jeito nessa garota!
― O que Juliana queria, Dona Marlene? ― perguntei sem me virar.
― Eu ainda não sei, sr. Luciano. Não tive tempo de perguntar.
― Ela já assinou a rescisão?
― Eu vou verificar, sr.
― Se ela não trabalha mais aqui, eu não quero ela circulando neste andar, Dona Marlene. Estamos entendidos?
― Sim, sr.
― Agora me chame o Villas Boas, por gentileza.
Ela responde assertivamente e eu ouço a porta bater. Já sei como vou lidar com Juliana. Se ela sonhou ganhar meu sobrenome, agora ela vai ter pesadelos com ele.
Não demorou muito e Dona Marlene anunciou o Villas Boas. Se Juliana ficou insatisfeita, não fez escândalo por eu não a atender. Pelo menos eu não ouvi. Detesto mulher desequilibrada.
― Boa tarde, Luciano! Como você está? ― ele entrou na sala sorridente.
― Boa tarde, Villa Boas! ― apontei para a cadeira à minha frente depois de apertar-lhe a mão. ― Tudo ótimo! O que você achou do casamento?
― Ah… muito bom! Foi uma bela festa. Seu pai estava feliz casando a única filha. ― sorriu.
― Ele estava mesmo. ― forcei um sorriso.
― Mas diga, Luciano. Como posso ajudá-lo? ― ele era direto. Respirei fundo procurando uma forma de abordar o assunto.
― Eu estou com um problema pessoal para administrar. ― ele sorriu.
― É a garota da festa, não é? ― balancei a cabeça afirmativamente. ― O que você quer que eu faça?
― Quero tirar ela do meu pé. Ela já não trabalha mais aqui, mas veio atrás de mim ainda a pouco. Pensei em executar a multa do contrato.
― Você quer forçar um acordo… entendi.
― Não sei ainda. Mas vai ser educativo.
― Luciano, eu avisei que não era uma boa ideia. ― ignoro o sermão. ― Agora tem uma coisa. Você é o homem, era o chefe e vocês foram para sua casa. Presumo que dividiram o mesmo quarto. ― ele me olhou interrogativo.
― O que tem?
― Ela pode alegar assédio e pedir mais que isso. Pode usar a mídia contra você. A gente não sabe a índole dessa garota. Você vai precisar ter mais que sua palavra. ― ele tinha razão. Eu precisaria de provas.
― Eu cuido disso. Prepare a ação que eu cuido do resto.
― Tudo bem! ― ele levantou e saiu.
Fiquei pensando como vou provar que ela tomou a iniciativa, se fui eu quem a beijou na cozinha do barco? Se fui eu que não resisti a petulância dela, quando se negou a ficar comigo na presença de Suzan. Se fui eu que tirei aquele vestido escroto e que busquei o gosto que ainda sinto na boca. Por que você fez isso, Juliana?
― Sr. Luciano ― Dona Marlene entra interrompendo meus pensamentos. ― Estão lhe aguardando na sala de Reunião.
― Ah, sim. Os coreanos. Obrigado! ― digo me levantando.
Eu fui à reunião, mas apenas o meu corpo estava ali. Eu não tinha cabeça para pensar em nada. Fiquei até o final, teoricamente acompanhando calado. Pelo menos tive tempo de pensar em uma testemunha para o processo. Eu estava novamente com o controle do jogo..
― Suzan, como você está? ― liguei para ela do meu celular, assim que retornei para minha sala.
― Luciano? A que devo a honra? ― foi irônica. Eu gosto da Suzan. Ela tem senso de humor.
― Saudade de você. ― ela rir e zomba.
― O que houve? Não quer mais desfilar com a Naomi? ― ela se referia a Juliana como Naomi Campbell, uma famosa modelo n***a. Respirei fundo e ignorei a provocação. Eu precisava da ajuda dela.
― Te pego na sua casa às sete. Acho que a gente tem uma conversa pendente...
― m*l posso esperar…
Desligo a ligação e ouço um barulho do lado de fora. Será que Juliana tinha voltado e estava fazendo um escândalo. Não é possível!
Liguei para Dona Marlene, mas quem atendeu foi a secretária nova. O barulho ao fundo atrapalhava ouvir a voz da moça, a qual m*l saía quando soube que era eu ao telefone.
― O que está acontecendo aí fora? ― questionei incomodado.
― Tem uma moça dizendo que é namorada do senhor e forçando a entrada. ― p**a m***a, Juliana. Não esperava que você fosse tão baixa!
― Você só me decepciona, Juliana! ― falo para mim mesmo.
― Não é a Srta. Juliana, Sr. É a srta. Bruna Laís. ― ela sussurrou. p**a m***a! ― Não se preocupe, Sr. Luciano. Ela está mais calma do que na sexta.
― Na sexta? O que houve na sexta? ― ela fica muda do outro lado da linha e logo desliga o telefone na minha cara. Decido acabar com aquele circo. Levanto e vou até a porta da minha sala. Quando abro vejo Dona Marlene e Laís discutindo calorosamente.
― Meu amor, olha o que essa velha está fazendo comigo! ― Laís falou assim que me viu. Franzi o cenho e balancei a cabeça negativamente. Dona Marlene me olhou com receio.
― Entre de uma vez, Laís! ― ela se recompôs e desdenhou de Dona Marlene quando entrou na sala. Fechei a porta e Laís me abraçou pelo pescoço.
― Eu estava com saudades, meu fujão. ― tirei os braços dela de cima de mim e caminhei até a janela.
― Eu errei com você, Laís! ― disse sem olhar para ela. ― Eu bebi muito ontem. Não devia ter acontecido. Sinto muito! ― ouvi os passos dela se aproximando e senti ela me abraçando por trás. Desvencilhei-me, e fui sentar na minha mesa.
― Não fala isso, meu amor. ― ela sentou na minha frente. ― A gente combina junto. Lembra de ontem? Foi tão gostoso, não foi? ― me apoiei no encosto da cadeira e passei as mãos na cabeça impaciente. Detesto ser grosseiro com as pessoas, mas tem gente que pede. Cruzei os braços e depois esfreguei o queixo com a mão esquerda, sem deixar de olhar nos olhos dela.
― Veja bem, querida! Não há combinação nenhuma entre nós. Nós transamos duas vezes e foi só isso. Acho que você é bem grandinha para entender que ter fudido com você não me obriga a p***a nenhuma. Já passou da hora de você parar de encher a p***a do meu saco e arrumar outro o****o. Agora se manda! ― aponto a porta com a cabeça.
Ela parecia atordoada. Por isso, decidi ajudá-la a compreender as minhas palavras. Levantei e abri a porta para ela sair com o mínimo de dignidade. Ela levantou e saiu ainda tonta. Fechei a porta sem me despedir. Eu tinha mais o que fazer do que aturar aquela maluca.