Depois da conversa com o Jonas, eu estava m*l. Já tinha bebido, mas não tinha desestressado. Era preciso diminuir a tensão.
Ele chegou precisando desabafar, pois Juliana tinha lhe dado um fora por telefone. O que indicava que ele ainda não sabia da novidade. O ouvi relatar o contexto da ligação, lamentar pelo desprezo recebido, falar dos planos que tinha feito. Fiquei quieto até ele pedir minha opinião.
Eu podia ser tudo, menos canalha! Comecei fazendo ele lembrar da minha relação com a Suzan, de como e porque eu deixei ela. Lembrei-o das armações que ela criava para que ficássemos sozinhos no mesmo ambiente e das chantagens que ela fazia depois que transávamos. Falei da minha dificuldade em romper o vínculo. Ele escutou tudo sem esconder o incômodo de ter que ouvir sobre um assunto que ele não estava interessado.
Falei do meu desejo de ir ao casamento da minha irmã sem ter Suzan no meu pé, criando constrangimentos desnecessários. Ele sabe que nem eu, nem ela gostamos de escândalos, mas ela é habilidosa o suficiente para criar inconvenientes sem precisar abrir a boca. Então, chegou a parte difícil.
Esclareci que estava sem saída e que eu havia pedido a uma funcionária para me acompanhar no evento. Eu não disse o nome, mas despertei a atenção dele. Mesmo conhecendo minha regra de não me envolver com funcionárias, ele se ajeitou na cadeira e bebeu um gole do whisky, como se já soubesse onde todo aquele rodeio ia dar.
― Você pegou ela, não foi? ― ele me encarou e eu balancei a cabeça lentamente, para cima e para baixo, com os lábios retraídos.
― Sinto muito, Jonas! ― eu realmente lamentava pelas circunstâncias, apesar de não me arrepender de nada do que fiz. ― Não foi intencional. Aconteceu. ― frisei.
― E agora? Você vai tirá-la da diretoria para não ter que olhar mais para cara dela? ― ele ironizou ― Vai demiti-la? É por isso que ela é tão arisca, Luciano. Por causa de caras como você. ― bebeu mais um gole para controlar a raiva que parecia crescer dentro de si.
― Eu gosto dela, Jonas. Eu não sabia o que sentia até estar com ela. Sinto muito, cara.
― Então é isso? ― riu zombeteiro ― Você vai namorar? Quanto tempo você acha que isso vai durar, Luciano? Se eu não te conhecesse, eu até acreditaria nesse papinho de rapaz apaixonado. ― Eu não respondi. Ele não estava pronto para ouvir. Estava machucado e tentava me atingir com p************s.
Foi a forma que encontrou de revidar todo o sentimento r**m que eu tinha provocado. Depois mudou o tom. Tentou mostrar maturidade, fez questionamentos sobre minha relação com ela antes do casamento. Se culpou por não ter ido à festa, porque quis priorizar o trabalho. Ele também não sabia do envolvimento de Matheus. E a cada fala dele eu percebia o quão filho da p**a eu tinha sido.
Ele chegou a se colocar no meu lugar e afirmar que eu tinha resistido mais do que ele seria capaz. Que apesar de ter criado esperanças, sabia que ela já o tinha dispensado muito antes de nós ficarmos juntos e que ela devia ser apaixonada por mim a bastante tempo. Ainda assim, minha consciência não impediu que eu me sentisse um m***a. Depois daquela conversa, eu não tive condições de fazer mais nada. Eu estava angustiado e ele bêbado. Pedi a Tomás para deixá-lo em casa. No dia seguinte ele daria um jeito de chegar no trabalho.
Eu não queria que minha relação com Juliana afetasse minha relação com Jonas, mas não teve jeito. Mesmo ele dizendo que éramos amigos e que ele iria superar tudo isso, sabíamos que a confiança tinha sido afetada.
Cheguei no escritório abatido, precisando digerir aquilo tudo. Eu não queria conversar, mas necessitava diminuir a tensão, e no momento não havia nada mais relaxante do que me perder em Juliana.
Entrei na sala sendo seguido por Dona Marlene.
― Dona Marlene, peça a Juliana que venha imediatamente à minha sala.
― Sr. Luciano, parece que a Sta. Juliana não trabalha mais conosco.
― Como assim, Dona Marlene? ― olho para ela perplexo.
― Ela pediu demissão, Sr.
― Quando foi isso? ― perguntei ainda confuso com a notícia. Peguei o celular e liguei para Juliana. Caiu na caixa postal. Ela estava fugindo de mim.
― Chame a filha do Enzo. Elas almoçaram juntas. ― ela sai e eu vou para minha mesa, ainda mais estressado, mandar mensagens para Juliana. Ela não podia sair assim, eu tinha modificado todo o sistema de estágio por causa dela.
Lembrei que ela havia dito que não vinha trabalhar pela manhã, porque tinha alguma coisa para resolver e iria me contar durante o almoço. Não dei importância porque achei que fosse encontrar a irmã e falar da gente ou qualquer coisa similar.
― Com sua licença, Sr. Luciano. ― Renata entrou na sala sem ser anunciada. Diferente de Dona Marlene, ela não esboçava receio, apesar de ter me tratado com formalidade. Dispensei Dona Marlene, que estava logo atrás dela e pedi que sentasse. Fiquei analisando a forma natural com que ela se portou. Ela sabia o que estava acontecendo e iria me contar.
― Então, Renata. Dona Marlene me informou que Juliana pediu demissão. O que você tem a me dizer sobre isso? ― encaro ela sério.
― De fato, Sr. Luciano. Nós recebemos um e-mail com o pedido de demissão e encaminhamos para a contabilidade providenciar a rescisão. ― estreitei os olhos irritado, porque ela estava sendo evasiva.
― É só isso que você tem para dizer, Renata? ― ressalto o nome dela, mas ela não deixou abalar.
― No que tange ao trabalho, sim. ― ela debochou.
― Sem gracinhas, menina. Eu sei que vocês almoçaram juntas. Onde ela está? ― ela respira fundo e parece indecisa sobre me fornecer a resposta que estou pedindo.
― Luciano, eu não tenho autorização para contar. Ela …
― Não tem, mas vai contar tudo. Onde ela está, Renata? ― aumento o tom da voz e finalmente ela parece compreender que não estou de brincadeira.
― Fica calmo, Luciano. A noite vocês conversam e ela vai te explicar tudo.
― Se você não pode ajudar, então saia. ― Que diabos Juliana estava aprontando? Ela não levantou e passou a falar rápido e nervosa.
― Eu sabia que ia dar nisso. Não era para vocês ficarem juntos. Se ela não tivesse ido para Angra, você nem estaria se importando com a saída dela. Ela passou seis meses trabalhando para você e você nunca deu uma brecha, mas agora que ela finalmente decidiu fazer o que era melhor para si, você resolve se meter. Ela devia ter contado. Eu disse a ela... ― perdi a paciência e sai da sala, decidido a ir atrás de Juliana. Se ela não estava no trabalho, só podia estar em casa.
Liguei para Tomás avisando que estava descendo. Ele me levou até o prédio de Juliana. Agora eu iria tirar essa história a limpo.
Quando entrei, avistei o rapaz que estava na portaria quando chegamos de viagem. Ele pareceu me reconhecer, quando me aproximei.
― Boa tarde!
― Boa tarde! ― forcei um sorriso e perguntei: ― Tem alguém lá?
― Sim, senhor. O senhor quer que eu avise?
― Não precisa. Obrigado!
Fui até o andar de Juliana e parei em frente a porta dela. O apartamento estava silencioso, mas ela não poderia mais se esconder.
Bati na porta e ouvi um barulho. Ela estava em casa. Ligou o som. O porteiro deve ter avisado que eu estava subindo. Ouvi seus passos se aproximando e quando a porta abriu, eu fiquei completamente sem reação.
O filho da p**a do cabeludo abriu a porta enrolado em uma toalha. Estava nu, com os cabelos molhados e, quando me viu, estampou um sorriso na face. Olhei o número do apartamento na porta para ter certeza que eu não tinha batido na porta errada. Mas estava certo. Aquele era o apartamento de Juliana. Que v***a escrota!
― Boa tarde! ― ele disse irônico.
― Quero falar com Juliana. ― respondi seco.
― Sinto muito, queridão! No momento ela está impossibilitada de atender qualquer um. ― Filho da p**a escroto. Ele exibia um sorriso vitorioso na face, que atestava que eles estavam juntos. Encarei ele sério. Tive vontade de socá-lo, mas eu não ia sujar minhas mãos por causa de uma vaca ardilosa. Senti que estava cortando meu lábio sem perceber que o mordia. Estreitei os olhos e disse firme:
― Diga a ela que Luciano esteve aqui. ― a filha da p**a tinha que saber que eu não iria deixar isso barato. Virei as costas e saí de cabeça erguida. Ela não teve coragem de me encarar, mas eu vou assistir ela lamber o chão que eu piso.
Liguei para Matheus assim que desci do elevador. Sai do prédio tão puto, que nem vi se o porteiro estava lá.
― Tá onde? ― perguntei quando ele atendeu.
― Na produtora. O que houve?
― Preciso beber. Te encontro no Juan.
― No Juan? Tem certeza?
― Você tem vinte minutos.
Avisei ao Tomás o destino e em menos de vinte minutos eu estava sentado em uma mesa de canto, pedindo uma garrafa de whisky e dois copos.
― Foi o Jonas, não foi? ― Matheus falou rindo assim que me viu. Neguei com a cabeça, enquanto ele sentava.
― Foi ela. Aquela p*****a ordinária me enganou direitinho. ― ele me olhou preocupado, enquanto eu colocava whisky no copo dele.
― O que a Suzan fez dessa vez, irmão? ― encarei ele sério.
― Juliana. FOI A FILHA DA p**a ESCROTA DA JULIANA. Suzan é um anjo perto dela.
― Juliana? ― ele arregalou os olhos e perguntou o que houve e contei. Contei tudo.
Ela tinha tudo arquitetado. Fingiu ser boa moça; se fez de ofendida com a proposta de receber uma quantia em dinheiro para me acompanhar; fez a linha dura com o Jonas para não parecer uma caçadora de executivo; flertou com Matheus, mas quando percebeu que investir no o****o aqui era mais seguro, ela dispensou ele. Se fez de difícil para me seduzir. Eu estava fazendo planos com aquela filha da p**a! Ela tinha tudo organizado, só não conseguia conter o parceiro.
Eles estavam juntos desde o princípio. Eu desconfiei quando vi as fotos dela na boate com o cabeludo. Flagrei os dois em frente ao café, mas preferi acreditar nas palavras dela. Eu sou muito o****o mesmo! Ele não devia estar feliz de saber que eu iria comê-la, por isso ligava todo tempo. Agora fazia sentido aquele riso no telefone na hora de ir embora. Ela tinha fisgado um peixe grande.
A Suzan tinha razão, ela era boa atriz. Muito boa mesmo! Só não contava que eu fosse aparecer no meio da tarde na casa dela. Ela deveria ter tanta certeza que tinha me conquistado que não foi precavida. Também deve ter sido descuidada com o ex. O tal do Pedro. Que malandra! Ela ia me pagar caro, muito caro.
Mesmo com todo meu relato, Matheus parecia não acreditar. Mas isso foi porque ele não viu o que eu vi. Tentou me dissuadir da ideia de me vingar dela, mas eu não podia deixar barato.
― Quem é vivo sempre aparece! ― uma ruiva sexy surgia no meu campo de visão, interrompendo nossa conversa.