🥀Capítulo 17🥀

1516 Palavras
Cael Sterling. Meu filho retornou saltitando pelo meio da lanchonete, claramente satisfeito com suas próprias ações, e eu, como pai, não poderia estar mais orgulhoso. Já estava se tornando exaustivo sustentar todo aquele teatro de homem apaixonado, cada gesto calculado, cada olhar ensaiado. Ele estava tomando o tempo dela, monopolizando sua atenção e impedindo que ela olhasse para o que realmente importava: meu filho. E, no fim das contas, eu não cometi crime algum. Apenas disse a Theo que ele podia proteger a Nana dele, que aquele homem malvado claramente a estava deixando triste. E o meu pequeno herói, como sempre, cumpriu seu papel com uma dedicação quase comovente. É claro que, logo depois, eu tive que enfrentar o furacão de cabelos negros e olhos verdes que emergiu do fundo da lanchonete como se estivesse pronta para me jogar aos cães. Theo ganhou um sorvete de chocolate que o deixou elétrico pelo resto da tarde. Eu ganhei uma bela bronca... e alguns xingamentos bem direcionados. Consequências, nada além disso. Agora são exatamente 20h30. E cá estou eu outra vez, dentro de um dos meus carros, parado no estacionamento, esperando que ela saia para que eu possa lhe oferecer uma carona - e, de quebra, entregar os papéis para que ela assine e comece a cuidar de Theo já na próxima semana. A porta dos fundos se abre, e ela surge com a mochila nas costas, caminhando de cabeça baixa enquanto digita algo no celular com uma urgência quase frenética. Espero até que ela se afaste o suficiente e então dou a partida no carro. Sigo ao lado dela com as janelas abertas - uma tentativa quase irônica de evitar novos acidentes. Pelo menos é o que eu digo a mim mesmo. Ela continua andando sem levantar o olhar, completamente alheia a qualquer movimento ao redor. Sinceramente, eu não sei como alguém consegue ser tão distraída. É o retrato perfeito de quem vive no mundo da lua. Em circunstâncias normais, eu jamais consideraria contratar alguém assim. Mas meu filho gosta dela - mais do que isso, ele se animou com a ideia de tê-la como sua nova babá. E, bem... eu seria um péssimo pai se não desse a ele o que quer. Acelero um pouco, alinhando o carro ao lado dela quando ela para no semáforo. Buzino uma única vez - e isso basta para arrancá-la do transe e, finalmente, fazê-la notar a minha presença. - Entra. - digo, me inclinando apenas o suficiente para que ela consiga ver meu rosto através da janela aberta, como quem oferece uma solução simples para um problema óbvio. Ela para por um segundo, os olhos passando pelo carro com cautela, como se estivesse calculando riscos invisíveis. Consigo praticamente ouvir as engrenagens na cabeça dela girando, pesando cada possibilidade, cada cenário absurdo que sua mente claramente adora criar. - Eu não... vai que você quer me s********r para vender meus órgãos. - ela dispara, usando aquele maldito tom carregado de sarcasmo, como se estivesse mais entediada do que realmente preocupada. Solto um leve suspiro pelo nariz, inclinando a cabeça de lado enquanto a observo. - Não devem valer muito, considerando a forma como você se alimenta. - rebato no mesmo tom, quase automático, satisfeito ao vê-la estreitar os olhos na minha direção. - Entra logo, não tenho a noite toda. - Eu também não. - ela retruca sem hesitar, apontando com o queixo na direção da rua. - Por isso estou indo para o ponto de ônibus. Não posso perder o próximo e- Ergo a mão, interrompendo-a antes que ela transforme aquilo em um discurso inteiro. - Quer mesmo arriscar tomar um banho de chuva a aceitar uma carona comigo? - pergunto, deixando uma leve diversão escapar na minha voz. Inclino-me um pouco mais para fora da janela, olhando rapidamente para o céu carregado. - Vamos lá, garota... eu não sou tão repugnante assim. Ela solta um riso curto, sem humor algum. - Claro que não. Só é um i****a claramente entediado que decidiu, por puro fetiche, me perseguir nas últimas semanas. - as palavras vêm afiadas, carregadas de um sarcasmo quase admirável. Reviro os olhos, passando a língua lentamente pelo interior da bochecha, já sentindo a paciência começar a se esgotar. - Vou te dar duas opções, porque eu claramente não tenho a noite toda. - digo, desligando o carro com um movimento seco. Tiro o cinto, destravo as portas e empurro a minha para fora, já me preparando para sair. - Ou você entra por bem... - continuo, dando a volta na frente do carro, cada passo calculado. - Ou eu te jogo nos ombros e te coloco aqui dentro. Você quem decide. Termino a frase já do lado de fora, apoiando o braço na porta do passageiro enquanto a encaro com calma, como alguém que não está minimamente preocupado com qualquer consequência que aquela escolha possa trazer. Ela dá alguns passos para trás, criando distância, como se isso fosse realmente impedi-la de alguma coisa. - Isso se chama sequestro. - ela murmura, estreitando os olhos. - Você não pode me obrigar a entrar aí. Inclino a cabeça, deixando um sorriso quase imperceptível surgir nos meus lábios. - Tem certeza disso? - pergunto, a voz baixa, perigosa na medida certa. Dou um passo à frente, encurtando o espaço que ela tentou criar. - Quer mesmo testar a própria sorte... ou prefere fazer a escolha mais sensata, pelo seu próprio bem? Ela abre a boca, claramente pronta para me atacar com mais alguma resposta atravessada. - Você... seu filho de uma- - Olha a boca. - minha voz desce dois tons, firme, cortando a dela antes que termine a frase. - Se meu filho aprender esse tipo de vocabulário por sua causa, eu juro que te mando para o fim do mundo com passagem só de ida. Por um segundo, penso que isso vai fazê-la recuar. Erro meu. - Isso significa que você vai me deixar em paz? - ela pergunta, arqueando uma sobrancelha, um sorriso desafiador brincando nos lábios. - Porque, se for o caso, faço questão de ensinar a ele todos os palavrões que eu conheço. Ela sorri. E é aquele maldito sorriso. Desafiante, provocador, o tipo de expressão que faz qualquer pessoa minimamente sensata dar meia-volta... e que, por algum motivo inexplicável, só me faz querer avançar mais um passo. Solto um riso curto, sem humor. - Entra no carro, garota. Não tenho a noite toda. - repito, agora com firmeza, sentindo a paciência escorrer lentamente por entre os dedos. - Temos papéis para assinar, e você precisa aprender a rotina do Theo. - Eu nem disse que seria babá do seu filho. - ela rebate no mesmo tom, cruzando os braços como se estivesse erguendo uma barreira invisível entre nós. - Com todo respeito, ele é um amor de menino... mas eu claramente não cometi tantos pecados a ponto de ter que lidar com você todos os dias. Ela faz uma pausa dramática, como se saboreasse a própria provocação. - Agora, se me der licença, preciso pegar o ônibus... e chegar na casa do meu noivo. Noivo. A palavra ecoa com um gosto amargo que eu ignoro imediatamente. - O i****a que não é homem suficiente para te buscar no hospital de madrugada? - retruco, revirando os olhos com desdém. - Inspirador. Dou um meio sorriso, abrindo a porta do passageiro com um gesto seco. - Entra no carro. Eu te deixo lá. Ela nem se move. - Qual parte de "eu não quero carona" você não entendeu? - pergunta, cruzando ainda mais os braços, agora com uma expressão clara de tédio. Respiro fundo, passando a mão pelos cabelos antes de voltar a encará-la com calma, como se tivesse todo o tempo do mundo - mesmo não tendo. - E qual parte você não entendeu, garota... - começo, a voz controlada demais para alguém que claramente já perdeu a paciência há alguns minutos - que eu tenho a noite inteira para esperar pela sua decisão? Dou mais um passo à frente, diminuindo ainda mais a distância entre nós. - Então... - murmuro, inclinando levemente o rosto na direção dela - vai entrar... ou pretende criar raízes nessa calçada? Ela revira os olhos, como se estivesse assinando um acordo contra a própria vontade, e finalmente se dirige até a porta do passageiro. Abro a porta enquanto ela entra pressa, antes dela mesma puxar para fecha com um movimento seco, ainda sustentando aquela maldita expressão de tédio irritante. Solto um suspiro baixo, contorno o carro e retorno ao meu lugar, acomodando-me no banco do motorista. Coloco o cinto, giro a chave na ignição e dou partida, deixando o motor preencher o silêncio incômodo que se instala entre nós. Eu deveria estar em casa. Com meu filho. Colocando-o para dormir depois de um dia que já foi cansativo o suficiente por si só. Mas, em vez disso, estou aqui, na rua, servindo de motorista particular enquanto tento, contra toda lógica, convencer uma completa maluca a aceitar se tornar a nova babá dele. A que ponto você chegou, Cael.
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