🥀 Capítulo 15🥀

1911 Palavras
Cael Sterling. O furacão de cabelos loiros - dourados como o próprio sol - invade meu escritório sem pedir licença. A porta m*l tem tempo de terminar de bater contra a parede antes que o som agudo de seus saltos agulha comece a rasgar o silêncio que, até poucos segundos atrás, era exclusivamente meu. Cada passo ecoa pelo piso de madeira como pequenos disparos, rápidos, irritados, determinados a anunciar que a calmaria da manhã acabou. Levanto os olhos devagar. Hailey. Os olhos dela estão cravados em mim com uma intensidade que não exige muito esforço para ser interpretada. Raiva. Talvez algo mais profundo que isso. Ódio, quem sabe. Vindo dela, no entanto, não chega a ser a coisa mais surpreendente do mundo. Dou um trago lento em meu charuto, sentindo a fumaça preencher meus pulmões antes de escapar preguiçosamente pelo ar. Enquanto isso, me endireito na cadeira, apoiando as costas no encosto de couro e observando aquele pequeno espetáculo particular com uma curiosidade quase entediada. Minhas sobrancelhas se erguem levemente, como se eu estivesse assistindo a algo vagamente interessante. - Querida... a que devo a honra dessa ilustre visita? Pergunto com a mesma calma de quem comenta sobre o clima. E, curiosamente, essa tranquilidade parece fazer o sangue dela ferver ainda mais. - Achei que estivesse em Milão pelos próximos dias e- Não tenho tempo de terminar a frase. Em um piscar de olhos ela está do outro lado da sala. No seguinte, está diante de mim. E então vem o impacto. A palma da mão dela encontra meu rosto com um estalo seco que corta o ar do escritório. Minha cabeça vira levemente para o lado com a força do t**a, e por um segundo inteiro o mundo parece reduzir-se ao som abrupto do golpe. Meu charuto voa de meus lábios como um projétil derrotado, descrevendo um pequeno arco antes de cair em algum ponto esquecido do chão. O cheiro da fumaça ainda paira no ar. Hailey recua dois passos calculados, como se estivesse encerrando um movimento perfeitamente coreografado. Cruza os braços diante do peito com a expressão firme de quem acredita, sem a menor sombra de dúvida, que está absolutamente certa. Levo a mão ao rosto lentamente. A pele arde sob meus dedos, quente o suficiente para que eu saiba que provavelmente já está vermelha. Respiro fundo, uma única vez, deixando o ar entrar e sair de meus pulmões com o máximo de controle possível. Porque, neste exato momento, o impulso mais primitivo dentro de mim está implorando para reagir. Para agarrá-la pelo pescoço. Para fazê-la entender com absoluta clareza com quem diabos ela está lidando. Mas eu não faço nada disso. Minha mandíbula se contrai por um instante antes que eu a relaxe outra vez. Meus pais criaram um homem. Não um covarde. Muito menos um desgraçado que levanta a mão contra uma mulher - mesmo quando ela claramente acabou de merecer uma resposta à altura. Ainda assim, isso não impede meu sangue de ferver. - Você tem exatamente um minuto para me explicar o motivo desse circo. Minha voz sai baixa. Controlada. Fria demais para alguém que acabou de levar um t**a na própria sala. - Caso contrário... - continuo, inclinando levemente a cabeça para observá-la melhor - pode ter absoluta certeza de que eu usarei todos os recursos que estiverem ao meu dispor para destruir sua imagem. Nacional e internacionalmente. Cada palavra desliza pelo ar como uma lâmina afiada. O silêncio que se segue pesa entre nós. Então apoio os cotovelos na mesa, entrelaçando os dedos diante do rosto enquanto a encaro com uma paciência perigosamente fina. - Então vamos tentar outra vez, querida. - digo, quase educado. - O que exatamente a traz à minha sala nesta manhã... entrando como um maldito furacão que acabou de tocar o solo? Ela solta uma risada curta, amarga. - Você é um completo desgraçado, Cael. Um i****a arrogante que acha que é melhor do que todo mundo por causa dessa m***a de empresa. As palavras saem como tiros. E, enquanto o eco delas ainda percorre o escritório, minha mente já está em outro lugar.Tentando descobrir qual inferno de data comemorativa eu esqueci desta vez.Porque, sejamos honestos, datas nunca foram exatamente o meu forte. Calendários, aniversários, horários, jantares importantes, pequenas celebrações que aparentemente significam o fim do mundo quando esquecidas... tudo isso é território que eu prefiro deixar nas mãos de outras pessoas. É para isso que existem funcionários. Secretárias. Agendas. Assistentes pagos especificamente para garantir que eu não precise gastar meu tempo com coisas que, francamente, considero irrelevantes. Se minha secretária - que recebe um salário considerável justamente para evitar esse tipo de desastre - não me lembrou de algo importante... Então, muito provavelmente, não era importante o suficiente. É uma matemática bastante simples. Se não está marcado como urgente, pode esperar.Se pode esperar, não é prioridade.E se não é prioridade... então não merece espaço na minha cabeça. Principalmente quando eu já tenho problemas suficientes para ocupar cada segundo do meu dia. Problemas reais. Problemas milionários. Problemas capazes de derrubar empresas inteiras. Por isso, sinceramente, descobrir - e resolver - o motivo pelo qual minha "namorada" decidiu surtar às oito da manhã de uma segunda-feira não está exatamente no topo da minha lista de interesses. - CAEL STERLING. A voz dela ecoa outra vez pelo escritório, afiada o suficiente para cortar qualquer pensamento que ainda vagueie pela minha cabeça. Sou puxado de volta dos meus próprios devaneios como alguém arrastado pela gola, forçado a encará-la novamente. - Você está fazendo isso de novo, seu filho da puta... - continua, a frustração vibrando em cada sílaba. - Toda vez é assim. Eu m*l começo a falar e você simplesmente se desliga. Sua mente vai para qualquer lugar do planeta, menos para essa conversa. Eu estou cansada disso. Há algo diferente no tom dela agora. Não é apenas raiva. É cansaço. Um tipo de frustração mais pesada, daquelas que não nascem em um único momento, mas que se acumulam lentamente ao longo de meses... talvez anos. Solto o ar devagar, respirando fundo antes de responder. - Meu amor... - começo, apoiando as costas novamente na cadeira. - preciso que você entenda que eu ainda não desenvolvi habilidades psíquicas para ler mentes. Minha voz sai firme, controlada... e inevitavelmente carregada com aquela pitada de ironia que eu sei - com absoluta certeza - que a deixa ainda mais furiosa. - É justamente por isso que estou perguntando. - continuo, abrindo levemente as mãos em um gesto de paciência estudada. - O que diabos eu fiz dessa vez para desencadear esse desastre? Os olhos dela se estreitam. - Eu sabia. - diz, quase em um sussurro descrente. - Sabia que não deveria ter esperado o mínimo de você, Cael. Há decepção na voz dela agora. Uma decepção crua, sem maquiagem. - Era o lançamento da minha marca de joias, Cael. - continua, cada palavra saindo mais pesada que a anterior. - O desfile oficial. A estreia. Toda a imprensa estava lá. Investidores, estilistas, compradores... todo mundo que precisava estar presente estava lá. Ela dá uma pequena pausa. E então completa: - Todos... menos o meu namorado. O silêncio que se instala na sala dura apenas um segundo. Mas é o suficiente. Porque então a ficha cai. - p**a m***a. As palavras escapam de mim antes mesmo que eu consiga filtrá-las. - Merda... Hailey, me perdoa. - digo, passando a mão pelo rosto enquanto finalmente me levanto da cadeira. - Eu realmente não me dei conta de que era esse fim de semana. Ela solta uma pequena risada sem humor. - Você nunca se dá conta, Cael. Esse é exatamente o problema. A raiva ainda está lá, mas agora vem misturada com algo mais quieto. Mais frio. - Tudo sempre gira em torno de você. Da sua vida. Das suas decisões. Do seu mundo. - ela continua, cruzando os braços com mais força contra o próprio corpo. - E eu estou farta disso. Completamente farta de ter que me diminuir para tentar caber nesse espaço. As palavras ficam suspensas no ar por um instante. - Mesmo que fosse apenas um relacionamento de fachada... - ela acrescenta, e por um segundo seus olhos parecem mais cansados do que irritados - eu realmente achei que, em algum momento, poderíamos ao menos ter respeito um pelo outro. Ela balança a cabeça lentamente. - Mas pelo visto eu estava completamente enganada. - Ei, espera... - digo rápido, contornando a mesa ao tentar me aproximar dela. - Hailey, eu não... juro que não foi por m*l. Esse fim de semana foi um caos completo e- - Acabou, Cael. A frase sai seca. Definitiva. Ela me interrompe com uma calma que, estranhamente, parece ainda mais perigosa do que o t**a de minutos atrás. - As parcerias entre nossas famílias serão mantidas. - continua, com a mesma objetividade de quem está encerrando uma reunião de negócios. - Elas ainda são extremamente benéficas para ambos os lados. Então seus olhos voltam a encontrar os meus. - Mas essa farsa de relacionamento termina agora. Ela faz uma pequena pausa antes de concluir: - Passar bem. E então ela se vira. Assim como entrou, Hailey atravessa a sala como um verdadeiro furacão - cabelos dourados balançando atrás dela, saltos agulha ecoando pelo piso enquanto a porta se abre e se fecha novamente com força. O silêncio que sobra depois disso parece ainda maior. Fico parado por alguns segundos, olhando para o nada. Então solto o ar devagar e me deixo cair de volta na cadeira. Minhas mãos passam pelo rosto e depois pelos cabelos enquanto fecho os olhos por um instante. Merda. Isso... definitivamente era algo importante. Algo que deveria ter sido marcado, sublinhado, destacado em vermelho na minha agenda. Algo que minha secretária deveria ter me lembrado pelo menos umas dez vezes ao longo da semana. Porque, mesmo que tudo entre mim e Hailey não passe de uma maldita encenação cuidadosamente construída para agradar nossas famílias e alimentar manchetes sociais... eu ainda tenho um profundo respeito por ela. Pela mulher que ela é. Pelo que construiu sozinha. Mesmo que nunca tenha existido sentimento entre nós. Mas ainda assim... como diabos eu explicaria para ela o verdadeiro motivo de ter perdido o evento mais importante da carreira dela? Como explicar que, enquanto ela brilhava diante de câmeras, investidores e fotógrafos... Eu estava sentado dentro de um dos meus carros, estacionado no lugar mais discreto possível de um bairro de classe média qualquer. Observando a fachada de um prédio antigo. O prédio onde mora a futura babá do meu filho. Ou melhor... A mulher que ainda não faz a menor ideia de que vai ser. Passei boa parte do fim de semana ali, esperando apenas ter certeza de uma coisa simples: se o acidente de sexta-feira à noite não a tinha deixado incapacitada de começar a trabalhar no próximo fim de semana. Ela não sabe disso, claro. Ainda não. Solto outro suspiro e volto a me inclinar sobre a papelada espalhada na mesa, embora meus olhos m*l estejam realmente lendo qualquer coisa. Eu preciso de um álibi melhor. Muito melhor. Mas até lá... vou apenas deixar Hailey esfriar a cabeça antes de mandar flores, talvez algum presente caro que eu saiba que ela goste. Relações públicas funcionam assim. Às vezes estão sólidas. Às vezes balançam. Oscilam como ações no mercado. E, no final das contas, eu sigo em frente como se nada tivesse acontecido.
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