O ARQUITETO DA RUÍNA PONTO DE VISTA: DANIEL BITTENCOURT A mansão nos Jardins se erguia diante de mim como um mausoléu de mármore e vidro, uma estrutura fria que refletia exatamente o estado da minha alma. O motorista parou a Mercedes com a precisão de um relógio suíço, o som dos pneus no cascalho fino sendo a única interrupção na noite silenciosa. Eu não desci de imediato. Fiquei ali, mergulhado no silêncio sepulcral do banco traseiro, observando as luzes de segurança perimetral refletirem na lataria n***a, polida como um caixão de luxo. O mundo lá fora, além daqueles portões de aço, era um caos de gente medíocre, seres humanos previsíveis tentando sobreviver a mais um dia de insignificância. E eu? Eu estava aqui, no topo da cadeia alimentar, arquitetando milimetricamente como comprar a

