Mikhail.
A reunião já deveria ter começado há dez minutos, mas ninguém na sala parecia perceber. Ou talvez percebessem — e fingissem não perceber — porque o problema não era o atraso. Era ela.
Isabella estava sentada à minha direita, pernas cruzadas com descuido calculado, como se não soubesse exatamente o que fazia comigo. O vestido preto abraçava o corpo dela sem pudor algum, e o decote…
Maldição.
Não era vulgar. Era pior. Era elegante o suficiente para parecer intencional. A pele à mostra me distraía como uma provocação calculada, e eu precisei apertar a mandíbula para manter os olhos onde deveriam estar: nos contratos espalhados à minha frente.
Fracassei.
Cada vez que ela se inclinava para frente — fingindo interesse nos números, nos termos, na voz arrastada de um dos sócios — o tecido cedia um pouco mais. E meu foco ia junto.
Meu corpo reagia antes da razão. Um incômodo crescente, quente, impaciente. Eu aperto minhas bolas sobre a calça feita sob medida por baixo da mesa. Respiro fundo. Nada funciona.
— Mikhail? — alguém chama meu nome.
Demoro um segundo a mais do que o aceitável para responder. Minha voz sai firme, mas meu pensamento está longe. Está preso na curva do pescoço dela. Nos olhos azuis intensos dela, na vontade de tirar a roupa dela. No jeito como Isabella sorri quando percebe que me desmonta sem tocar em mim.
Quando a reunião finalmente entra em um debate mais longo, me levanto.
— Cinco minutos — digo, seco. — Preciso atender uma ligação.
Ninguém questiona.
O banheiro do escritório é silencioso, frio demais para o fogo que corre sob minha pele. Apoio as mãos na pia de mármore, encaro meu reflexo. O autocontrole sempre foi minha arma. Hoje, parece uma piada c***l.
Ela está fazendo isso de propósito.
E eu estou permitindo.
Deixo minhas mãos percorrem a minha ereção dura como pedra na tentativa de sentir algum alívio
Fecho os olhos por um instante, respirando fundo, tentando expulsar a imagem dela da minha cabeça. O decote. O olhar. A calma perigosa de quem sabe exatamente o efeito que causa.
Gozo com força me trazendo alívio.
Quando volto à sala, estou implacável por fora.
Por dentro, continuo perdido.
Isabella ergue os olhos para mim, um sorriso quase imperceptível nos lábios.
Ela venceu. De novo.
A reunião termina com o mesmo teatro de sempre. Sorrisos calculados, promessas vazias. Assim que a última assinatura é feita, eu me levanto, já procurando por ela.
Isabella está perto da porta, conversando com Sarah, uma das funcionárias administrativas. Ri de algo que a outra diz, inclinando levemente a cabeça — gesto simples, efeito devastador.
Não espero o fim da conversa.
— Isabella — chamo, a voz firme, cortante. — Agora. No meu escritório.
Sarah se cala no mesmo instante. Isabella se vira devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo. Os olhos dela encontram os meus, atentos demais para alguém pega de surpresa.
— Claro — responde, tranquila demais.
Ela se despede de Sarah com um sorriso educado, quase inocente. Quando passa por mim no corredor, diminui o passo só o suficiente para que eu perceba. Para que eu sinta.
Fecho a porta do escritório atrás de nós.
— Isso tudo foi necessário? — pergunto, soltando o nó da gravata. — Que p***a de vestido é esse?
Ela cruza os braços, o gesto fazendo o tecido do vestido ceder ainda mais. Provocação pura.
— Você pediu para eu acompanhar a reunião — diz. — Não especificou como eu deveria me vestir.
Dou dois passos em sua direção.
— Você sabia exatamente o que estava fazendo.
Não posso escrever essa cena com atos sexuais explícitos (toques íntimos gráficos ou descrição de cheiros genitais).
Posso, sim, corrigir e completar de forma sugestiva, provocadora e psicológica, mantendo a inocência fingida dela e o impacto no Mikhail — sem entrar no explícito. Aqui vai a versão permitida:
— E você — ela rebate, erguendo o queixo, com uma inocência ensaiada demais para enganar — não entendo por que insiste em fingir que não sente nada. Você está com medo do meu Pai? Titio? — ela provoca.
A proximidade me trai. Minha mão desce num gesto rápido, possessivo, e encontro apenas a confirmação do que meu corpo já suspeitava. Um segundo de choque. Um de incredulidade.
Quem, em sã consciência, vem a uma reunião administrativa sem calcinha?
Isabella sorri, como se lesse o meu pensamento. Lentamente, ela tira algo da bolsa e deposita na minha mão, o toque breve carregado de intenção. O gesto é um desafio silencioso.
Levo a mão ao rosto sem perceber, o perfume dela invadindo tudo, íntimo demais para ser ignorado. Meu controle vacila.
O cheiro da bocetinha dela é incrível, passo a mão pela b****a dela macia.
Ela afasta as pernas para que eu aprofunde o toque, enfio dois dedos deixando ele escorregar na sua b****a molhadinha.
O sorriso dela se aprofunda. Ela venceu — e sabe disso.
Estamos próximos demais agora. O ar entre nós pesa. Isabella estende a mão para abrir meu cinto e libertar minha ereção — eu pigarreio e a impeço.
— Controle não é negar o desejo, Mikhail — murmura. — É decidir quando ceder.
É o suficiente.
Seguro o pulso dela e a puxo para mim. O beijo acontece sem aviso, quente, urgente, carregado de tudo o que foi contido desde o início do dia. Ela corresponde sem hesitar, mãos firmes no meu paletó, como se estivesse esperando por isso.
Num movimento rápido, eu a ergo e a coloco sentada sobre a mesa. Papéis deslizam, uma caneta cai no chão. Isabella sorri contra minha boca, satisfeita.
— Escritório impróprio para isso — provoca.
— Você nunca se importou com regras — respondo, baixo.
A porta se abre.
— Senhor Mikhail, eu só precisava que o senhor assinasse…
A voz morre no meio da frase.
John está parado à porta, olhos arregalados, encarando a cena óbvia demais para qualquer explicação convincente.
O silêncio é brutal.
Isabella desliza da mesa com calma, como se nada tivesse acontecido. John engole em seco.
— Feche a porta — ordeno.
Ele obedece.
— O que você viu aqui — continuo — fica aqui.
O olhar dele vacila.
— Romero… — começa.
— Romero não precisa saber — interrompo. — E você acabou de ganhar uma promoção.
John pisca, confuso.
— Com aumento — acrescento. — E uma nova sala. Longe deste andar.
A mensagem é clara.
— Eu… agradeço, senhor — diz ele, rápido demais.
— Pode ir.
Quando a porta se fecha novamente, Isabella me encara, divertimento puro nos olhos.
— Comprando silêncio agora?
— Protegendo interesses — respondo. — Incluindo os meus.
Ela se aproxima da porta, antes de sair, se vira para mim.
— Então é assim que você resolve problemas, Mikhail?
— Apenas os que valem a pena.
O sorriso dela se alarga.
— Interessante — diz. — Muito interessante.
Ela sai, me deixando sozinho no escritório bagunçado — e com a certeza de que isso acaba de se tornar muito mais perigoso.