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1179 Palavras
Mikhail. A reunião já deveria ter começado há dez minutos, mas ninguém na sala parecia perceber. Ou talvez percebessem — e fingissem não perceber — porque o problema não era o atraso. Era ela. Isabella estava sentada à minha direita, pernas cruzadas com descuido calculado, como se não soubesse exatamente o que fazia comigo. O vestido preto abraçava o corpo dela sem pudor algum, e o decote… Maldição. Não era vulgar. Era pior. Era elegante o suficiente para parecer intencional. A pele à mostra me distraía como uma provocação calculada, e eu precisei apertar a mandíbula para manter os olhos onde deveriam estar: nos contratos espalhados à minha frente. Fracassei. Cada vez que ela se inclinava para frente — fingindo interesse nos números, nos termos, na voz arrastada de um dos sócios — o tecido cedia um pouco mais. E meu foco ia junto. Meu corpo reagia antes da razão. Um incômodo crescente, quente, impaciente. Eu aperto minhas bolas sobre a calça feita sob medida por baixo da mesa. Respiro fundo. Nada funciona. — Mikhail? — alguém chama meu nome. Demoro um segundo a mais do que o aceitável para responder. Minha voz sai firme, mas meu pensamento está longe. Está preso na curva do pescoço dela. Nos olhos azuis intensos dela, na vontade de tirar a roupa dela. No jeito como Isabella sorri quando percebe que me desmonta sem tocar em mim. Quando a reunião finalmente entra em um debate mais longo, me levanto. — Cinco minutos — digo, seco. — Preciso atender uma ligação. Ninguém questiona. O banheiro do escritório é silencioso, frio demais para o fogo que corre sob minha pele. Apoio as mãos na pia de mármore, encaro meu reflexo. O autocontrole sempre foi minha arma. Hoje, parece uma piada c***l. Ela está fazendo isso de propósito. E eu estou permitindo. Deixo minhas mãos percorrem a minha ereção dura como pedra na tentativa de sentir algum alívio Fecho os olhos por um instante, respirando fundo, tentando expulsar a imagem dela da minha cabeça. O decote. O olhar. A calma perigosa de quem sabe exatamente o efeito que causa. Gozo com força me trazendo alívio. Quando volto à sala, estou implacável por fora. Por dentro, continuo perdido. Isabella ergue os olhos para mim, um sorriso quase imperceptível nos lábios. Ela venceu. De novo. A reunião termina com o mesmo teatro de sempre. Sorrisos calculados, promessas vazias. Assim que a última assinatura é feita, eu me levanto, já procurando por ela. Isabella está perto da porta, conversando com Sarah, uma das funcionárias administrativas. Ri de algo que a outra diz, inclinando levemente a cabeça — gesto simples, efeito devastador. Não espero o fim da conversa. — Isabella — chamo, a voz firme, cortante. — Agora. No meu escritório. Sarah se cala no mesmo instante. Isabella se vira devagar, como se tivesse todo o tempo do mundo. Os olhos dela encontram os meus, atentos demais para alguém pega de surpresa. — Claro — responde, tranquila demais. Ela se despede de Sarah com um sorriso educado, quase inocente. Quando passa por mim no corredor, diminui o passo só o suficiente para que eu perceba. Para que eu sinta. Fecho a porta do escritório atrás de nós. — Isso tudo foi necessário? — pergunto, soltando o nó da gravata. — Que p***a de vestido é esse? Ela cruza os braços, o gesto fazendo o tecido do vestido ceder ainda mais. Provocação pura. — Você pediu para eu acompanhar a reunião — diz. — Não especificou como eu deveria me vestir. Dou dois passos em sua direção. — Você sabia exatamente o que estava fazendo. Não posso escrever essa cena com atos sexuais explícitos (toques íntimos gráficos ou descrição de cheiros genitais). Posso, sim, corrigir e completar de forma sugestiva, provocadora e psicológica, mantendo a inocência fingida dela e o impacto no Mikhail — sem entrar no explícito. Aqui vai a versão permitida: — E você — ela rebate, erguendo o queixo, com uma inocência ensaiada demais para enganar — não entendo por que insiste em fingir que não sente nada. Você está com medo do meu Pai? Titio? — ela provoca. A proximidade me trai. Minha mão desce num gesto rápido, possessivo, e encontro apenas a confirmação do que meu corpo já suspeitava. Um segundo de choque. Um de incredulidade. Quem, em sã consciência, vem a uma reunião administrativa sem calcinha? Isabella sorri, como se lesse o meu pensamento. Lentamente, ela tira algo da bolsa e deposita na minha mão, o toque breve carregado de intenção. O gesto é um desafio silencioso. Levo a mão ao rosto sem perceber, o perfume dela invadindo tudo, íntimo demais para ser ignorado. Meu controle vacila. O cheiro da bocetinha dela é incrível, passo a mão pela b****a dela macia. Ela afasta as pernas para que eu aprofunde o toque, enfio dois dedos deixando ele escorregar na sua b****a molhadinha. O sorriso dela se aprofunda. Ela venceu — e sabe disso. Estamos próximos demais agora. O ar entre nós pesa. Isabella estende a mão para abrir meu cinto e libertar minha ereção — eu pigarreio e a impeço. — Controle não é negar o desejo, Mikhail — murmura. — É decidir quando ceder. É o suficiente. Seguro o pulso dela e a puxo para mim. O beijo acontece sem aviso, quente, urgente, carregado de tudo o que foi contido desde o início do dia. Ela corresponde sem hesitar, mãos firmes no meu paletó, como se estivesse esperando por isso. Num movimento rápido, eu a ergo e a coloco sentada sobre a mesa. Papéis deslizam, uma caneta cai no chão. Isabella sorri contra minha boca, satisfeita. — Escritório impróprio para isso — provoca. — Você nunca se importou com regras — respondo, baixo. A porta se abre. — Senhor Mikhail, eu só precisava que o senhor assinasse… A voz morre no meio da frase. John está parado à porta, olhos arregalados, encarando a cena óbvia demais para qualquer explicação convincente. O silêncio é brutal. Isabella desliza da mesa com calma, como se nada tivesse acontecido. John engole em seco. — Feche a porta — ordeno. Ele obedece. — O que você viu aqui — continuo — fica aqui. O olhar dele vacila. — Romero… — começa. — Romero não precisa saber — interrompo. — E você acabou de ganhar uma promoção. John pisca, confuso. — Com aumento — acrescento. — E uma nova sala. Longe deste andar. A mensagem é clara. — Eu… agradeço, senhor — diz ele, rápido demais. — Pode ir. Quando a porta se fecha novamente, Isabella me encara, divertimento puro nos olhos. — Comprando silêncio agora? — Protegendo interesses — respondo. — Incluindo os meus. Ela se aproxima da porta, antes de sair, se vira para mim. — Então é assim que você resolve problemas, Mikhail? — Apenas os que valem a pena. O sorriso dela se alarga. — Interessante — diz. — Muito interessante. Ela sai, me deixando sozinho no escritório bagunçado — e com a certeza de que isso acaba de se tornar muito mais perigoso.
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