CAPÍTULO 42 AUGUSTO NARRANDO Dias depois. Já tinham se passado três dias desde o jantar. Três dias sem mensagem. Sem ligação. Sem acaso planejado. Eu não procurei. Ela também não. Orgulho? Talvez. Ou estratégia. Eu me joguei no trabalho como sempre fiz quando precisava calar a cabeça. Reuniões, contratos, números, decisões. Era mais fácil lidar com planilha do que com sentimento. Eu estava no escritório da empresa, concentrado em um relatório, quando bateram na porta. — Pode entrar. Minha secretária abriu só o suficiente para colocar a cabeça para dentro. — Doutor Augusto, tem uma mulher querendo falar com o senhor. Eu nem levantei os olhos do papel. — Nome? — Helena Medina. A caneta parou na minha mão. Helena Medina. Eu levantei o olhar devagar. Por um segundo, achei que

