CAPÍTULO 16 AUGUSTO NARRANDO A caminhonete parou em frente à casa do centro. Eu fiquei alguns segundos olhando pra fachada iluminada pelos postes da praça. A casa sempre esteve ali. Grande. Imponente. Varanda com colunas antigas, janelas altas, portão de ferro trabalhado. Mas nunca foi minha. Até agora. — Chegamos — Jorge disse, desligando o motor. O silêncio da noite tomou conta da rua. Só o som distante de um bar aberto na esquina e o vento mexendo nas árvores da praça. Eu respirei fundo. — Obrigado por hoje — falei. Ele me olhou com aquele jeito sério que só ele tinha quando queria que eu entendesse algo sem precisar repetir. — Não me agradece. Só faz dar certo. Assenti. Desci da caminhonete com as sacolas na mão. O portão rangeu baixo quando empurrei. O cheiro das plantas

