CAPÍTULO 15 AUGUSTO NARRANDO Depois do almoço, voltamos pra vinícola. O sol da tarde já batia diferente na fachada. Não era mais aquela luz suave da manhã. Era clara, direta. Sem esconder nada. Talvez fosse assim que minha vida estivesse agora também. Entramos pelo corredor lateral, e alguns funcionários me olharam diferente dessa vez. A notícia já tinha corrido. Cidade pequena é assim — antes da poeira baixar, a fofoca já atravessou a praça. Eu não baixei os olhos. Se eu queria assumir aquele lugar, precisava começar ali. — Bora — Jorge falou, batendo leve nas minhas costas. — Agora a parte chata começa. Entramos na sala administrativa novamente. Ele fechou a porta e puxou outra pilha de documentos. — Isso aqui é folha de pagamento. Isso é contrato de exportação. Aqui são as dívi

