CAPÍTULO 23 AUGUSTO NARRANDO A tarde na empresa passou mais rápido do que eu esperava. Jorge praticamente não saiu da minha sala. Me mostrou contratos antigos, planilhas, fornecedores, dívidas escondidas em letras miúdas. Cada documento que eu lia parecia abrir um novo buraco debaixo dos meus pés. — O senhor precisa ser firme — ele repetia. — As pessoas aqui respeitam posição, não sentimento. Respeitam posição. Eu fiquei com aquela frase martelando na cabeça. Passei horas tentando entender números que antes eu nunca precisei olhar. Assinando papéis. Ouvindo explicações. Fazendo perguntas que denunciavam o quanto eu ainda era novo naquele mundo. Quando dei por mim, já era fim de tarde. A luz do sol entrava pela janela da sala, dourada e cansada. Fechei a última pasta. — Pode ir, J

