CAPÍTULO 34 AUGUSTO NARRANDO Eu odeio esse tipo de evento. Muita luz. Muito sorriso falso. Muita gente tentando medir o tamanho do outro pelo relógio no pulso ou pelo sobrenome. Mas política se faz assim. Presença. Desci da caminhonete antes mesmo de Jorge terminar de comentar alguma coisa sobre o prefeito. Ajustei o paletó, sentindo o tecido firme nos ombros. — Está pronto para virar o assunto da cidade? — Jorge murmurou ao meu lado. — Eu já sou o assunto da cidade — respondi, sem humor. Ele riu. Cumprimentei o prefeito, ouvi elogios sobre a compra da antiga fazenda, comentários sobre investimento, desenvolvimento, futuro. As mesmas palavras ditas de formas diferentes. Eu respondia no automático. Educado. Controlado. Seguro. Até que eu a vi. Vestido vermelho. Não foi só a cor

