CAPÍTULO 21 AUGUSTO NARRANDO Na hora do almoço eu saí da empresa direto pra casa. Ainda era estranho chamar aquele lugar de “casa”. A casa do centro era grande demais, silenciosa demais… organizada demais. Nada a ver com a fazenda. Lá sempre tinha barulho de galinha, gente falando alto, trator passando, cheiro de terra. Aqui só tinha o som do motor desligando na garagem e o eco dos meus próprios passos. Assim que entrei, a empregada já apareceu no hall. — Boa tarde, senhor Augusto. O almoço já está servido. Ainda me dava um pequeno desconforto esse “senhor”. Mas eu apenas assenti. — Obrigado. Fui direto lavar as mãos. Olhei meu reflexo no espelho do lavabo. Camisa social, relógio novo, postura diferente. Jorge tinha razão. Eu precisava parecer outro homem. Mas por dentro… eu aind

