CAPÍTULO 20 CECÍLIA NARRANDO Assim que paramos em frente à nossa casa, desliguei o motor e respirei fundo. Era oficial. Papai estava de volta. Desci primeiro e dei a volta na caminhonete. Abri a porta com cuidado. — Calma, pai… segura aqui em mim. Ele apoiou a mão no meu braço e desceu devagar. Luiz ficou do outro lado, atento, mas em silêncio. Pela primeira vez, não fez piada. Não reclamou. A porta da frente se abriu. Minha mãe apareceu na varanda, ainda com o robe claro amarrado na cintura, o cabelo preso às pressas. Ela parecia surpresa… ou talvez despreparada. — Fernando… — a voz dela saiu mais baixa do que eu esperava. Papai ergueu o olhar. — Estou em casa. Foi simples. Mas carregado de significado. Entramos devagar. O cheiro da casa, da madeira, do café que ainda vinha

