CAPÍTULO 7 CECÍLIA NARRANDO O hospital tinha um cheiro forte de remédio e silêncio pesado. Era cedo, mas pra mim parecia que eu já tinha vivido uma vida inteira desde a noite anterior. Eu tava sentada numa cadeira dura, as mãos geladas, o corpo encolhido, olhando pra porta do quarto onde meu pai tava internado. Cada segundo ali dentro parecia esticar mais do que devia. Quando o médico saiu, meu coração quase pulou pela boca. Ele era um senhor de fala calma, dessas que tentam aliviar a dor antes mesmo da notícia. — A gente conseguiu estabilizar seu pai — disse, olhando primeiro pra minha mãe, depois pra mim. — Mas foi por muito pouco. Ele teve um evento cardíaco sério. Engoli seco. — Ele… ele corre risco? — perguntei, com a voz falhando. — Corre, sim — respondeu com honestidade. —

