CAPÍTULO 46 CECÍLIA NARRANDO Eu terminei de passar o batom devagar. Não tremi. Pelo menos não por fora. Olhei meu reflexo uma última vez. Se aquilo era um jogo, eu não entraria despreparada. A batida na porta veio firme. — Cecília — a voz da minha mãe atravessou a madeira com aquela calma ensaiada. — Ele já chegou. Meu coração errou o ritmo. Já chegou. Respirei fundo, e abri a porta. — Seu pai está com ele na sala — ela acrescentou, me analisando da cabeça aos pés. — Está linda. Não era elogio. Era avaliação. Desci as escadas devagar, cada passo ecoando mais alto do que deveria. A casa inteira parecia diferente naquela noite. Mais iluminada. Mais organizada. Mais… estratégica. Quando alcancei o último degrau, eu o vi. Augusto. Augusto Valença estava na sala ao lado do meu pa

