CAPÍTULO 47 CECÍLIA NARRANDO: Eu sustentei o olhar dele por alguns segundos que pareceram longos demais. — Você me daria uma chance… longe de qualquer outra coisa? — ele repetiu, a voz baixa, firme. Meu orgulho gritava para eu recuar. Minha razão dizia para eu ser cautelosa. Mas meu corpo… meu corpo já tinha dado um passo invisível na direção dele. — Uma chance para quê exatamente? — perguntei, tentando recuperar algum controle. — Para descobrir o que começou naquela dança — ele respondeu. — Sem plateia. Sem estratégia. Só nós dois. O silêncio ficou pesado. Vivo. Eu podia ouvir minha própria respiração. — Você é muito seguro de si — murmurei. — Não — ele disse, aproximando-se mais um centímetro. — Eu só não quero fingir que isso não existe. Aquilo. Essa tensão. Esse magnetismo.

