CAPÍTULO 10 AUGUSTO NARRANDO Os dias depois do enterro passaram arrastados. Nada mudou… e ao mesmo tempo tudo tinha mudado. Eu continuei dormindo na minha casa de peão. Chão batido. Telha antiga. A mesma cama simples. O mesmo café feito na chaleira velha do meu avô. A fazenda seguia funcionando como sempre — gado sendo tocado, cerca sendo consertada, sol nascendo e se pondo como se homem nenhum tivesse morrido. E eu voltei pra lida. Porque trabalhar era o único jeito que eu sabia de não pensar. Naquela manhã eu tava no curral, ajeitando uma porteira empenada, quando ouvi passos apressados atrás de mim. — Augusto! Era o capataz. Limpei o suor da testa com o antebraço. — Que foi? Ele parecia desconfortável. — O advogado tá na casa grande. Quer falar com você. Fiquei parado algu

