Capítulo 11 - Dante Morelli

1014 Palavras
Depois do expediente, peguei o carro e segui direto para a mansão da família. Aquela casa não era minha residência definitiva, mas era onde eu encontrava meu pai e meu irmão, onde a história da máfia Camorra tinha raízes profundas demais para serem ignoradas. Meu verdadeiro refúgio era o apartamento de cobertura em um dos prédios mais luxuosos da Itália — discreto, moderno, e distante o suficiente para que ninguém ousasse invadir minha paz. Mas paz era exatamente o que eu não teria naquela noite. Assim que atravessei o salão de entrada da mansão, encontrei Mássimo me esperando. Ele é meu conselheiro... e meu amigo de longa data. Mas naquele momento, só me deu vontade de socar o nariz dele. — Dante — começou ele, direto. — Temos um problema. O conselho se reuniu novamente e exigiram a tua presença. A reunião será hoje, no salão reservado. Pediram que eu viesse buscar você... pessoalmente. Bufei, passei a mão pelo cabelo e encarei aquele i****a com raiva. — Mássimo... só porque és meu conselheiro e amigo de infância, eu vou fingir que não ouvi essa merda. Buscar-me? p***a, você esqueceu que EU sou o Don dessa máfia? Que d***o se passa na tua cabeça? Não preciso de babá, muito menos de aviso. Vai pra lá e diz ao conselho que eles podem enfiar essa reunião no cu. Eu não vou comparecer a p***a nenhuma. Agora sai da minha frente. Dei as costas, pronto pra subir e trancar a porta do meu quarto quando ouvi a voz grave e firme do meu pai vindo da sala. — Dante! Que merda é essa? Desde quando você foge de responsabilidade? És o Don desta máfia, p***a! E isso vem com obrigações. Não crie guerra com os conselheiros. Eu lutei por essa unidade, mantive essa máfia unida por décadas. Não desonre isso. Ele falava com o peso de quem carregou sangue, guerra e honra nos ombros. Era o velho leão. E quando ele falava daquele jeito... até eu, que não temia a morte, prestava atenção. — Vá à reunião. Ouve o que eles têm pra dizer. Depois, você decide. Mas não vire as costas para a estrutura que te sustenta. Sem alternativa, fui. A sala de reuniões estava como sempre: escura, silenciosa e sufocante. O grande círculo de cadeiras era ocupado pelas cinco famílias mais influentes da máfia. Estavam todos lá — Guiliam, Leonardo, Ricardo, André, e claro... Berto. O desgraçado do Berto foi o primeiro a abrir a boca, como sempre. — Don Dante — começou com aquele tom de cobra. — Esta reunião é para tratar de um assunto urgente: o seu casamento. Estás com 34 anos, adiando isso há tempo demais. Todos os outros Dons casaram cedo. Você precisa de uma rainha ao seu lado. Uma mulher escolhida segundo a tradição. Isso não é negociável. A minha veia do pescoço pulsava. Leonardo concordou, com seu ar calculado: — É só um casamento, Dante. Todos nós fizemos. Você pode continuar fazendo o que faz... desde que preserve a imagem da máfia. Não se trata de amor, se trata de aliança, de sangue, de controle. Até Ricardo, o mais sensato deles, falou: — Eu lutei contra isso. Queria casar por amor... Mas ser filho de Don não nos permite esse luxo. Já está na hora de garantir seu herdeiro, sua continuidade. Suspirei, cruzei os braços e, com sarcasmo, perguntei: — Muito bem... E com quem exatamente eu deveria me casar? Vamos lá, estou curioso. Berto, o miserável, não perdeu tempo. — Faremos como sempre foi feito. Escolheremos entre as princesas da máfia, criadas para ocupar esse cargo com honra. E claro, minha filha, Aurora, foi preparada a vida inteira para isso. Ela seria perfeita ao seu lado. Não aguentei. Ri. Ri alto. — Sabia que você viria com essa proposta, Berto. Mas deixa eu te lembrar de uma coisa importante... Eu sou o Don. A minha palavra é a lei. E eu não vou me casar com ninguém que vocês escolherem. Eu vou me casar com quem EU quiser, quando EU quiser. Quem não gostar... que morra. E quem insistir... que enfrente minha fúria. Levantei, encarei todos com desprezo e saí. O olhar do meu pai queimava de raiva e desilusão, mas não voltei atrás. Ele me seguiu até o corredor. — Filho... o que está te prendendo? Eu te conheço. Tem alguma coisa por trás disso. Parei. Respirei fundo. E encarei o velho. — Sim, pai. Tem, sim. Eu já tenho uma mulher. Não preciso de outra. Eu vou me casar com ela. Ela não é da máfia, não é rica, nem influente. Mas é MINHA. E vocês vão ter que aceitar. Em breve, vou apresentá-la. Até lá, parem com essa palhaçada. Mais tarde, fui até uma das minhas boates. Queria distrair a cabeça, beber, esquecer. Mas não consegui. Nem mesmo com as mulheres que se jogavam em cima de mim. Cada toque delas me irritava. Cada beijo me fazia lembrar dela. Cecília. A p***a da garota que sumiu da minha vida há dois anos e agora... apareceu na minha frente fingindo que não me conhecia. Como se nada tivesse acontecido. Brend meu irmão apareceu depois. — Que merda foi aquela hoje? — disse ele, rindo. — Você está diferente. Mais... nervoso. Menos calculista. — Brend, não começa. Não estou no clima. — Calma, irmão. Só estou brincando. Mas me diz... continua pensando naquela menina daquele verão? Olhei pra ele. A raiva subiu de novo. — Brend... ela apareceu. — O quê?! Como assim?! E aí? — Ela me tratou como um estranho. Me chamou de "senhor". Fingiu que não me conhecia. E o pior... foi se candidatar à vaga de minha secretária. A própria p***a do destino botou ela de novo no meu caminho. — Uau... — Brend murmurou. — E agora? — Agora? Agora ela vai pagar. Vai se arrepender de ter fingido que não me conhecia. Eu vou fazer Cecília correr atrás de mim. Vai implorar pra que eu toque nela. Eu juro... ela vai se lembrar muito bem de quem é Dante Morillo.
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