Capítulo 10 - Dante Morelli

955 Palavras
Dois anos. Dois malditos anos. E ali estava ela, sentada diante de mim, como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse sumido da minha vida após me incendiar com o melhor sexo da minha existência. Como se não tivesse me deixado em chamas por duas primaveras inteiras, buscando cada rastro seu por toda essa cidade suja. Cecília Monteiro.
Agora secretamente desejava chamá-la de minha. dois anos se passaram . Ela está fingir que não me conhecia.
E isso me fez arder por dentro. — Por que devo contratá-la? — perguntei sem olhá-la de imediato. Queria ouvir sua voz. Queria ver se vacilava. Se tremia. Se engolia em seco. Nada. A resposta veio firme, como se estivesse falando com um estranho qualquer. — Porque eu sou a solução que o senhor procura. Tenho dedicação, foco e a capacidade de contribuir significativamente para o sucesso da sua equipe. "Senhor." 
Ela me chamou de senhor. Ela sabia o meu nome. Ela me conhecia. Ela gritou o meu nome naquela cama, naquela noite. Ela sabia exatamente quem eu era quando me deixou dormindo sozinho.
E agora sentava-se diante de mim fingindo que éramos estranhos. Cecília... Você vai pagar por isso. A raiva e o desejo se chocavam dentro de mim como duas feras famintas. Respirei fundo e olhei nos olhos dela. Seus olhos vacilaram por um instante — um piscar de insegurança. Mas foi só. Logo retomou o controle. — E quem te garante que você seria mesmo essa solução? — perguntei, controlando minha voz para não rosnar. — Quem te garante que você tem a capacidade de me ajudar? Queria ver se ela dizia algo. Qualquer coisa. Um “me desculpa por ter sumido”, um “Dante, me perdoa”, qualquer maldito sinal de que lembrava do que vivemos. 
Mas ela apenas respondeu, seca e reta: — Porque sou dinâmica, precisa, e sei fazer o meu trabalho. Fria.
Calculada.
Ou tentando se proteger. Mas naquele momento, não me importava. Se ela queria jogar, eu jogaria. Fiz todas as perguntas padrão. A observei responder com perfeição, com objetividade, como se estivesse numa entrevista qualquer. Mas havia tensão nos gestos dela. Nos olhos. No modo como evitava fixar o olhar nos meus por tempo demais. E isso me deixava ainda mais furioso. 
Ela fingia que não me desejava. Fingia que não lembrava. 
Mas o corpo dela me dizia o contrário. Inclinei-me para frente, descansando os braços sobre a mesa. — Para ser minha secretária, preciso de mais que competência. Preciso de disponibilidade total. Eu viajo com frequência. Às vezes por semanas, até meses. Você está disposta a me acompanhar? Pela primeira vez, ela hesitou. Seus olhos baixaram. A postura vacilou. Estava clara a luta interna que travava. Como se alguma coisa a impedisse de aceitar prontamente. 
Mas segundos depois, endireitou o corpo e disse com a voz firme: — Sim. Tenho disponibilidade para viajar, senhor. Senhor, de novo. 
Ela insistia nessa formalidade nojenta. Queria manter distância. Queria fingir que eu não era o homem que a fez gozar mais de três vezes numa só noite. Mas ela me conhecia. Ela sabia. E isso me fez sorrir por dentro. Cruzei as mãos e olhei diretamente nos olhos dela. Agora sério . — A senhorita teria algum problema em acompanhar o seu chefe em eventos, jantares de negócios, até mesmo viagens privadas? Isso... não traria conflitos com seu namorado? Essa pergunta não constava em manual nenhum de entrevistas. Mas eu precisava saber. Eu precisava. Se ela estivesse com outro homem, se alguém estivesse tocando o que é meu, eu juro por tudo que mataria esse desgraçado. Ela levou um segundo. Depois respondeu: — Não, senhor. Não há com o que se preocupar. Não estou comprometida com ninguém. Minhas mãos cerraram em punhos sob a mesa. Alívio. Desejo. Raiva. Tudo junto. A Cecília me olhou como se esperasse que eu explodisse. Como se pensasse que eu perguntaria por que ela tinha me deixado. Que eu fosse cobrar alguma explicação. Mas não dei esse prazer a ela. Ela ia rastejar até mim. Ia pedir para ser minha. Eu ia tê-la de novo, mas nos meus termos. — Muito obrigado pelo seu tempo, senhorita Monteiro. Se for contratada, entraremos em contato. Deixe seus dados com a Sr. Maia, lá fora. Ela se levantou, elegantemente, mas não sem hesitação. — Muito obrigada, senhor. Com licença. E então saiu. E eu quase perdi o controle. Que corpo, que maldito corpo.
A b***a dela estava ainda mais redonda. As curvas... por pouco eu não a puxei de volta e a possuí ali mesmo, contra a minha mesa. Mas me controlei. Esperei ela sair e me deixei cair de costas na cadeira. Levei as mãos ao rosto e soltei um suspiro profundo. Minha cabeça girava, o p*u latejava, meu sangue fervia. Dois anos. Dois anos tentando encontrá-la. Falei com o gerente do hotel onde a conheci, descobri que ela era só uma estudante fazendo um bico. Descobri sua universidade, mas quando cheguei lá, ela já havia terminado o curso. Consegui a antiga morada, fui até lá, e uma senhora me informou que ela e a colega haviam se mudado há uma semana. Tarde demais. Minhas equipes passaram dois anos atrás de um fantasma. Eu fodi várias putas. Tentei aliviar minha raiva com prazer. Mas nenhuma me apagava da memória a Cecília. justo agora, quando os conselheiros da máfia estão a me pressiona para eu me casar com Aurora Porsches, a princesa da máfia.... Eu já falei a eles que não vou me casar com ninguém, mas eles não desistiram e pediram para pensar e priorizar a máfia. 
Foda-se os conselheiros. Eu vou fazer da Cecília minha mulher. Nem que o inferno se levante contra mim.
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