Quando acordei, os primeiros segundos foram como um sonho…
O sol entrava timidamente pelas frestas da cortina, e eu estava aninhada no peito do Dante. Seu cheiro ainda estava impregnado nos lençóis e na minha pele. E, por um breve momento, eu me permiti esquecer quem ele era.
Mas bastou olhar para o lado e ver sua arma repousando sobre a mesa de cabeceira para a realidade me atingir como um soco no estômago.
O que estou fazendo?
Entreguei minha virgindade a um homem que m*l conheço. A um desconhecido perigoso. Um mafioso.
Levantei com cuidado, tentando não fazer barulho. O chão frio me lembrou que eu estava nua. Me vesti devagar, reunindo as peças espalhadas pelo quarto como quem recolhe partes de uma loucura. Olhei mais uma vez para Dante. Dormia profundamente. Até dormindo ele era lindo. Um demônio disfarçado de Deus grego.
Mas eu não podia ficar. Eu não fazia parte do mundo dele, e ele nunca faria parte do meu. Mulheres como eu não são escolhidas por homens como Dante Morelli.
Fugi.
Caminhei até meu quarto no hotel com o coração acelerado e um turbilhão de emoções me consumindo. Já passava das cinco da manhã, e eu e a Zoe tínhamos que pegar o ônibus de volta para a cidade. Ainda tínhamos aulas, mesmo que a cabeça estivesse a mil.
Zoe não parava de me cutucar, curiosa. Quando finalmente contei o que aconteceu entre mim e Dante, ela arregalou os olhos.
— Cecília! Até eu daria minha virgindade pra esse homem! Ele é quente demais! — disse ela, rindo como uma adolescente.
Eu tentei rir, mas por dentro… eu estava confusa.
Dois anos depois
A vida não foi fácil.
Eu e Zoe terminamos a universidade um mês depois daquele verão inesquecível. E por mais que tentássemos, arranjar um bom emprego foi um desafio imenso. Fui recusada em várias entrevistas, e tudo piorou quando descobri que estava grávida.
Lion.
O nome do meu filho.
Meu pequeno milagre… fruto daquela única noite com Dante.
Não procurei o pai. Não quis. Tinha medo. Dante era um homem perigoso, e o último tipo de pessoa que eu queria perto do meu filho.
E se ele quisesse tirar Lion de mim?
E se usasse o menino para me controlar?
Não. Era melhor assim.
Mas as dificuldades não tardaram a bater à porta. Quando eu estava com seis meses de gravidez, fui despedida. Ninguém queria contratar uma mulher grávida. Zoe segurou as pontas sozinha por muito tempo. Tivemos que nos mudar para um bairro mais simples. Ainda assim, fomos acolhidas. O prédio era modesto, mas cheio de gente boa.
Foi ali que conheci Dona Maria.
Uma senhora viúva, com um coração enorme, que perdeu o marido e dois filhos num acidente de carro. Ela me adotou como filha e se tornou avó do meu filho, com o maior orgulho do mundo. Lion a chama de vó com tanto carinho que às vezes me esqueço que não têm sangue em comum.
Mas hoje... era tudo ou nada.
Consegui uma entrevista numa das maiores empresas do país. O salário era ótimo. O cargo era para secretária, e eu daria tudo de mim para conquistar aquela vaga. Precisava ajudar a Zoe e garantir um futuro melhor para Lion.
Zoe, como sempre, me ajudou a me arrumar. Ela soltou meus cabelos, fez uma maquiagem leve com um batom vermelho que ela dizia ser minha “arma secreta”. Eu me sentia bonita. Forte. Pronta.
Até que ouvi meu nome ser chamado.
Uma mulher morena, de postura elegante e um olhar nada simpático, me guiou até uma porta grande. Bateu duas vezes e entrou. Um segundo depois, voltou e me disse friamente:
— Pode entrar.
Entrei com o coração acelerado… e então meu mundo parou.
Lá estava ele.
Dante Morelli.
Sentado atrás de uma mesa imponente, examinando alguns papéis, sem sequer levantar os olhos quando entrei.
— Sente-se — disse, seco.
Minha respiração falhou.
Sentei. Minhas mãos tremiam, mas fingi firmeza. Eu não podia fraquejar.
— Por que devo contratá-la? — perguntou ele, ainda sem me olhar.
Demorei um segundo. Estava em choque. Mas então, a imagem do meu filho veio à minha mente. Respirei fundo, endireitei a postura, e respondi com a voz mais segura que consegui:
— Porque eu sou a solução que o senhor procura. Tenho dedicação, foco e a capacidade de contribuir significativamente para o sucesso da sua equipe.
Foi então que ele levantou o rosto.
Seus olhos encontraram os meus.
E naquele instante, o silêncio preencheu o ar.
Um silêncio pesado, cheio de lembranças, de perguntas não ditas.
Ele me olhava como se eu fosse um fantasma do passado.
E eu… fingi que não o conhecia, e não o disse nada simplesmente continuei olhando para ele e esperando que ele diga alguma coisa.
Porque agora, mais do que nunca, precisava ser forte. Por mim. E por Lion