ANANDA A vontade de sacudi-lo era tão forte quanto a de chorar. — Você vai ficar aí calado? — cuspi a pergunta, sem me importar mais com a compostura ou o local. — Vai me deixar ouvindo da Victória o que você tem pra me dizer? Nataniel soltou um suspiro cínico, como se tudo aquilo fosse um teatro m*l encenado. Seu olhar percorreu meu rosto, mas não com afeto. Com análise. E só então, pela primeira vez, eu o olhei direito. O cabelo estava curto, bem aparado nas laterais, o queixo barbeado. Nenhum sinal daquele garoto desleixado e impulsivo que eu me lembrava. Estava mais forte também. Ombros largos sob a camisa social ajustada, uma postura que misturava arrogância e controle. Um estranho. — Eu estou tentando resolver as coisas da melhor maneira, Ananda. — ele começou, com a voz baixa

