ANANDA Eu não conseguia me mexer. Meus olhos estavam presos naquela imagem impossível, como se meu corpo inteiro tivesse sido congelado no tempo. O chão parecia girar, e o ar se recusava a entrar nos meus pulmões. Minha mãe. Meu irmão Uma mão tocou meu ombro, mas eu m*l senti. Foi Pedro, eu acho. Ou talvez não. Tudo estava distante, desfocado. As vozes ao redor pareciam vindas debaixo d’água. Gritos, murmúrios, o som do martelo do juiz batendo sem parar. — Ordem na sala! Todos sentados! — ele dizia, mas ninguém escutava. Só quando Pedro se levantou rápido e me segurou pelos braços foi que percebi que minhas pernas estavam falhando. — Ei… ei, olha pra mim. — a voz dele me puxou como uma corda de volta à realidade. — Respira, Ananda. Respira. Mas eu não conseguia. Meus olhos ainda e

