PEDRO O escritório estava uma bagunça. Papéis por toda parte, anotações espalhadas, notebook aberto com pesquisas que pareciam girar em círculos. Um caos silencioso, o retrato da nossa angústia. — Ele não morreu. — Diego andava de um lado pro outro, como uma mola prestes a estourar. — Fingiu. Falsificou documentos. Enterrou um corpo que ninguém conferiu direito. Isso não se faz sozinho. — E ninguém some por tanto tempo sem um motivo muito forte. — Joaquim ajustou os óculos e se recostou. — Ou alguém muito poderoso por trás. — Ou os dois. — murmurei, do lugar onde eu estava, afundado na cadeira ao lado de Ananda. Meu tom foi mais frio do que pretendia. Eu ainda estava tentando não socar uma parede. Diego me lançou um olhar rápido, depois se voltou para Ananda. — Você percebeu o jeito

