Nikolai
Tenho exatos 35 anos e nunca sequer me apaixonei por uma mulher, até conhecer a Giorgia. Eu conhecia esse meu lado obstinado e obsessivo, já provei disso antes, mas sempre conseguia pôr as mãos no motivo da minha obsessão. Eu sempre tinha o que eu queria, onde e quando eu queria.
Mas perder para um mafioso italiano idiiota, tinha mexido com o meu ego a um nível, que eu só conseguia ter raiva de todas as mulheres do mundo. A raiva já estava aqui antes, só foi intensificada. Mulheres são armadilhas perigosas, ainda mais as de olhar doce e ingênuo.
Agora eu teria que encarar a opção de aceitar um casamento arranjando com uma bela mulher, para honrar o nome da minha família. Dar netos e toda essa baboseira.
Eu não queria ser líder da Bratva. Eu odiava o meu pai e toda a merd@ que ele envolvia.
Aceitei ficar na casa de Giovanni Greco mais como um acordo de paz. A máfia italiana era grande e influente, não que eu dependesse deles para alguma coisa, mas poderia fazer bons negócios por aqui e aumentar minha influência. A verdade é que eu gostava da Itália. Aprendi a falar a língua para me comunicar, adoro o lugar e as mulheres, que eram mais quentes e receptivas.
Giovanni Greco me serviu um uísque e me apresentou sua esposa, bonita e jovem demais, eu diria.
— Eu vou lhe apresentar a minha filha. Só um minuto ela vai descer. — ele já havia me informado que ia apresentar sua filha umas três vezes. Já estava começando a achar que havia algum interesse por trás.
— Ah! Ali está ela. — ele falou, olhando em direção a escada. — Graziella, venha aqui. — antes que eu pudesse me virar, senti um corpo se estabanar aos meus pés.
A segurei e a ajudei a levantar. A menina era desequilibrada como uma bêbada de porta de bar. Também era muito jovem e bonita, igual uma princesinha de conto de fadas. Aquele vestidinho feminino e juvenil e sua bochechas rosadas, que me irritavam só de olhar.
Ela tinha o quê, dezesseis anos?
— Graziella! — o homem falou irritado para a filha, que me olhava.
— Desculpa. — ela falou e suas bochechas coraram como um tomate recém maduro. O que me deixou mais irritado ainda.
— Graziella, esse é nosso convidado, Nikolai Petrovik. Nikolai, essa é minha filha, Graziella. Peço desculpas por ela ser tão estabanada.
— É normal, ela é só uma menina. — falei.
— Eu não sou uma menina, eu tenho 18 anos. — ela falou e eu achei divertido ela me desafiar. Merecia umas tapas por me rebater.
— Graziella. — o pai a repreendeu. — Vamos jantar. Minha esposa já está na sala de jantar. Vamos. — ele apontou para a sala de jantar.
Nós jantamos e conversamos, mas notei que a garota estava olhando demais para mim, o que me deixou desconfortável. Se o pai dela a pegasse com tamanha ousadia, ela iria ser castigada. E já havia notado que ele era bastante hostil com ela.
Ele a mandou se retirar e foi atrás dela, me deixando com a esposa dele, que parecia não gostar muito de mim.
— O senhor é russo? Notei pelo sotaque. — Ela questionou.
— Sim. — ela franziu o cenho. — Algum problema?
— Não. — Ela forçou um sorriso. — Seja bem-vindo a nossa casa.
— Agradeço a hospitalidade, mas não pretendo ficar muito. Se os negócios derem certo, irei me ajustar por aqui.
— Sim, claro. Você fala muito bem nossa língua.
— Sim. Já estive na Itália mais vezes e gosto de me aperfeiçoar nos dialetos.
— Hmn. Isso é ótimo. — ela olhou para porta, ansiosa para que seu marido voltasse.
— Desculpa a demora. — Giovanni chegou. — Podemos tomar um drinque, conversar enquanto te mostro a casa de hóspedes? — Assenti.
Giovanni me mostrou a casa de hóspedes, que tinha dois quartos, um para mim e para o meu braço direito. Depois nos serviu de uísque.
— Aceita? — ele me apontou um charuto. Eu acendi e dei uma tragada.
— Hmn. É ótimo. Cubano?
— Sim. Ganhei de um ministro cubano. — ele se mostrou orgulhoso de seu feito.
— Eu vou direto ao ponto, Giovanni. Gostaria de ajuda para fechar o em Nápoles, gostaria de me acertar por aqui. Também vi que tiveram muitos problemas por lá, ficarei feliz de controlar a área e estreitar nossos laços.
— Sim, vou ajudar no que for preciso, você sabe como é meu sobrinho.
— Me desculpe, mas seu sobrinho me parece ser um homem bastante instável para tomar certas decisões e também bastante temperamental.
— É em meio a instabilidade dele quem as coisas fluem, Nikolai. Ele é um ótimo líder. Mas me diga, você é o líder da Bratva. Por que o interesse em nosso país?
— Sou filho do líder. Eu gosto de pensar por mim mesmo e não tenho interesse pelos negócios do meu pai.
— Por quê?
— Porque sou um homem adulto e gosto de controlar minha vida. — dei uma tragada no charuto. — Se você se lembra, ajudei diretamente no intermediário entre nossos países e com os carregamentos para cá.
— Sim, lembro. É por seu trabalho árduo, que está tendo um voto de confiança. Mas devo dizer, que te convidar para minha casa, é o maior voto de confiança de todos.
— Sim. Eu agradeço.
— Bom, agora vou deixar você descansar. Já está tarde. Conversamos sobre isso mais tarde. — Assenti e o homem saiu.
Tomei um banho e tentei dormir um pouco, mas meus problemas com sono vira e mexe me assombram. Deitar e dormir para mim ia além de algo simples, era como um ritual que eu nunca conseguia completar.
Caminhei até o jardim da casa, que claramente tinha diversas falhas de segurança. A começar da falta de homens apostos no jardim. Eles ficaram apenas no portão de entrada da mansão. E de onde eu estava, não se avistava nenhum. Ele só poderia confiar muito em mim, para não encher a casa de homens.
Sentei na beirada da fonte, observando a noite, mas tomei um belo susto ao ver a filha do Giovanni Greco, parada a um metro de distância. Se eu não a conhecesse, juraria que era uma assombração.
Não pude conter um visco que se formou ao franzi a minha testa, muito menos o rosto irritado e o mau-humor ao vê-la. Ela era bonita e frágil igual uma bonequinha de porcelana, o que me induzia a quebrá-la em mil pedacinhos.
— Desculpa. Eu... eu te assustei. — ela falou com sua voz branda. Fiquei a encarando, esperando que ela fosse embora. — Você não consegue dormir também? — Mas por que diabos ela está falando comigo? Virei o rosto para o outro lado, pedindo aos deuses que ela fosse embora. — Você é mudo? — Mas que porr@ de garota insistente dos infern0s.
— Só porque uma pessoa não quer falar com você, não significa que ela seja muda. — a encarei irritado. Ela sentou ao meu lado na fonte, me causando espanto. — O que você está fazendo?
— Sentando.
— Isso eu posso ver, mas por que você está sentando aqui do meu lado? Quem lhe deu a permissão?
— Eu não preciso de permissão para sentar aqui.
— Meu Deus do céu, você tem quantos anos, doze?
— Eu tenho 18 anos. Eu sou uma mulher! — Ela gesticulou com a mão de uma forma bem engraçada e eu não pude controlar o riso. — Você está rindo de mim?
Eu a olhei fixamente e ela fez o mesmo, sem piscar e sem desviar o olhar. Era uma maldit@ garota desafiadora. Me levantei parando bem na frente dela, vendo suas bochechas coraram e sua respiração falhar.
— Você não é uma mulher, você é só uma garota. — me virei para sair, mas ela segurou o meu braço.
— Ei! — ela gritou e apontou o dedo para o meu peito. — Eu não sou uma garota! — Olhei para sua mão segurando meu braço, tencionei os músculos do rosto. Geralmente eu não tolerava tamanha ousadia. Me inclinei em direção a ela, fazendo ela pender o corpo para trás.
— Alguém já te f0deu? Fodeu mesmo, de verdade. Até você ficar toda torta em cima de uma cama? — seus olhos quase pularam e suas bochechas coraram intensamente. — Eu imaginei! Então você não é uma mulher, Graziella. — Puxei o braço e ela quase caiu na fonte. Eu a segurei. — Por que eu sempre tenho que te segurar para não cair? — A soltei e a deixei lá, bem calada, do jeito que deveria estar desde do começo.