2 - O malvadão do conto de fadas

1469 Palavras
Nikolai Tenho exatos 35 anos e nunca sequer me apaixonei por uma mulher, até conhecer a Giorgia. Eu conhecia esse meu lado obstinado e obsessivo, já provei disso antes, mas sempre conseguia pôr as mãos no motivo da minha obsessão. Eu sempre tinha o que eu queria, onde e quando eu queria. Mas perder para um mafioso italiano idiiota, tinha mexido com o meu ego a um nível, que eu só conseguia ter raiva de todas as mulheres do mundo. A raiva já estava aqui antes, só foi intensificada. Mulheres são armadilhas perigosas, ainda mais as de olhar doce e ingênuo. Agora eu teria que encarar a opção de aceitar um casamento arranjando com uma bela mulher, para honrar o nome da minha família. Dar netos e toda essa baboseira. Eu não queria ser líder da Bratva. Eu odiava o meu pai e toda a merd@ que ele envolvia. Aceitei ficar na casa de Giovanni Greco mais como um acordo de paz. A máfia italiana era grande e influente, não que eu dependesse deles para alguma coisa, mas poderia fazer bons negócios por aqui e aumentar minha influência. A verdade é que eu gostava da Itália. Aprendi a falar a língua para me comunicar, adoro o lugar e as mulheres, que eram mais quentes e receptivas. Giovanni Greco me serviu um uísque e me apresentou sua esposa, bonita e jovem demais, eu diria. — Eu vou lhe apresentar a minha filha. Só um minuto ela vai descer. — ele já havia me informado que ia apresentar sua filha umas três vezes. Já estava começando a achar que havia algum interesse por trás. — Ah! Ali está ela. — ele falou, olhando em direção a escada. — Graziella, venha aqui. — antes que eu pudesse me virar, senti um corpo se estabanar aos meus pés. A segurei e a ajudei a levantar. A menina era desequilibrada como uma bêbada de porta de bar. Também era muito jovem e bonita, igual uma princesinha de conto de fadas. Aquele vestidinho feminino e juvenil e sua bochechas rosadas, que me irritavam só de olhar. Ela tinha o quê, dezesseis anos? — Graziella! — o homem falou irritado para a filha, que me olhava. — Desculpa. — ela falou e suas bochechas coraram como um tomate recém maduro. O que me deixou mais irritado ainda. — Graziella, esse é nosso convidado, Nikolai Petrovik. Nikolai, essa é minha filha, Graziella. Peço desculpas por ela ser tão estabanada. — É normal, ela é só uma menina. — falei. — Eu não sou uma menina, eu tenho 18 anos. — ela falou e eu achei divertido ela me desafiar. Merecia umas tapas por me rebater. — Graziella. — o pai a repreendeu. — Vamos jantar. Minha esposa já está na sala de jantar. Vamos. — ele apontou para a sala de jantar. Nós jantamos e conversamos, mas notei que a garota estava olhando demais para mim, o que me deixou desconfortável. Se o pai dela a pegasse com tamanha ousadia, ela iria ser castigada. E já havia notado que ele era bastante hostil com ela. Ele a mandou se retirar e foi atrás dela, me deixando com a esposa dele, que parecia não gostar muito de mim. — O senhor é russo? Notei pelo sotaque. — Ela questionou. — Sim. — ela franziu o cenho. — Algum problema? — Não. — Ela forçou um sorriso. — Seja bem-vindo a nossa casa. — Agradeço a hospitalidade, mas não pretendo ficar muito. Se os negócios derem certo, irei me ajustar por aqui. — Sim, claro. Você fala muito bem nossa língua. — Sim. Já estive na Itália mais vezes e gosto de me aperfeiçoar nos dialetos. — Hmn. Isso é ótimo. — ela olhou para porta, ansiosa para que seu marido voltasse. — Desculpa a demora. — Giovanni chegou. — Podemos tomar um drinque, conversar enquanto te mostro a casa de hóspedes? — Assenti. Giovanni me mostrou a casa de hóspedes, que tinha dois quartos, um para mim e para o meu braço direito. Depois nos serviu de uísque. — Aceita? — ele me apontou um charuto. Eu acendi e dei uma tragada. — Hmn. É ótimo. Cubano? — Sim. Ganhei de um ministro cubano. — ele se mostrou orgulhoso de seu feito. — Eu vou direto ao ponto, Giovanni. Gostaria de ajuda para fechar o em Nápoles, gostaria de me acertar por aqui. Também vi que tiveram muitos problemas por lá, ficarei feliz de controlar a área e estreitar nossos laços. — Sim, vou ajudar no que for preciso, você sabe como é meu sobrinho. — Me desculpe, mas seu sobrinho me parece ser um homem bastante instável para tomar certas decisões e também bastante temperamental. — É em meio a instabilidade dele quem as coisas fluem, Nikolai. Ele é um ótimo líder. Mas me diga, você é o líder da Bratva. Por que o interesse em nosso país? — Sou filho do líder. Eu gosto de pensar por mim mesmo e não tenho interesse pelos negócios do meu pai. — Por quê? — Porque sou um homem adulto e gosto de controlar minha vida. — dei uma tragada no charuto. — Se você se lembra, ajudei diretamente no intermediário entre nossos países e com os carregamentos para cá. — Sim, lembro. É por seu trabalho árduo, que está tendo um voto de confiança. Mas devo dizer, que te convidar para minha casa, é o maior voto de confiança de todos. — Sim. Eu agradeço. — Bom, agora vou deixar você descansar. Já está tarde. Conversamos sobre isso mais tarde. — Assenti e o homem saiu. Tomei um banho e tentei dormir um pouco, mas meus problemas com sono vira e mexe me assombram. Deitar e dormir para mim ia além de algo simples, era como um ritual que eu nunca conseguia completar. Caminhei até o jardim da casa, que claramente tinha diversas falhas de segurança. A começar da falta de homens apostos no jardim. Eles ficaram apenas no portão de entrada da mansão. E de onde eu estava, não se avistava nenhum. Ele só poderia confiar muito em mim, para não encher a casa de homens. Sentei na beirada da fonte, observando a noite, mas tomei um belo susto ao ver a filha do Giovanni Greco, parada a um metro de distância. Se eu não a conhecesse, juraria que era uma assombração. Não pude conter um visco que se formou ao franzi a minha testa, muito menos o rosto irritado e o mau-humor ao vê-la. Ela era bonita e frágil igual uma bonequinha de porcelana, o que me induzia a quebrá-la em mil pedacinhos. — Desculpa. Eu... eu te assustei. — ela falou com sua voz branda. Fiquei a encarando, esperando que ela fosse embora. — Você não consegue dormir também? — Mas por que diabos ela está falando comigo? Virei o rosto para o outro lado, pedindo aos deuses que ela fosse embora. — Você é mudo? — Mas que porr@ de garota insistente dos infern0s. — Só porque uma pessoa não quer falar com você, não significa que ela seja muda. — a encarei irritado. Ela sentou ao meu lado na fonte, me causando espanto. — O que você está fazendo? — Sentando. — Isso eu posso ver, mas por que você está sentando aqui do meu lado? Quem lhe deu a permissão? — Eu não preciso de permissão para sentar aqui. — Meu Deus do céu, você tem quantos anos, doze? — Eu tenho 18 anos. Eu sou uma mulher! — Ela gesticulou com a mão de uma forma bem engraçada e eu não pude controlar o riso. — Você está rindo de mim? Eu a olhei fixamente e ela fez o mesmo, sem piscar e sem desviar o olhar. Era uma maldit@ garota desafiadora. Me levantei parando bem na frente dela, vendo suas bochechas coraram e sua respiração falhar. — Você não é uma mulher, você é só uma garota. — me virei para sair, mas ela segurou o meu braço. — Ei! — ela gritou e apontou o dedo para o meu peito. — Eu não sou uma garota! — Olhei para sua mão segurando meu braço, tencionei os músculos do rosto. Geralmente eu não tolerava tamanha ousadia. Me inclinei em direção a ela, fazendo ela pender o corpo para trás. — Alguém já te f0deu? Fodeu mesmo, de verdade. Até você ficar toda torta em cima de uma cama? — seus olhos quase pularam e suas bochechas coraram intensamente. — Eu imaginei! Então você não é uma mulher, Graziella. — Puxei o braço e ela quase caiu na fonte. Eu a segurei. — Por que eu sempre tenho que te segurar para não cair? — A soltei e a deixei lá, bem calada, do jeito que deveria estar desde do começo.
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