CAPÍTULO 15 DODO NARRANDO: Perdi a conta de quantas vezes respirei fundo depois que saí da sala do Rael naquela manhã. Mas nenhuma delas tirou o gosto amargo da boca. Rael tinha aquele jeito calmo demais quando queria mandar. Não gritava. Não ameaçava. Só olhava como se eu fosse parte da mobília. E isso me tirava do sério mais do que qualquer esculacho. — Puxa a ficha da garota. Foi isso. Como se eu fosse um cachorro bem treinado. Joga o osso, o cachorro corre. Sempre foi assim. Desde que ele era moleque. Desde a época do Berne. O problema é que, se tem uma coisa que eu nunca fui, é burro. Eu sei exatamente o quanto valho. Sei tudo que aprendi, tudo que vi, tudo que guardei. E sei também que, se o Rael manda hoje, é porque alguém lá atrás caiu morto e deixou espaço. Berne criou n

