CAPÍTULO 14 RAEL NARRANDO: A música continuava pulsando pela boate vazia como um coração inquieto. Luna ainda dançava. E eu não piscava. Meu olhar seguia cada movimento do corpo dela como se aquilo fosse um mapa que eu precisava decorar. Nada nela era exagerado. Nada era vulgar. Era o controle absoluto do próprio corpo, e isso era o que mais me afetava. Ela sabia exatamente o que estava fazendo. Sabia que eu estava ali. Sabia que cada passo era um teste. Ela desceu do palco. Sem pressa. O salto ecoou no chão, um som seco, íntimo demais naquele espaço silencioso. Parou bem na minha frente. Tão perto que eu senti o perfume dela antes mesmo de tocá-la. Algo leve, mas insistente. Nada doce demais. Nada inocente. Ela começou a dançar ali. Para mim. Os quadris se moviam num ritmo lent

