CAPÍTULO 24 LUNA NARRANDO: O quarto ficou em silêncio assim que Dodô saiu. Não foi um silêncio comum. Foi daqueles que pesam no peito, que fazem a gente escutar o próprio coração batendo alto demais, errando o ritmo, como se estivesse avisando que alguma coisa saiu do controle. Fiquei parada no meio do quarto por alguns segundos, olhando para a porta fechada, ainda sentindo o cheiro de baseado misturado com o perfume que ele usava. O gemido de dor dele ainda ecoava na minha cabeça. O rosto inchado. O sangue seco no canto da boca. O aviso disfarçado de preocupação. Rael é perigoso. Andei até a cama e sentei devagar, apoiando os cotovelos nos joelhos. Passei as mãos pelo rosto, tentando organizar os pensamentos, mas eles vinham como uma avalanche. Desde que cheguei ao Rio, tudo tinha

