23- DODÔ

1100 Palavras

CAPÍTULO 23 DODO NARRANDO: Eu quase não me reconheci no espelho. O rosto inchado, o olho roxo começando a fechar, o canto da boca rachado. Passei os dedos devagar pela pele dolorida, sentindo cada ponto onde o punho dele tinha parado. Rael não bate como quem perde o controle. Ele bate como quem quer ensinar uma lição. Cada soco tinha endereço. Cada chute tinha intenção. Cuspi sangue na pia. Aquilo não ia ficar assim. Não depois de tudo. Desde moleque eu engolia sapo por causa dele. Desde sempre. Berne me criou também. Me ensinou tudo o que eu sei. Me colocou dentro do jogo cedo, me fez aprender a mandar, a cobrar, a sobreviver. E mesmo assim, quando Berne morreu, quem sentou no trono foi o Rael. O menino quieto. O frio. O intocável. E eu virei sombra. Sub. Cachorro de guarda. Dei

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