CAPÍTULO 52 RAEL NARRANDO: A boate já pulsava antes mesmo de eu estacionar. O grave da música atravessava o chão, subia pelas pernas e vibrava no peito. Luzes coloridas escapavam pelas frestas da fachada como se o prédio respirasse neon. Desci do carro sem pressa, mas com a cabeça a mil. Dois homens meus abriram caminho na entrada. — Boa noite, chefe. Assenti. Passei direto. Lá dentro, o ar estava pesado de bebida, perfume barato e suor. Gente dançando, gente bebendo, gente se perdendo. O de sempre. Mas aquela noite tinha um gosto diferente. Eu sentia. Cumprimentei alguns rostos conhecidos enquanto atravessava o salão principal. Os seguranças se alinharam instintivamente quando me viram. Subi as escadas laterais até a área administrativa, minha sala no fundo do corredor. Feche

