A liberdade não liberta, da medo

4838 Palavras
Motivo "Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem triste: Sou poeta. Irmão das coisas fugídias, não sinto g**o nem tormento. Atravesso noites e dias ao vento. Se desmorono ou desfaleço, não sei, não sei. Não sei se fico ou se passo. Sei que canto. E a canção é tudo. E um dia sei que estarei mudo: -mais nada." Cecília Meireles. ❤Pov Harry❤ A verdade. Todos desde filósofos a pessoas comuns buscam pela verdade. Seja sobre a existência da humanidade, da natureza, de mentiras que contam para você, ou mentiras que você conta para si mesmo... Todos buscamos pela verdade mesmo quando ela doí, pois esperamos que ela vá nos libertar e algumas realmente fazem isso. Mas o que fazer quando a verdade apenas lhe apavora? Saber que o mundo sobrenatural realmente existe deveria ter me feito sentir aliviado. Afinal eu não sou louco. Mas não. Isso me deixou apavorado com as possibilidades. Me mostrou um mundo novo que eu não sei as regras. Um mundo onde eu não sei me proteger física e mentalmente... Afinal de contas, o que eu sou? Quando o senhor Malfoy me disse toda a verdade, eu não sabia que isso só me geraria mais dúvidas sobre tudo. Se eu já estava com medo de estar me perdendo depois de tantos bloqueios sentimentais, e máscaras... agora eu nem sei mais o que eu sou. A sensação que tenho é que entrei em um livro de ficção e agora serei a merda do protagonista que não sabia que um mundo mágico existia até que o mesmo desse bem na sua cara. Não no estilo prazeroso nível b**m, mas sim de um soco no olho, na boca do estômago ou no p*u que te faz literalmente sentir que vai morrer. Irônico mas agora eu entendo o Percy Jackson. Só espero não ter que enfrentar nenhum minotauro nas próximas horas, e que nenhum oráculo brote do nada começando a falar que e vou morrer. Não que tenha novidade nesse fato. Só de ontem pra hoje eu já estive mais perto da morte que em toda a minha vida. Eu tive a p***a de uma arma apontada pra minha cara... dei uma flechada em um dos caras mais ricos de NY, que pelo jeito é um mafioso e filho do capeta... tentei me matar... Mas nada disso me assusta tanto quanto voltar para casa. Depois que eu saí daquela cobertura de luxo do loiro, consegui achar a garagem e depois, a muito custo, o posche que ele me deu a chave. Era um belo carro preto rebaixado, mas nada comparado as brinquedinhos que meu pai me da desde os meus 16 anos. A cada aniversário é um modelo novo de carro, moto, iate ou avião particular... Não que eu ande com a maioria dessas coisas. No geral só ficam no galpão ou no cás Potter gerando poeira. Mas não posso negar que me sinto um p**a gostoso poderoso tendo tudo isso. É incrível como a minha alto-estima pode variar com o meu humor, mas acho que esse é o fardo de ter ego alto mas vários problemas psicológicos, traumas e fobias... Mas enfim, mesmo com a cabeça a mil, mãos tremulas e olhos lacrimejantes, consegui atravessar o distrito até a cobertura que infelizmente divido com meu pai. Eu posso ou não ter furado um ou dois sinais vermelhos no caminho... mas meu pai é vice prefeito mesmo, multa eu não vou receber e acidente... bem, eu sou um ótimo motorista, mesmo nesse estado. Estacionei o carro na garagem e subi, quase que rezando para que o Potter mais velho não estivesse em casa e sim em alguma reunião ou algo do trabalho como sempre. Mas quando é que eu tenho sorte, não é mesmo. - Harry Potter - Ouvi assim que o elevador se abriu já dando passagem para a nossa sala de estar, porque sim, moramos na cobertura de um dos melhores prédios da cidade, onde não tem mais apartamentos no andar, por isso o elevador já saí dentro de casa. - Pai - cumprimentei a contragosto me decidindo se tenho uma crise de pânico ou tenho um acesso de raiva. Nunca tive uma personalidade submissa (a não ser na cama as vezes). Sempre falo o que preciso e não deixo ninguém estranho me humilhar ou meramente gritar comigo. Mas quando falamos de quem eu gosto, isso muda completamente. Não sei porquê mais nunca tive coragem de me impor com o meu pai ou amigos... sinto que criei uma dependência emocional deles onde os deixo fazer qualquer coisa comigo só por ter a parecença deles ali. Só para não ficar sozinho... Então não, eu não iria ter um acesso de raiva na frente do meu pai. É mais capaz deu chorar... E terapeutas (que eu nunca fui) pelos mundo dizem que identificar o problema é o primeiro passo para combater. Bem, faz quase três anos que entendo que tenho uma dependência emocional das pessoas e ainda não consegui ou meramente sei como sair disso. Na prática é bem mais complicado que na teoria. - Onde estava moleque? E que roupas são essas? Sabe que não acabamos aquele assunto de ontem bonitinho. Quero saber quem te influenciou a ser uma bichinha chupadora de p*u. Na real, eu nem lembrava mais que ontem eu fui jogado para fora do armário quando James invadiu a minha privacidade e descobriu do meu caso com o Mattheo. Tanta coisa aconteceu desde isso... mas o modo como o empresário a minha frente falou comigo me fez estremecer de medo. E como dito, em vez de revidar, comecei a sentir as lágrimas escorrerem. Por que as pessoas não podem simplesmente aceitar a sexualidade dos outros? Elas não sabem o quanto isso doí na gente? Respirei fundo antes de falar, juntando os últimos resquícios de coragem. Não posso gaguejar, não posso deixar que ele veja o quanto que tem controle dos meus sentimentos. Eu sinto como se fosse um lixo, mas sou orgulhoso de mais para deixar transparecer isso. Não posso mostrar o quanto ele me faz fraco, mas também não consigo mostrar a força que tenho... então vamos de submissão e sarcasmo. - Desculpa pai. Eu precisava espairecer a cabeça e quando vi já era tarde e acabei dormindo em um dos nossos outros apartamentos. Prometo que só preciso de um banho e vou estar mais apresentável. E eu não quero falar sobre a minha sexualidade com você de novo por favor. - Quem decide o que vamos falar ou não é eu. Sou seu pai e você me deve explicações! Ele começou a aumentar o tom de voz, e se fosse um estranho eu já teria metido um soco na cara. Mas ele é o meu pai. É duro saber que a pessoa que te faz m*l é alguém que você ama... mas a questão é que eu estava cansado de pensar tanto, de me importar tanto com ele. Doí reagir, mas doí ainda mais ficar sem fazer nada, pois só vai se acumulando até simplesmente explodir. Cansei de as vezes não sentir nada e aguentar de tudo. Cansei de ser uma bomba relógio sentimental. Na verdade, estou sobrecarregado. São coisas de mais para se viver em apenas um dia. Só quero que me deixem em paz. Preciso pensar, colocar a cabeça no lugar e encaixar as peças do quebra cabeças. Todos precisamos de um tempo a sós as vezes. - Por que você não faz o mesmo que fez com os outros assuntos da minha vida e simplesmente ignora? Você é mestre nisso mesmo. É normal eu ter mais medo do James que me olhou depois que eu sussurrei isso do que do mafioso filho do capeta? - Como se atreve a falar assim comigo garoto? Não é porque agora você é maior de idade e estar fazendo faculdade que vai deixar de me obedecer. Você é um Potter, e enquanto não honrar esse nome e herança cismando de fazer papel de criança maluca, você vai dever satisfações a mim! Eu não sabia o que fazer. Lógico que nós dois já discutimos antes, mas nunca a esse ponto, nunca ao ponto deu não conseguir ver o meu pai e sim um monstro. Pior dos que, pelo jeito, que vem do inferno. E o engraçado é que eu nem estou triste por estar sendo tratado assim. Nem bravo pelo meu pai estar sendo homofobico e me impedindo de viver. Nada, a não ser o medo que me faz querer sair dali, e o sentimento de estar sendo sufocado e subordinado a uma situação que eu não deveria ser obrigado a aguentar. Me afogando em tantas coisas ao ponto de não conseguir pensar direito. E eu realmente não pensei quando subi correndo para o meu quarto enquanto ouvia os gritos dele no andar de baixo. Não pensei, apenas reuni um bocado de roupas colocando em uma mochila qualquer e pegando meu celular reserva, antes de descer as escadas de novamente, engolindo em seco ao ver meu pais ali, ainda mais transtornado. - A ONDE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ INDO? NINGUÉM DA AS COSTAS PARA MIM, NINGUÉM ME DESOBEDECE, EU SOU JAMES POTTER A p***a DO VICE PREFEITO! VOLTA AQUI! Ele gritou enquanto eu conseguia o driblar e correr até o elevador. Vantagens de ser pequeno e afins. - Eu realmente devo ter te criado muito m*l para você se tornar essa vergonha que está na minha frente. Eu tenho nojo de você! - Ele falou antes da porta do elevador começar a fechar. E isso partiu algo em mim que eu nem sabia que estava inteiro. Mas me obriguei a continuar firme. Não daria o gostinho de ver os meus cacos, pois já bastava as lágrimas. Já bastava de tudo e passei, e principalmente dele. - Você nem me criou. Nunca esteve presente - Respondi em deboche antes da porta fechar por totalidade e eu soltar um riso de alívio enquanto lágrimas escorriam. Já que eu estou caindo, vou aproveitar a decida não é. Eu não pretendia ter feito tudo isso, mas gostei do resultado. Apesar da liberdade doer tanto e me fazer sentir culpado, ela tem um gosto bom. Amanhã eu me acerto com James, porque afinal das contas ele ainda é o meu pai e minha única família. E por mais que eu queria, não consigo viver longe dele. E isso é uma merda. Mas por enquanto eu não estou afim de ouvir mais merdas vindas da boca dele. Ontem foi a mesma coisa. Estávamos bem, e foi tão de repente que ele mudou pra esse cara intolerante e escoto ao ler as minhas mensagens que eu nem estava preparado. Eu não esperava aquele soco que ele me deu que graças a deus não deixou roxo por causa da minha pele mais morena... E por isso me senti tão frágil ao ponto de atentar contra a minha própria vida. Merda. Meu pai quase me fez morrer... mas esse mundo sobrenatural doido me deu uma chance. E eu não vou desperdiça-la deixando James me convencer que eu sou um monstro de novo. Afinal, eu não sou doido. E muito menos a p***a do monstro dessa história. Por mais que eu ainda não sabia o que eu sou... Mas a questão com os parentes tóxicos é isso. Sabemos que eles estão errados, e que estão nos machucando... mesmo assim, os amamos. Os amamos tanto ao ponto de dar segundas e terceiras chances. Entrei no carro do Malfoy de novo jogando a mochila pro banco de trás antes de pisar fundo me distanciando o máximo possível daquele lugar. Aumentei o volume do som para abafar os meus pensamentos enquanto deixava as lágrimas caírem, pisando ainda mais no pedal. Fiquei rodando pela cidade um pouco até me decidir para onde ir. Quer dizer, eu posso realmente ficar em algum dos outros apartamentos que são propriedade Potter... na verdade, eu só não moro em algum deles longe do meu pai pois sei que ele nunca aceitaria, e eu não quero decepciona-lo ainda mais. Todavia, antes resolvi parar no Central Park pra pensar um pouco. Eu sabia que estava sem tomar banho desde ontem, todo sujo e com fome... mas eu precisava respirar. Normalmente o park é muito lotado, cheio de vida, crianças, cores e natureza... e apesar da minha leve fobia social, é interessante ficar em um lugar onde ninguém mais te conhece. Na verdade, ninguém nem te nota as vezes, então eu posso ficar só eu, a natureza e meu caderno de escrita, sem ser o centro das atenções. Mesmo antes de fazer faculdade de literatura, eu sempre amei escrever. E um poema, um livro, um conto, uma crônica, uma fanfic, ou um simples diário são os meus modos de colocar tudo para fora antes de explodir. Da pra contar nos dedos as vezes em que realmente surtei, desde ataques de raiva ou coisas piores. Já reparei que os meus maiores surtos são sempre um evento anual desde os meus 14, 15 anos. Normalmente perto do natal eu não consigo mais conter tudo o que passei durante o ano e simplesmente tenho uma crise. Acho que certos acontecimentos em minha vida fizeram o surto vir em outubro em vez de dezembro... Mas ser esses dias que eu e meus amigos chamamos de Harry's stormy days, até que sou uma pessoa normal (o mais normal possível fazendo parte desse mundo sobrenatural pelo jeito), do tipo que as outras passam na rua e veem feliz tomando sorvete e nem imagina o resto... Não me julguem pelo que vocês viram de mim até agora... prometo que sou uma pessoa forte e feliz... mas não sou falso. E ninguém é feliz todos os dias. Mas que nem as outras, irei superar essa Harry's stormy days, por mim mesmo. Só preciso de tempo, e meu caderno de rascunhos para simplesmente deixar sair tudo em escrita. Pra organizar minha mente que as vezes vai rápida de mais. Seria legal um tratamento psicológico, mas James... Acabei por escrever um conto depressivo de título: "Escravo do medo" que fez todo o sentimento e confusão que sinto pelo meu pai sair. Com certeza ficou um conto digno de Edgar Allan Poe de tão macabro. Mas pelo menos me fez sentir mais leve. No final o caderno estava sujo com algumas lágrimas, e 3 lápis estavam quebrados por mini acessos de raiva, mas me sentia melhor em relação ao meu pai. Depois fui para o próximo tópico que não parava de rodar na minha mente: a verdade. O sobrenatural existe... mas o que isso significa? Se o Malfoy é filho de Lucífer com Lilith, o inferno deve existir. Será que o céu também? Fui anotando todos os meus pensamentos em forma de uma narrativa policial, onde esse mundo novo era o caso. Escrevi detalhando as pistas que tinha, e principalmente, as tantas perguntas que surgiam. E as poucos fui me sentindo mais animado. Eu era o detetive do da minha própria história, e no final, minha história era a minha vida. Então todos que eu vi com faces inumanas durante a minha vida são seres do céu ou do inferno? Ou será que existe outros seres sobrenaturais que nem aquelas séries de vampiros, lobisomens, bruxas, fadas...? E por que eu sou diferente? Pode ser impressão minha, mas era como se eu estivesse enfeitiçando o senhor Malfoy para ele me contar toda a verdade... como eu fiz isso? Mais do que isso, como é que eu ainda estou vivo depois de me jogar de um prédio? Era como se eu tivesse flutuando... será que isso significa que eu posso voar? Tipo ter uma asa? Será que eu sou uma fada? Seria legal ser uma fada, e eu bem que tenho o perfil de uma. Sou pequeno, adorável e fodidamente bonito... Sempre tive inveja da Sininho. O Peter Pan é um pedaço de mal caminho e ela o tem todo para ela... Acho que posso me acostumar a ser uma fada, na verdade acho que tenho até a fantasia de uma no meu loft que usei uma vez com o Mattheo... Divaguei por um momento lembrando de uma noite especifica onde naquela cama o céu e inferno eram muito reais para mim de tantas sensações incríveis que senti... Mas tratei de voltar aos meu conto policial e minhas dúvidas importantes. Como assim o Malfoy é um mafioso? Eu nem sabia que tinha esse troço de máfias em Nova York. Como isso funciona? Será que é tipo fanfic do w*****d? Se for assim, porque eu ainda não tenho um Daddy mafioso que me trata que nem a s/n? Que absurdo! Se bem que eu sou rico e não preciso de um Sugar Daddy... ok, vou deixar eles pra quem realmente precisa. Minha cabeça dava voltas e voltas repassando tudo o que o Malfoy disse ou fez para analisar e não deixar passar nada. Além disso avaliei todos os eventos que tive contato com o mundo sobrenatural desde que me lembro por gente, tentando achar os padrões e mais respostas enquanto anotava tudo com afinco naquele caderno. O r**m da verdade é isso, ela vicia, e você sempre busca por mais torcendo pra isso não te matar. Será que o Mlafoy já pensou alguma vez em me matar? Prego que se destaca é martelado, e eu sou diferente e sei do segredo dele... Ai meu Deus, será que eu estou sendo caçado por mafiosos nesse exato momento com um prêmio pela minha cabeça. "Para de ser paranoico Harry!" Briguei mentalmente comigo mesmo antes de voltar ao trabalho. Acabei a narrativa e comecei a escrever um monte de haicais ouvindo o canto dos pássaros, e as rizadas das famílias que vieram passar o domingo ao ar livre. Está um ótimo dia para passear, ainda mais com essa paisagem linda de outono. - Harry! Escutei alguém me chamar de longe, me assustando bastante. Era o Neville, um amigo de faculdade. - Oi Nevi, que susto cara! Ele se sentou ao meu lado na grama enquanto eu guardava o meu caderno. - Eu tô te chamando a mó tempão mano, você que está todo distraído ai e nem notou. - Desculpa é que... muita coisa pra pensar sabe - disse respirando fundo e vendo Neville me olhar com gentileza e compreensão. - Eu te entendo. Mas Harry, você está bem? Ele perguntou olhando nos meus olhos, com real preocupação e isso me partiu. Odeio que perguntem se eu estou bem quando eu não estou, sempre é certeza que eu vou chorar. Dito e feito. Pior que eu realmente já me sentia melhor depois de desabafar com o caderno, mas nada supera um ombro amigo. Não foi um choro desesperado que nem o de ontem depois que sobrevivi ao suicídio, muito menos o de hoje cedo quando tive uma crise de ansiedade no apartamento do senhor Malfoy. Esse foi apenas um choro silencioso de cansaço e perda. Para recomeçar precisa abrir mão do passado. É tanta coisa que estou com medo de me perder, mas ao mesmo tempo não quero me arrepender por não tentar... Por que o mundo é tçao confuso? Quando somos crianças tudo é simples, e tomar decisões é intuitivo. Mas quando crescemos é muita coisa pra escolher. Profissão, futuro, o que comer, o que vestir, o que falar para um loiro possivelmente sosciopata o qual você roubou o carro e que por acaso é o príncipe do inferno... Muitas decisões. E eu me sentia confuso na minha própria personalidade. Afinal eu sou forte ou fraco? Sou corajoso ou sou medroso? Sou o moreno sarcástico que adora literatura, a cor azul, música francesa, sorvete de menta, e sexo selvagem, ou sou o garoto sobrenatural que não para de chorar, tem crises atrás de crises e Harry's stormy days? Acho que só o tempo dirá. Quem sabe eu sou tudo isso, ou uma coisa completamente diferente e linda que eu quero muito descobrir... mas agora entendo que para isso acontecer eu preciso me dar tempo. Nada de desistir e não desvendar o mistério de quem eu serei, e a onde essa baboseira toda irá me levar. O meu conto policial precisa de um final, e eu mereço construir um. Fiquei ali chorando na companhia de Neville até perceber que o céu já se preparava para o por do sol. Eu real tinha perdido a noção do tempo. Hora nenhuma Nevi fez questão de saber o que aconteceu, e nem me pressionou para parar de chorar nem nada. Ele foi um bom amigo me abraçando, deixando eu desabafar apenas com lágrimas e soluços, vez ou outra me distraindo falando das orquídeas que ele está cuidando. E tudo isso me fez sentir culpado por não ter lembrado dele antes de tentar me matar ontem... Na verdade acho que ontem eu deixei de lado muita coisa boa, só me lembrando das piores partes da minha vida. Me esquecendo que a vida é feita de altos e baixos, e as tristezas e dores fazem as alegrias e amores terem mais sentido. E o maldito equilíbrio que não quer dizer suprimir a tristeza em prol da alegria, e nem o contrário. E sim admitir que tudo bem ser alguém de fases, alguém imperfeito. - Neville eu tenho que ir - Claro Harry, se precisar de companhia mais vezes pode contar comigo. Eu sei que as coisas nem sempre são fáceis, mas é para isso que servem os amigos. Ele disse me abraçando depois que levantamos para caminharmos até a saída do parque. - Obrigada por tudo isso Nevi... eu realmente estava precisando de um amigo - disse dando um sorriso para ele. - As coisas não doem para sempre Harry... você só precisa relaxar um pouco. Sabe a boate que eu falei que trabalho as vezes? Você deveria ir lá hoje a noite, eu to de folga então não devo te ver lá, mas lá é um espaço legal para descontrair um pouco, beber e dançar esquecendo dos problemas. - Talvez você tenha razão... vou ver se dou um pulo lá mais tarde então. Beijos, e obrigado novamente. Disse dando um último abraço nele antes de entrarmos em nossos carros e darmos a partida. Fui para o loft que os Potter tem no Brooklyn. Meu pai nunca gostou desse lugar, mas eu pedi a muito tempo para ele não vender, então ele manteve o lugar sendo indiferente a ter mais uma propriedade ou não. Mas para mim, aqui é tudo. James nunca viria nessa parte da cidade, então é onde eu posso ser quem eu sou. Aos poucos com a minha mesada eu fui mobilhando o lugar, colocando coisas que eu goste, comprando roupas "afeminadas" mais ousadas para montar um closet dos sonhos, e até mantendo um quarto para sexo quando to afim de ter um momento mais picante com algum ficante. Tipo aqueles com Mattheo que eu tive um devaneio essa tarde. Se eu pudesse eu morava aqui. Cheira quase que a lar... Pedi comida mexicana pelo aplicativo e depois fui tomar um bom banho, me sentindo mil vezes melhor de poder tirar a roupa de ontem e colocar meu moletom favorito. Comecei a ver a nova temporada da minha série favorita, e logo em seguida a comida chegou. Comi que nem um boi e depois fiquei gastando tempo lendo fanfic no meu celular. Se agora alguém me perguntasse se estou bem eu responderia que estou em processo de construção. Não doí tanto como na hora que meu pai falou que tem nojo de mim, ou quando acordei no apartamento de um estranho me sentindo vulnerável. Mas cicatrizes precisam de tempo para sarar. No entanto estou tentando focar nos pontos positivos da vida. Como a ideia de me produzir até me sentir um p**a gostoso e sair pra curtir a noite. Comecei a me aprontar para ir na boate que o Neville falou. Porque afinal das contas, ele estava certo. Eu já tenho ansiedade, se ficar o dia inteiro pensando nas coisas sobrenaturais, de máfia, do meu pai... eu vou enlouquecer. Não tem como eu resolver nada agora mesmo, tudo é um processo e não tem como gozar antes de f***r, do mesmo modo que não tem como sorrir antes de se permitir ficar de cara fechada por alguns dias. Então o que me custa relaxar um pouco que nem todo jovem de 19 anos na melhor boate da cidade? Amanhã eu já decidi que vou me acertar com o meu pai minimamente tentando me impor mas com respeito. Vou buscar um equilíbrio que torço pra dar certo. Depois vou procurar o senhor Malfoy para devolver o posche e fazer algumas perguntas sobre tudo isso que eu ainda não entendo... Até lá, eu vou ser o Harry livre e sem máscaras que aos poucos vai superar tudo o que aconteceu ontem. Eu sei que tenho problemas, e ontem foi uma bela recaída. Mas as coisas parecem que estão melhorando. Pelo menos agora eu tenho a verdade e posso começar com isso. Um passo de cada vez por mim mesmo. Porque agora eu sei que tem todo um mundo novo que eu preciso explorar antes de morrer. Sou curioso, e mereço isso. Mas enfim, demorei muito para me arrumar, mas depois também (mesmo eu que tenho baixa alto estima) me olhei no espelho e me achei gostoso. Saí do loft e mesmo a boate sendo no Queens, em menos de maia hora eu estava lá. Sinceramente, eu não fazia a mínima ideia de como entrar. É certo que eu posso dar uma de riquinho e lembrar o segurança que meu pai é o vice prefeito, sendo assim eu já estaria dentro. Mas não quero usar o meu pai para isso... Ainda não perdoei tudo o que ele falou, e tenho direito a isso. Assim que cheguei um manobrista já veio para estacionar o carro, sendo que pelo que eu sabia, essa boate não tem manobrista... Achei estranho, mesmo assim saí do carro fazendo menção de entrar na fila. Foi quando o segurança do local me perguntou: - Pode entrar senhor. Fique a vontade. Eu não fazia a mínima ideia do porquê disso está acontecendo, mas muito feliz fui até o segurança vendo todo mundo na fila me olhar como se quisesse me matar. - Por que? senhor... - Perguntei ao segurança fazendo menção de querer saber o nome dele. - O sou o Goyle senhor. E o carro que o senhor veio é um dos carros cadastrados pelo senhor Malfoy para que quando chegarem os passageiros tenham acesso livre a boate. O senhor deve ter vindo aqui com esse caro com a permissão dele não é? O segurança simpático perguntou e só afirmei com a cabeça devolvendo o sorriso, e não entendendo o porquê do Malfoy ter tanto controle na boate, mas não fazendo questão de montar esse mistério. O que eu quero é beber muito e dançar pra c*****o. E foi assim que eu adentrei a boate, como se fosse um deus, e me sentindo muito bem por ser tratado como um. Vocês podem pensar que estar em uma boate sozinho é deprimente. Nenhum amigo para rir junto ou fazer palhaçada... mas para mim estava sendo libertador. Virei vários shots de tequila e depois fui para o meio da pista de dança. Me esbaldei lá até que vários caras deram em cima de mim. Fiquei com alguns, dei fora em outros... mas o importante era que eu estava me divertindo. Não com o intuito de fugir dos meus sentimentos, mas apenas viver e aproveitar a segunda chance que eu mesmo me permiti dar. Ser verdadeiro é tão... brilhante. Não me impressiona essa ser a melhor boate da cidade. O lugar é bem planejado, o Dj é ótimo, a bebida melhor ainda. E tem até barras de poli dance! Não que em algum momento da noite eu tenha subido pra dançar em uma delas... Quem eu quero enganar, eu subi sim. E não me arrependo de nada! Deus me livre se alguma foto de hoje vazar nas redes sociais expondo o filho do prefeito fazendo poli dance... aí sim meu pai me mata. Por ser um domingo a noite, Hades estava bem vazia para os parâmetros normais, permitindo então, que eu tivesse total visão de um certo loiro que por volta da 1h da manhã apareceu no camarote. Draco Malfoy estava na boate, na verdade, ela agia como se fosse o dono... e simplesmente assim tudo fez sentido. Merda. Um instante depois deu ter sacado isso, nossos olhares se cruzaram. O problema é que eu estava muito bêbado a essa altura. Muito mesmo. Então apenas sorri para ele, piscando o olho antes de dar dedo do meio e voltar a beber. Isso até eu sentir fortes mãos me pegarem pela cintura e me colocar em cima do ombro de alguém. Não que eu ligasse, estava bêbado e tudo era engraçado, até mesmo ser carregado nos ombros de Draco Malfoy para sei lá onde.
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