"Tenho duas caras.
Uma é quase bonita,
outra é quase feia.
Sou um o que?
Um quase tudo"
Clarisse Lispector
❤Draco Pov❤
Fiquei bebendo a tarde toda na Hades em companhia a Pansy e o Blaise, colocando o papo em dia.
Como se a gente não tivesse conversado ontem, e ante ontem, e todos os dias que antecederam eles.
É incrível o modo como nunca acaba assunto quando estou com esses idiotas infernais. Falamos do corpo que o mais velho desovou ontem de madrugada e o susto que ele levou de uma coruja que apareceu do nada, da nova faca pra tortura que Pansy comprou na wish por 2 dólares, do moreno que sequestrou meu carro e me fez de idiota...
Só assuntos normais eu diria.
Quando anoiteceu e a boate começou a encher gradativamente, e eu tive que sair dali um pouco. Muito hetero top junto me da vertigem. Então fui para o meu escritório (que é perto do camarote) adiantar algumas papeladas da slytherin.
Assinar atestados de óbito, pagamento dos funcionários, propina para os comandantes dos 4 distritos policiais, confirmar mais um carregamento de armas...
Eu simplesmente odeio isso.
Ação é muito melhor que papelada. Prefiro enfrentar mil tiroteios e operações em uma semana do que ter que passar um dia assinando a p***a de papeis e mais papeis.
Amo quando Blaise, o casal wolfstar ou algum dos gêmeos fazem isso para mim. Se bem que da última vez que Fred ou Jorge ficaram responsáveis pela papelada acabaram permitindo que a máfia comprasse 10 mil bolinhas coloridas tipo daquelas de colocar em piscina de bolinhas para crianças...
Temos aqueles troços no galpão até hoje, e toda hora alguém joga uma na minha cabeça...
Não sinto dor, mas me irrita pra c*****o. Ginny já ouviu muito as minhas reclamações sobre isso nas nossas seções semanais de terapia, mas como ela é irmã dos gêmeos, minha terapeuta tem a audácia de rir de mim também.
Quando vi já havia passado da meia noite e eu ainda estava naquele escritório tedioso, saindo do domingo e nos fazendo entrar em uma segunda feira.
Eu ameaçaria deus* se isso me garantisse que ele iria excluir todas as segundas feiras da face da terra...
Resolvi aproveitar um pouco antes de voltar para casa ou ter que ir no porto sul de manhã (as vantagens de não ter que dormir), então saí finalmente do meu escritório e adentrei no camarote da minha boate, saindo assim do silêncio absoluto para a música alta e vozes.
Pedi um drink ao garçom e comecei a observar o movimento. Nada de novo, pessoas dançando no poli dance, outras se comendo nos cantos escondidos que infelizmente pela visão infernal eu consigo ver... e um par de olhos verdes.
Mas não eram um par de olhos verdes, e sim o par.
Pottah.
Por um minuto me perdi na beleza do desgraçado. Se possível ele estava ainda mais gato nessa roupa incrível...
Não! nada de achar ele bonito por mais que ele seja um p**a gostoso. Ele é problema. Em menos de um dia já fodeu com o meu psicológico.
Se não fosse tão inocente eu o mataria sem pensar duas vezes.
Mas que merda ele está fazendo aqui? Será que ele veio com alguém? Será...
Respirei fundo pensando se eu realmente me importava com o que ele veio fazer na Hades ou não... mas aí ele piscou em minha direção safado, com um sorriso ladino no rosto antes de ter a audácia de dar dedo do meio para mim e continuar a dançar.
Mas que moleque atrevido!
Antes mesmo que eu pudesse me conter, me vi caminhando até o testa rachada apertando o copo de bebidas em minha mão até o mesmo quebrar me molhando um pouco.
Não liguei.
Quero meu carro de volta e quero saber como o quatro olhos conseguiu me hipnotizar, e eu tentava me convencer que era apenas por esses dois motivos que eu queria conversar com ele.
Não posso deixar que aconteça de novo, digo, a hipnose, pois isso é sério. Tenho muitos segredos que me fariam mata-lo de boas antes de revela-los.
Segredos mais profundos que a minha identidade... a identidade de quem eu amo.
Eu realmente me importo com pouquíssimas pessoas dentre os 3 mundos, mas faria qualquer coisa para protege-las.
Qualquer coisa.
Me aproximei do mais baixo vendo que ele estava visivelmente bêbado ao ponto de tropeçar e se jogar nos meus braços em meio a gargalhadas.
Não sou pervertido ao ponto de segurar a cintura alheia do nada, foi ele que se jogou em mim me obrigando a isso. Então o segurei firme, ignorando a formigação que tal ato fazia na minha pele.
Estávamos tão perto...
Harry Potter era quente mas não como calor e chamas que nem eu. Ele era mais como eletricidade fazendo cada toque ser arrepiante e energizaste.
- Potter, se levanta ou eu vou te largar e deixar você cair no chão.
Não obtive respostas, apenas uma risada boba como se ele estivesse acabado de achar a droga do coelhinho branco.
E não me pergunte que merda de coelho é esse. Só pensei e é isso, segue o bonde.
- Potter, precisamos falar sério sobre o que eu te falei. Credo to parecendo o meu pai de tão sério - Estava falando ainda o segurando pela cintura, mas interrompi quando percebi o menor fazer ânsia de vômito - NEM SE ATREVA A VOMITAR EM MIM HARRY POTTER! ESSE c*****o DE TERNO É CARO.
Ignorado com sucesso por um bêbado.
"Que ótimo Draco" comecei a me repreender mentalmente "Como é que você saiu de príncipe do inferno e líder slytherin para a babá de marmanjo bêbado que sequestrou ser carro, te hipnotizou e agora vomitou em você?"
Aposto que papai se encontra revirando na cama de tamanha decepção do estado lamentável que me encontro.
Tinha que ser o Potter para estragar o meu dia que já estava ruim... POR CULPA DELE NOVAMENTE.
Parei de surtar um pouco para pegar aquele anão de jardim e colocar em meu ombro.
E sim, estou sequestrando ele pela segunda vez, mas f**a-se. Precisamos conversar mas para isso ele precisa estar sóbrio.
Além disso não quero deixar ele nesse estado aqui em baixo. Aqui na minha boate temos uma política muito séria pra quem assedia alguém... mas sempre há o risco.
Comecei a caminhar para o meu escritório ainda carregando a batatinha de óculos e saia comigo. Todos desviavam de nós como se não se importassem. Alguns demônios, incluindo os meus amigos, me olharam curiosos, mas não se atreveram a interromper.
Quando do nada senti um forte tapa sendo proferido contra a minha b***a me assustando e me fazendo parar no meio da escada.
- Olha aqui seu filho da p**a, eu sei que você está bêbado mas se fizer isso mais uma vez arranco a sua mão está me escutando Harry Potter!
Falei com o menor com uma voz baixa e nada agradável. Senti ele concordando mesmo eu não estando vendo propriamente o seu rosto, então voltei a caminhar.
Quando ele fez de novo. Com mais força. E ainda tendo a audácia de rir depois.
Tive que conter o fogo que ameaçava irradiar da minha mão, e procurei chegar logo no meu escritório antes que eu queime esse desgraçado nanico.
"Pense na empatia que você sentiu quando o Harry foi avaliado por Aristória", "pense na empatia" fiquei repetindo várias e várias vezes na minha mente como se fosse um mantra de calma até chegar na minha sala.
Com nenhuma gentileza derrubei ele no sofá grande que rodeia a minha mesa de documentos antes de ir até o banheiro em anexo para ver o estado da minha roupa.
Me olhei no espelho e vi todo o vômito no meu terno e blusa social de baixo. Sem nem pensar duas vezes tirei-as e joguei no lixo.
- Vai pro quinto dos infernos e nem ouse me cumprimentar quando eu voltar para lá Harry Potter - disse quando voltei para o escritório indo até o mais novo e dando dedo do meio pra ele.
- Vai se f***r Malfoy - O moreno resmungou me assustando já que eu pensei que ele tinha desmaiado, morrido ou algo assim naquele sofá.
- Prefiro f***r outra pessoa obrigado - Disse com sarcasmo.
- E eu te perguntei por acaso se você é top ou bottom? Só mandei você me deixar em paz. Mas se é um convite, eu aceito Daddy - Falou com uma voz arrastada e meio descompassada pela bebida, mas tentando soar sexy, antes de se virar se encolhendo em uma bolinha.
Isso me deixou real sem reação. Obvio que eu prefiro ser chamado de "senhor" em vez de "Daddy", mas que ouvir Pottah falar isso fez um arrepio percorrer meu corpo e uma pontada nos meus lugares baixos. Mas tratei de esquecer.
Ele nem vai se lembrar quando acordar, e é melhor assim.
Em menos de um minuto Potter dormiu, o que me deixou fascinado. Juntando toda essa diferença de passagem do tempo entre inferno e Terra que eu m*l entendo, fazendo o meu sono desregular, com o fato que eu sempre tive insônia e pesadelos, é raro eu capotar na cama e dormir que nem Potter ou que nem fiz ontem. Só quando estou muito cansado.
Harry ressonava baixinho do mesmo modo que fez no quarto de hospedes do meu apartamento. Lá eu achava ele fofo e meigo... eu ainda acho isso, mas só quando ele está dormindo, porque quando estar acordado é pior que o estereótipo do meu pai.
Um capeta, ou melhor, um capetinha.
Eu estava imerso nesses pensamentos quando o alarme de alerta que todos nós da slytherin temos apitou no meu celular. Temos esse sistema de "S.O.S." para que quando der uma merda grande um de nós avisar os outros e pedir ajuda.
E Pansy acionou o dela.
Isso me desesperou de um modo quase impossível de descrever. Pansy nunca acionou o alarme dela antes pois nunca precisou. A diabinha sempre deu conta do recado mais do que qualquer um. Mas se ela acionou agora...
Pansy não é como eu e Blaise, ela é meio mortal por causa da mãe. Ela tem a força, rapidez, e imortalidade de um demônio, mas é vulnerável como um humano. Fazendo com que ela possa morrer desde com uma doença qualquer ou um tiro...
Por isso eu e Blaise agimos como irmãs para a mais nova. Sabemos que Pans sabe se cuidar e muito bem, mas não evitamos o medo de perde-la, e a sensação de protege-la a qualquer custo.
Não sei o que eu faria se caso acontecesse algo com ela.
Não liguei para o fato de estar só de calça, apenas corri para fora do meu do meu escritório pegando as minhas armas no armário no caminho.
Uma pistola pequena, algumas facas pra cintura, alguns pentes de munição reserva, e uma glock reserva na cintura.
Pans estava na Hades na última vez que a vi, isso significa...
Merda.
Assim que adentrei no camarote ouvi os tiros.
O andar de baixo estava um pandemônio. Mundanos desesperados gritando e se escondendo. Alguns poucos sonserinos armados atirando contra o que eu suponho ser grifinórios mascarados, tentando impedir o avanço deles no recinto...
COMO ELES OUSAM INVADIR O MEU TERRITÓRIO? A MINHA BOATE!
Senti a temperatura começar a aumentar a minha volta a medida que eu gerava e irradiava calor, mas me obriguei a manter o controle. Preciso achar os meus amigos.
Vi Pansy e Blaise encurralados atrás do balcão das bebidas. A menina lançava tudo o que via na frente na cara dos atiradores enquanto o n***o* atirava contra os invasores desgraçados com uma pistola que ele carrega pra todo lado.
Respirei aliviado em saber que eles estavam bem. Blas estava com ela, ainda estavam vivos... mas não por muito tempo se os integrantes da Gryffindor continuarem a avançar para dentro da minha propriedade.
- Seus desgraçados!
Comecei a atirar também descendo as escadas de vagar e me mantendo escondido para não levar um tiro e para me juntar aos meus amigos.
A boate ficou estranhamente fúnebre sem a batida contagiante da música e as pessoas dançando e se esfregando. Em vez disso tem corpos manchados de sangue, gritaria, barulho de tiro e choros de desespero.
A parte da entrada da frente estava tomada, então todos estavam aglomerados nos fundos perto do palco e das bebidas.
Consegui me arrastar até meus amigos. Eu literalmente poderia andar até eles em meio as balas sem nem me arranhar. Mas não estou afim de receber olhares chocados sobre mim e meus poderes. O sobrenatural não é para todos saberem.
Se bem que eu estou gato com o meu peito tatuado nu ao ponto dos grifinórios se distraírem com a minha beleza exuberante e acabarem com essa palhaçada de tiroteio... mas melhor não arriscar.
- Demorou em cara - Blaise disse antes de se virar e atirar no ombro de um deles, nos dando cobertura para conversarmos.
- Problemas com um certo serzinho irritante - respondi simplório antes de me virar e contar. São cerca de 15 homens, o que seria de boas se não tivesse tantos inocentes aqui. Anjos, humanos, bruxos, demônios... todos buscam a Hades como um lugar neutro para apenas se divertir.
Para se sentirem seguros.
- Harry Potter de novo? - Pansy perguntou enquanto gargalhava antes de se levantar rapidamente e lançar uma das facas que os barmans usam para cortar as frutas bem no olho de um dos mascarados.
Ela estava amando toda essa situação, mas sei que no fundo ela está preocupada. Todos estamos.
Confirmei com a cabeça sentindo uma bala passar de raspão no meu ombro o que me fez revirar os olhos. Estalei os dedos ouvindo logo em seguida os gritos do cara que tentou atirar em mim quando o fogo o consumiu até ele virar pó, e depois as chamas desaparecerem de acordo com a minha vontade.
- Aquele pestinha vomitou em mim acredita - Disse indignado.
- Acho que temos um futuro casal aqui - Blaise disse me olhando e tentando segurar as risadas enquanto voltava a manter a guarda para nos proteger.
- Drarry... eu shipo em - Pansy disse ainda abaixada do meu lado.
- Cala a boca vocês dois em c*****o. Foca no tiroteio, tem inocentes aqui e eu sinto cheiro de sangue a esquerda.
- Estraga prazeres - Pans resmungou, mas voltou a prestar atenção na nossa atual cituação.
- Eles nos pegaram despercebidos, acabaram atirando em algumas pessoas antes que a gente pudesse reagir - Blaise explicou.
Mas agora a questão é que estamos de mãos atadas. Tem poucos sonserinos na boate agora pois não temos muitos seguranças assim em noites de domingo pra segunda, em comparação temos muitos civis.
Eu não posso simplesmente incendiar todos esses idiotas sem causar mais caos. Não posso prever todos os efeitos colaterais, e não estou afim de incendiar mais uma das minhas boates.
E enquanto isso o tiroteio continuava. Grifinórios mascarados se escondendo atrás dos móveis da entrada da boate. Meus seguranças jazidos no chão mortos ou desmaiados. Pessoas jogadas ao chão tentando desesperadamente salvar as suas próprias vidas. Sangue manchando o sapato e dando uma visão ainda mais exacerbada a confusão.
E pela primeira vez eu não sabia o que fazer.
Mas foi quando o vi.
Nem sei porque olhei lá para cima com a confusão acontecendo aqui em baixo, mas era como um ima que me induziu a olhar e a vê-lo.
Harry Potter estava lá em cima no camarote com uma cara amassada de quem acabou de acordar e que está com uma ressaca terrível. Mesmo com as roupa amarrotada e cabelos completamente desarrumados, ele parecia um fofo.
Fofo é o c*****o, aquele moleque i****a estava se expondo a um tiroteio e poderia levar a merda de um tiro.
- Draco Malfoy, o que você pensa que está fazendo? - Blaise perguntou quando eu do nada me levantei.
- Pottah... - Tentei explicar mas Pans me puxou para baixo.
- Aquieta a merda do cu Draco. O cabelo espetadinho vai ter que se cuidar - Pans disse ríspida e quando ela fala assim, qualquer um obedece. Vai por mim.
O tiroteio continuou, mas eu não consegui tirar os olhos do daquela imensidão verde que parecia tão confusa olhando aqui pra baixo.
E se algum tiro pegasse nele? e se os grifinórios vissem que tem alguém no camarote e tentasse chegar nele? Potter já sofreu de mais e não merece estar no meio da confusão da minha máfia.
Ele pode me tirar do sério e me fazer ter vontade de queima-lo vivo mesmo o conhecendo a tão pouco tempo. Mas apenas eu posso ameaça-lo, sem ser isso ele está sob minha proteção desde que eu o atropelei.
Mas de repente uma áurea de poder o rodeou e começou a emanar em ondas, não se assemelhando a nada que eu tenha visto em meus 2500 anos.
Era fabuloso e... poderoso, fazendo meu coração bater estranho e o meu lado infernal se sentir bem, como se eu estivesse... em casa.
Era como se eu estivesse presente ali na Hades, mas também em outro lugar. Era uma sensação de dejà vú que fazia uma pequena melodia de ninar vir a minha mente. Não me lembro dela, mas sinto que conheço a música, sua letra, sua história... mas não consigo colocar em palavras.
Era como uma sensação que me dizia que a melodia era importante para mim em algum momento do passado, mas que agora não significa mais do que devaneios alucinógenos devido a Potter e aquelas ondas de poder estranhas, as quais brilhavam um roxo fosco e clarinho misturado com um azul perolado que faziam desenhos estranhos no braço dele.
Como se contornassem as suas veias, formando pequenos raios no anti-braço.
E isso foi saindo do Potter e preenchendo toda a boate fazendo a pequena melodia em minha cabeça parecer ainda mais familiar, todavia, tentei afastar esses pensamentos e focar na realidade.
E de repente tudo estava envolto naquele véu que era fluido e se movia graciosamente pelo ar envolvendo todos e gradativamente... nos acalmando.
Era como se fosse paz líquida injetada bem nas nossas veias, fazendo com que toda a adrenalina e todos os nossos desejos de continuar com o tiroteio, de continuar com o caos... evaporassem de nossa alma e fossemos levados aos nossos lugares felizes mentais.
Um lugar feliz é uma tática de relaxamento que consiste na pessoa criar um cenário em sua mente contendo algo ou alguém que lhe deixe em paz e feliz. Em grandes magnitudes isso pode até evoluir para uma DR, mas normalmente é apenas um pensamento feliz, um desejo, uma sensação ou uma lembrança que lhe dá esperança e acalma a sua alma.
E essa joça que eu fui obrigado a aprender no meu treinamento no inferno (para impedir que as almas torturadas vá para o seu lugar feliz) deve explicar essa melodia intrigante que está entoando na minha mente me dando a sensação que estou esquecendo de algo importante.
Que merda, por que o meu lugar feliz é uma melodia que nem me lembro em vez de coisas mais divertidas como uma orgia, eu torturando um estuprador no inferno, ou quando nos divertimos com a máfia? Que porre.
Todos na boate pareciam estar em seus lugares felizes, até os meus amigos pareciam mais calmos, mesmo ainda estando focados o suficiente para me olharem questionadores e espantados se perguntando que merda estava acontecendo.
Mas eu não estava com medo pois sabia quem estava fazendo isso e porquê, mesmo não sabendo como ainda. Quem estava irradiando paz para todos do mesmo modo que irradiou para mim no armário da minha dispensa enquanto surtava por causa de uma flecha que eu nem lembrava estar no meu ombro.
Harry é realmente poderoso.
E eu ainda não sei o que ele é, mas acho que vou me surpreender, pois ele já me surpreende. E me irrita, isso também obvio.
"Foca no irrita Draco".
Saí do meu transe quando vi cada m****o da Gryffindor largar a sua arma as deixando cair no chão. Uma a uma se chocando contra o piso de mármore e se sujando do sangue vermelho, preto e dourado.
Os gritos e choros de medo também cessaram um pouco. Todos estavam assustados, mas isso não resultava mais em impulsos violentos ou histeria coletiva.
Todos estavam em completa e total paz, graças aos olhos verdes que me olhavam tão extasiados e felizes mesmo estando apavorados.
Harry parou de irradiar essa paz estranha que deixam todos chapados, e de relance vi os grifinórios saírem da boate as pressas carregando os feridos e os corpos dos seus, como se as suas vidas dependessem disso e na real, sem as armas deles, realmente dependia. Mas nem foquei nesse fato, pois no estante seguinte Potter havia desmaiado.