Se for pra fazer isso, vamos fazer direito

4071 Palavras
"Atelophobia The fear of imperfection. The fear of never being good enough" Leiam com: "Locked out Of Heaven" do Bruno Mars Harry Pov Sabe quando você olha pra sua vida e pensa: "Merda, como deixei chegar a esse ponto?!" É exatamente o que estou pensando agora, enquanto a bala perfura a pele do meu ombro. Epiderme, derme, hipoderme... Ficando bem alojada no meu músculo perto da clavícula. A dor quase que alucinante ia aumentando a medida que a adrenalina abaixava, e não do jeito bom, posso garantir. Nada disso era tranquilo, ou minimamente suportável como eu imaginava. Nos filmes levar um tiro parece ser quase nada, quase que algo rotineiro... mas a realidade é uma v***a má, que faz um tiro parecer que está te queimando por dentro. Seu sangue borbulhando, a dor se espalhando lentamente, me consumindo no caminho e me fazendo lembrar das palavras de Draco... eu também sinto isso agora. Senti o meu sangue escorrendo com uma ligeira pressão. Como quando arrancamos a rolha de uma garrafa de vinho e deixamos o seu conteúdo escorrer para fora. A única diferença é que a "rolha" ainda está dentro de mim, como uma intrusa de metal oriunda da arma da pessoa que mais confio. E para quem estava com dúvidas, sim o meu sangue é vermelho. Talvez um pouco mais pastoso e fosco do que as outras pessoas, mas com certeza o vermelho dos humanos tingia a minha camisa social branca. E tudo isso era de mais. O tiroteio, minha cabeça zumbindo, as memórias do que Draco me disse no carro, a dor latejante, a queimação no lugar atingido... e por isso aos poucos fui perdendo a razão. Tudo foi saindo de foco até finalmente eu desmaiar naquele aeroporto horrendo, na frente de ninguém menos que meu pai. Tudo por causa desse maldito plano. 24h horas antes Nos dias que se seguiram entre o Natal e o Ano Novo eu e Draco trabalhamos no plano de como vou conseguir a confiança de James para entrar na Máfia dele. E isso resultou em horas e horas de conversa entre mim e o loiro... por um lado foi bom, mas pelo outro meio assustador. Draco é uma boa pessoa pra se conversar, sempre mete mil assuntos aleatórios no meio da conversa e perde a linha de raciocínio rapidamente. A não ser quando o assunto é sério. Aí ele se concentra ao extremo, trava aquele maxilar perfeito e só relaxa quando resolvemos o assunto. Mas o fato de eu ter reparado nisso tudo em Draco me assusta pra c*****o. Tipo, em que momento eu comecei a reparar em cada nuance de Malfoy? E se isso continuar caminhando assim... Vou mudar de assunto antes que eu comece a pensar de mais. Focando no plano, de maneira simplificada iremos fazer o seguinte: Amanhã é véspera de ano novo, e como sempre meu pai irá viajar rumo a nossa casa de campo, a Potter's winter house para passar a virada do ano vendo a melhor vista que o dinheiro pode comprar. Ele irá com os seus seguranças no nosso jatinho particular, saindo do nosso aeroporto. E antes eu pensava que todos esses guardas era por ele ser vice prefeito, mas pelo que a Slytherin descobriu, não é bem assim. Segurança de ponta Gryffindor, o que deve significar que meu pai tem um cargo alto dentro da máfia, e por isso precisará de um grande ato para ele me falar sobre ela e me faça um m****o. E nada como ganhar a confiança salvando a vida da pessoa. Por mim eu deixaria James morrer... mas acho que a ideia vai ser o contrario disso. - Ok, repita o plano para mim. O que você vai fazer? - Draco me perguntou pela décima vez só desde que acordamos. Estamos na cobertura dele, tomando café da manhã junto com o pessoal todo, isso é: Luna, Pansy, Blaise, Fred, Jorge, Remus, Sirius, Regulus, Snape, Theo... Na verdade foi engraçado, Luna, Draco e eu acordamos com a casa sendo invadida por essa cambada de gente. Todos moram nesse prédio ou em Hogwarts (no caso dos gêmeos que até tem dinheiro para comprar um apartamento, mas preferem gastar com outras coisas e continuarem de favor em Hogwarts), mas todos preferem fazer algumas refeições aqui na cobertura do Draco em vez de cozinhar, pois segundo eles: "aqui sempre tem fartura, e é o patrão que banca". E é verdade. Agora mesmo a mesa esta lotada com mais variedade de frutas do que uma feira, todos os tipos de geleias que você pode imaginar, além de café, sucos... Agora que me dei conta que Draco é como se fosse o Daddy de todos da máfia... não que eu esteja reclamando. - Hoje eu vou chegar para o meu pai e dizer que quero ir com ele nessa viagem, pois preciso dar um tempo já que tem uma garota que eu transei e fugi no dia seguinte, atrás de mim - Quase vomitei, uma reação que sempre tenho ao repetir isso. Snape acha que é importante criar um plano de fundo para manter a minha aparência de quem parou de ser gay. Como se sexualidade fosse uma escolha. - Olha irmão, Harry arrasador de corações de novinhas - Fred disse cutucando o gêmeo que devorava um pão com voracidade. - Ta mais pra comedor de novinhas - Jorge completou ainda com a boca cheia. - Com esse cabelo? Com essa cor? E com essa roupa? meu amor - Pansy disse brincando com o fato deu ser mais gay que a própria definição de gay. Todos explodiram em risadas, Sirius até entornou sem querer o chocolate quente que seu marido estava tomando, fazendo Remus ficar com um beicinho adorável. É incrível olhar para essa mesa cheia de gente que se importa comigo, que são quase que uma família para mim. Sempre bem humorados e curtindo o dia, como sempre quis fazer mas Ron e Mione nunca gostaram... Mas Draco continuava sério no meio dessa bagunça. Mesmo estando só de calça de moletom, e tendo acabado de acordar, ele continuava exalando profissionalismo, e talvez um pouco de preocupação. Além de beleza é claro. Aquele cara sempre vai exalar beleza. - E depois, o que vai acontecer? - Ele perguntou antes de dar uma golada na sua bebida, a qual eu aposto ter álcool, mesmo sendo 9h da matina. No entanto o mais engraçado era a caneca que dizia: "O melhor diabinho do mundo" com um desenho tosco de um capetinha. - Eu e ele vamos com os seguranças até o nosso aeroporto pegar o jatinho amanhã, mas vocês vão aparecer de máscaras atirando com os carros da slytherin. Vou fingir estar desesperado, mas quando você atirar na direção do meu pai eu vou pular na frente e ser a merda do herói - Falei para Draco antes de saborear um morango tentando ser o mais sexy possível. Se eu morrer amanhã... tenho direito a uma ultima noite de diversão né?! Malfoy concordou com a cabeça sobre o plano, tentando olhar nos meus olhos em vez de para a minha boca. O que deve estar sendo até uma cena engraçada para os outros. Eu em uma das cabeceiras da mesa, e Draco na oposta, flertando descaradamente enquanto conversamos de como ele vai atirar em mim daqui 24h para me dar um cartão passe para a máfia rival como espião. Só mais um dia nessa maluquice da minha vida. - Cara, vão para cama logo, ou parem com essa merda que esta me dando vontade de vomitar ou me juntar a vocês - Pansy disse, fazendo as safiras e as esmeraldas pararem de se encarar, e foi só aí que percebei que estávamos quase que em transe olhando um para o outro. - Se Pansy vai se juntar a vocês nós também queremos - Os gêmeos falaram em uníssono. - Eu não recusaria um ménage com vocês - Resmunguei sem querer, vendo Draco me olhar feio logo em seguida. Devolvi o olhar em afronta pois sou solteiro e posso muito bem dormir com os gêmeos se eu quiser. Mas logo depois Draco desviou o olhar sorrindo ladino. - Calem a boca - Draco disse para os amigos antes de voltar a comer. - Hazz, lembre- se que qualquer coisa é só nos chamar - Remus começou a falar comigo. Ele e Sirius estavam logo ao meu lado na mesa. - É meu garoto, cuide-se... não sei por que Malfoy não nos deixa fazer parte dessa missão, poderíamos estar lá para te proteger... - Padfoot disse. Ele estava meio histérico em saber que eu vou me envolver nisso tudo. Mas quando que Sirius não está histérico né. - Deve ser porque você surtaria quando eu levasse o tiro, e estragaria tudo correndo para me ajudar, né padrinho. - Harry tem razão amor. A intenção desse plano é que ninguém reconheça os sonserinos para que a identidade do Draco e dos outros se preserve. Tem que parecer um atentado aleatório contra o James, não um plano pra fazer o Harry ganhar a confiança dele. Nós somos muito envolvidos com o Hazz, e certamente você não daria conta - Remus explicou. Sirius e Remus continuaram com essa conversa. O motoqueiro fazendo drama que nem uma criancinha, e Remus tentando ser racional. Uma dinâmica de casal única deles que eu senti falta durante todo esse tempo que eles me afastaram. Acho que nunca vou conseguir esquecer o que eles fizeram... mas não quero estragar o meu futuro com eles não me dando o luxo de tentar uma reconciliação... Não sei, essas coisas são complicadas, e só sei que doí. O resto da mesa conversava como se estivessem em uma festa ou fazendo a xepa na feira de tão alto, o que é até que reconfortante depois do silêncio eterno que vivi na cobertura Potter. Aos poucos a comida foi acabando e todos indo para seus próprios afazeres. Enquanto isso eu tentava me controlar os meus próprios sentimentos referente ao que vai acontecer. A ideia de levar um tiro é assustadora, mas o que vêm depois disso quase me paralisa de medo. Se o plano der certo eu vou passar alguns dias no hospital (se eu não morrer...), e quando estiver recuperado (se eu não morrer) vou exigir explicações sobre tudo isso do meu pai, como se não soubesse nada de máfia. Vou deixar claro que ele pode confiar em mim, já que eu literalmente vou levar um tiro por ele. E quem sabe assim, eu entre para a Gryffindor, ou acabe morrendo... E é ai que as coisas vão começar realmente a se complicar. Vou ter que dividir o meu tempo entre fingir ser um grifinório, fazer as coisas que eles pedirem, descobrir informações, ir pra faculdade (estou de férias, mas ano que vem volta com mais um período), treinar em Hogwarts, impedir o apocalipse, me concentrar em não morrer... Tomara que eu não enlouqueça fazendo tudo isso. - Batatinha, você está bem? - Draco perguntou quando estávamos a sós na Sophie. Pelo jeito ele me perguntou algo, mas nem faço ideia do que, pois estava viajando. Acho que das dezenas de carros do Draco e os meus próprios, a Sophie é a que eu mais gosto, e por isso ele vem usando mais ela do que os outros. Ela tem uma beleza mais sofisticada sabe... deve ser porque só existem dez desse modelo de carro no mundo. - Estar bem é relativo - respondi simplório. - Sabe que ainda podemos cancelar né? Você ainda pode ficar aqui, e passar os restos dos dias aqui.... apenas preocupado em entender os seus poderes, nos ajudar com o apocalipse e ser você mesmo... - Ele dividia o seu olhar entre a estrada e minha direção. Tínhamos apenas que acabar de arrumar algumas coisas em Hogwarts para tudo correr bem amanhã. - Só de pensar que eu vou passar a virada do ano em um hospital por casa de um tiro seu... me apavora. Mas a questão é essa Dray, eu tenho que fazer isso para ajudar com o apocalipse e ser útil. A outra espiã do Snape é mulher, e dentro de uma máfia machista ela não tem tanto acesso as informações que precisamos. Eu terei esse acesso... mas se for para fazer isso, vamos fazer direito. Vamos seguir o plano. - Nunca diga que você não é útil - Draco parecia sério ao falar isso comigo - Você é útil de tantas maneiras Harry, que nunca vou poder listar todas. E não estou falando isso porque quero usar você como uma arma contra o apocalipse nem nada tão escroto assim. Estou falando pois quero que você veja o quão você é incrível, e quão você me faz sentir como... - Draco fez uma longa pausa como se estivesse pensando - Não sei como, mas você faz. De início não entendi suas palavras, nem notei as profundidades delas. O medo me consumia lentamente, e minha mente estava focada em não ter um ataque de pânico. Eu estava tremendo ligeiramente, e o loiro percebeu isso. Draco entrelaçou os dedos da sua mão direita com a minha esquerda e as repousou ambas em sua perna. A mão dele era quente e firme, e fez sessar um pouco os meus tremores. E por incrível que pareça não me senti estranho com o toque, nem pensei de mais sobre ele... foi quase que natural e comum, mesmo sendo algo novo. Tudo era novo. - Pra se ter coragem primeiro precisa ter medo. - Que bom, porque eu estou me cagando de medo - Disse divertido fazendo Draco rir espontâneo e verdadeiro. Eu gosto desse Draco leve, que faz piadas horríveis, que sempre tem uma curiosidade aleatória, que sempre demonstra empatia com as pessoas que são inocentes ou seus amigos, que pode tornar o assassinato mais c***l do mundo em algo divertido, que tem prioridades doidas na vida, que faz o bem para o povo de NY mesmo sendo um mafioso, que apesar de ter os seus próprios demônios consegue ser o ser mais bondoso e verdadeiro que conheço... É encantador, e natural. - Sobre eu ser a pessoa que vou atirar em você... tudo bem né? Quer dizer, você confia em mim? Se quiser pode ser outra pessoa... só me ofereci pois tenho menos chances de errar ou te matar por acidente - Draco parecia com real receio. Se eu fosse atirar no cara que é meu amigo (ou seja lá o que somos), também iria querer me certificar se esta tudo bem mesmo. O carro pedia a troca de macha, então Draco levou nossas mãos entrelaçadas até o cambio e a trocou puxando-o. Logo em seguinte acelerou ainda mais o carro, nos dando a impressão que estamos flutuando, e que nada mais importa a não ser nós. - Você é família, e o que fazemos com a família? - Lembrei o loiro. - A protegemos a qualquer custo. - Exato. Eu confio em você Draco, ao ponto de deixar você me dar um tiro. - Não sei se isso é reconfortante ou não - Draco disse brincando antes de desdar nossas mãos, bagunçar meu cabelo já bagunçado, e aumentar o som do carro, que estava tocando "Locked out Of Heaven" do Bruno Mars. Deixei a melodia navegar junto com os meus sentimentos. Deixei-a penetrar na minha alma e ecoar dentro de mim, análogo a como deveríamos realmente escutar músicas. Sentindo-as ao ponto de mudar de realidade por alguns minutos, e realmente desejar o que a música dizia. Talvez algum dia eu tenha uma ligação tão intensa assim que me faça sentir que finalmente entrei no céu depois de muito tempo, que me leve ao paraíso e faça tudo isso transparecer... isso se eu não morrer antes. Draco também parecia perdido na canção, até que finalmente chegamos em Hogwarts. E não importa quanto tempo passe, eu sempre vou amar essa mansão. Que pena que vocês nunca vão vê-la... Passamos a tarde toda repassando o plano, recapitulando, e organizando para que seja um tiroteio contido, onde eu não me machuque, e que nenhum grifinório fira um sonserino também. Nunca vi Hogwarts tão cheia. Até mesmo membros do quarto e quinto círculo circulavam pelos corredores da mansão, fazendo os preparativos que o primeiro círculo ordenava. Essa não vai ser a maior missão que eles já fizeram, mas talvez a mais perigosa. Pelo menos, é assim que Draco parece lidar com isso tudo. Como disse, as prioridades loucas dele me encantam. E a noite eu fui para "casa" jantar com James, e com certeza senti a diferença de estar em uma mesa com o pessoal da sonserina na cobertura do Draco, e está ali... Com James um jantar parece algo frio. Plantei a semente do plano, e ele até que aceitou eu ir na viagem amanhã de manhã. Na verdade aquele filho da p**a homofobico ficou feliz só com a possibilidade deu ser um galinha com uma mulher. Mas tudo pela mentira né. E talvez eu esteja ficando bom nisso... Mal dormi essa noite por causa da ansiedade. Eu realmente tentei, mas fiquei revirando na cama, contando os segundos para o dia amanhecer. Além disso tinha um maldito mosquito que ficava zumbindo no meu ouvido. Devo ter passado umas boas três horas olhando para o nada tentando acha-lo, parecendo um psicopata pronto para atacar caso o visse. Se alguém entrasse no quarto me confundiria com um demônio ou assombração. Até que finalmente o sol nasceu, anunciando a tão esperada véspera de ano novo. O último dia desse ano que foi de 0 a 100 muito rápido quando olhamos para a minha vida. De um suicídio a... isso. Da quase morte, para a quase morte de novo... poético eu diria. - Bom dia pai - Disse chegando na cozinha trajando a minha roupa mais hetero possível. Me sentia como uma cobra, com uma pele em volta de mim que não era eu. Tudo o que eu queria era os meus moletons e minhas saias... - Bom dia Harry. Pronto para viajar? o Jatinho sai em uma hora. - Estou sim. James estava arrumado quando saímos vinte minutos depois em direção ao aeroporto particular dele. Na nossa frente ia um carro alto e reforçado com alguns seguranças, e atrás outro. No caminho meu coração pulsava rápido. A cada minuto que nos aproximávamos... Sabe quando falam: "Depois quero conversar com você" e você fica se matando por dentro de curiosidade? Tipo, por que a pessoa já não te disse o assunto da conversa de uma vez?! É pedir muito? Enfim, eu estava mais nervoso do que nessas situações, no entanto, tinha que parecer tranquilo para meu pai não desconfiar de nada. E se eu não me jogar na frente do meu pai no horário certo? E se Draco errar o tiro e acabar no meu coração? E se eu tiver complicações durante a cirurgia pra remover a bala e eu acabar morrendo? E se James já souber de tudo e eu estiver tentando enganar alguém enquanto esse alguém me engana, sendo que ninguém vai saber ao certo quem está enganando realmente alguém? E se isso der muita merda? E se eu não for bom o bastante nem para algo como ser um alvo vivo? Sério, alguém atira na minha cabeça porque só assim para eu parar de paranoias. - Vamos - James me chamou ainda focado no seu celular, quando os seguranças abriram as nossas portas. Como se a mão dele fosse cair se ele abrisse a própria porta... Eu também sou milionário, entrei em um monte de faculdades da liga A, faço parte de uma máfia, e mesmo assim não fico bancando o filhinho de papai debiloide por aí. E nem preciso de babá pra abrir minha porta... patético. Segui meu pai para fora, adentrando a pista de pouso do aeroporto onde já estava o nosso jatinho particular. Quer dizer, um deles, e nem o meu preferido não é. A cada passo que eu dava atrás do meu pai e cercado de seguranças em direção ao meio de transporte, meu coração batia mais forte no meu peito, minhas mãos tremiam no bolso da calça, e todo o meu esforço era direcionado a reprimir o meu poder, e não desmaiar de nervoso. 20 metros. Comecei a pensar que algo vai dar errado com o plano. E talvez essa coisa seja eu. 15 metros. Por que eu confio no Malfoy para fazer isso? Cara, eu só o conheço a uns três meses, e no início a gente quase se matou... eu vou morrer! 10 metros. E se eles cancelaram o plano? E se Malfoy tiver me enganado esse tempo todo? E se... 5 metros. Eu ouvi primeiro que vi. O barulho de pneu derrapando a alta velocidade na pista. E logo a comitiva de carros de "guerra" da slytherin surgiu no hangar da pista de pouso, parando de forma a montar um paredão entre eles e nós. O tempo de reação dos seguranças do meu pai foi extremamente curto, que sacaram suas armas e iniciaram um tiroteio. Que bom que Blaise insistiu em usarmos os carros brindados na missão. Aos poucos os "caras mascarados" que eu sei muito bem quem são, saíram dos carros e se esconderam atrás deles para conseguirem atirar sem serem atingidos. E quando o tiroteio começou, soube que era hora do meu teatro começar. - Pai, que merda é essa?! - Fingi está em desespero, o que não foi difícil considerando o meu estado atual, enquanto me juntava a James atrás das rodas do jatinho. Mas não veio resposta dele, que estava concentrado em digitar rapidamente no celular, portavelmente chamando reforços. Ele tinha uma pistola na mão também, que não faço ideia de onde ele tirou. E também não me importo, pois está chegando a hora. O tiroteio continuava, sendo que alguns seguranças já estava no chão e feridos, enquanto as suas balas só ricoteavam no metal dos carros, mantendo os sonserinos a salvo. E levantado entre eles estava ele, Draco Malfoy. Mesmo estando de máscara de esqui e vestido de preto que nem os outros, eu facilmente consegui reconhece-lo. Eu simplesmente sabia que era ele, e nesse momento todas as minhas dúvidas evaporaram. Eu confiei e confio naquele loiro oxigenado, pois ele mostrou que se importa e que está comigo nessa. Em pouco tempo ele foi de desconhecido a um amigo de verdade, e quem sabe algo a mais agora... Mas não importa o que somos, se brigamos, se somos diferentes... ele confia em mim e eu nele, e estamos aqui um para o outro. Mesmo que seja para levar um tiro. E finalmente eu entendi o que Draco queria me dizer no carro ontem. Essa ligação que temos, mesmo em tão pouco tempo, é impossível de colocar em palavras ou definir agora, mas com certeza é alguma coisa. E talvez essa coisa transpareça. Meu pai se inclinou ligeiramente para ter uma visão melhor e conseguir revidar os tiros. E foi ai que vi Draco mirar e atirar contra ele. A bala passou cortando o ar como se estivesse em câmera lenta para mim. Se aproximando com precisão contra... bem, contra minha pele já que me joguei na frente do meu pai como o c*****o de um escudo humano. Um escudo fodidamente bonito e gostoso, mas com um furo que jorra sangue agora. O que é lindo, tem olhos azuis e uma bala dentro de si? Eu mesmo, Harry Potter. A mira de Draco é boa, e agradeci que tenha pegado apenas no meu ombro em vez do coração. Mas a dor era exuberante. Como se eu conseguisse sentir o meu ombro queimando pelo ferimento, me tornando uma batatinha frita. Ouvi em algum lugar meu pai gritando e parecendo preocupado comigo, o que seria novidade. Se isso for verdade, juro que dou o meu cu pra primeira pessoa que eu ver. Mesmo assim não consegui focar em nada, já que tudo estava ficando preto se misturando a coisas desconexas que minha mente produzia ou lembrava. Ao longe eu ouvi o último tiro dos sonserinos atingir o último guarda de pé, antes dos reforços grifinórios chegarem por um lado da pista, e os meus amigos fugirem pelo outro. Meu último pensamento era quase que uma prece para que eu não morra na cirurgia ou por perda de sangue... E um desejo que Draco esteja lá quando eu acordar. Então tudo ficou preto.
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