Parem de gritar, inferno!

4754 Palavras
"No meio do caminho" de Carlos Drumond de Andrade "No meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho Tinha uma pedra No meio do caminho tinha uma pedra [...]" Harry Pov  — Por que não começamos... com você me contando por que me odeia tanto se eu só venho te ajudado desde que te achei? - Malfoy me perguntou com uma postura séria de quem não está pra brincadeira, me causando a sensação que sou como um gatinho de marca que ele achou na rua e levou pra casa. Não que eu esteja muito afim de descordar dele nesse quesito. Agora já deve ser umas oito e pouca da manhã e estamos em uma das salas de reunião de Hogwarts. Ela tem uma longa mesa feita de mármore preto com várias cadeiras confortáveis, sendo a da cabeceira usada pelo loiro, e eu em uma qualquer perto de si. Desde que cheguei aqui tudo está sendo razoável. Passei um tempo com os gêmeos (tinha me esquecido como era rir tanto ao ponto da barriga doer) e finalmente descobri onde e o que eles estiveram fazendo desde que fugiram de casa com 17 anos deixando os outros Weasleys bem irritados. A questão é que o Fred e o Jorge sempre tiveram o espírito livre, o que sempre incomodou a família tradicional. Lembro-me de ouvir diversas vezes Molly gritando com eles quando eu ia pra Toca brincar com o Ron quando criança. Até que quatro anos atrás os meninos desapareceram e nunca mais ouvimos falar neles. É bizarro como os seus irmãos parecem ter os apagado das suas memórias, menos Ginny, que apesar de ser mais velha e independente da família, sempre manteve contato comigo e falava a torto e a direito sobre os "Tico e Teco" (apelido que ela deu pra eles). Mas enfim, os mafiosos ruivos me contaram a sua história de como Malfoy ajudou eles dando teto e trabalho na Slytherin quando eles não tinham nada, apenas ideias loucas de jogos e invenções na cabeça. Agora eles tem a própria loja on-line e trabalham na máfia, sendo que o Malfoy nunca os pressionando para fazer algo que fosse contra a moral deles, já que ambos são religiosos, mas não paranoicos. Tomamos café da manhã e depois de uma hora mais ou menos, o capeta saiu do quarto todo trajado de preto em um terno que deve custar tão caro quanto as minhas roupas, ou até mais. Agora finalmente estamos tendo aquela conversa que ele me prometeu. - Quer mesmo ter essa conversa? Não podemos passar pra parte onde você me explica o mundo sobrenatural? - Perguntei entediado olhando minhas unhas pintadas de preto. - Talvez eu queira. E não vou te explicar p***a nenhuma antes que comecemos a ser cincerros um com o outro. Não confio em ti. - O sentimento é mútuo querido - Falei m*l humorado me encostando na cadeira e cruzando os braços. Respirei fundo e comecei - Eu não te odeio Malfoy, e sei que você está em uma situação complicada desde que entrei na sua vida. Mas a verdade é que toda essa novidade me assusta e eu acabo descontando em você. É cômodo fazer piadas, ou te irritar pois tudo isso me irrita. Merda, eu nem sei o que eu sou! Eu me sinto confuso. Como seu eu estivesse vivendo o sonho de finalmente não ser esquizofrênico, mas também não ter controle sobre a minha própria vida, e só espero que o loiro entenda isso. - Ok vamos fazer um jogo de perguntas e respostas - Ele propôs pegando um notebook e abrindo em um bloco de notas. - Isso é meio colegial não acha? - Perguntei com humor, mas o olhar que ele me lançou de volta me fez calar a boca. - Eu começo, e lembre de falar o máximo de dados possíveis. Quem são seus parentes Harry? - James Potter é meu pai, atual vice-prefeito de Nova York e dono da multinacional empresas Potter. Luara Williams Potter é minha irmã mais nova, tem 17 anos e está cursando o último ano do ensino médio em Londres, onde mora com a mãe dela. Nunca conheci minha mãe só sei que tenho os olhos dela. Meus padrinhos são Sirius e Remus Black-Lupin que eram como pais para mim. E é isso. Tá bom ou quer os RG deles também? Malfoy nem me olhou, apenas voltou a digitar rapidamente os dados. - Sua vez - Me disse largando o aparelho e me olhando com aquela imensidão que me deixava até zonzo. - Como funciona o mundo sobrenatural? - Decidi começar com isso. - Bem, basicamente tudo se originou pelo tripé do equilíbrio universal. Céu, Terra e Inferno agem como equilíbrio pra tudo o que existe, em justaposição. Então existe os anjos, os demônios, os humanos e os seres que nascem dessa mescla que chamamos de híbridos. A milênios que não existem mais híbridos de humanos com anjos pois deus proibiu tal interação. Há os híbridos de demônios com humanos que são os mais comuns, o que dá origem a diversos seres como bruxas, lobisomens, elfos, vampiros e o c*****o a quatro, dependendo apenas de qual classe de demônio vai acasalar com o humano para diferencia-los. A Pansy é um exemplo de híbrida entre humano e demônio de um dos mais alto nível. Minha cabeça girava mas finalmente comecei a entender algumas coisas. - Existem híbridos de anjos com demônios? - Perguntei já que foi a única interação que ele não disse. - Apenas dois em todos os mundos. - Você é um deles - Conclui depois de pensar. Lúcifer é um anjo teoricamente, e Lilith um demônio, então Malfoy é um híbrido das duas coisas. - Exato, eu e minha irmã. Olhei questionador para ele, mas Malfoy voltou ao computador e pois um fim no questionamento sobre a família dele. Não posso critica-lo, família é complicado e não confiamos um no outro para revelar certas coisas. - Algum acontecimento incomum na infância que remeta ao sobrenatural e que na época você não entendia? - Perguntou logo antes de eu disparar a falar sobre todas as visões, e vezes que vi coisas como magia, asas ou chifres e nunca entendi. Falei que isso me rendeu alguns problemas por acharem que sou louco mas não entrei muito em detalhe sobre como meu pai me trata nem nada do tipo. - Como funciona o céu e o inferno? - Perguntei quando foi minha vez de novo. - Meu pai diz que o céu é mó complicado. deus manda em tudo, e a baixo dele vem os sete arcanjos que são os anjos principais, Lúcifer era um, aí tem Gabriel, Rafael, Miguel e uns outros lá que esqueci o nome. Cada um cuida de uma coisa referentes aos assuntos de deus, sendo os mensageiros dele e tendo vários anjos a seus comandos. Já o inferno é simples de entender, basta ler O Inferno de Dante. Aquele cara retratou até que bem como são as coisas lá em baixo. Além disso não existe um purgatório, ou é céu ou inferno mesmo, a não ser que você considere a Terra como sendo um. Isso explica aquilo da Luna ter um chefe, e até que faz sentido. - Por que estava no prédio que a Luna falou no sábado a noite? Por que você voou? Já fez isso antes? - Foi a vez dele perguntar. Engoli em seco. Não é fácil admitir seus momentos de fraqueza, ainda mais o seu suposto suicídio fajuto. - Eu estava lá pois queria desistir de tudo. Não sei como voei, e nunca fiz nada meramente parecido com isso antes. Nem pular de alturas razoáveis eu consigo, quem dirá voar. Sou um desastre em equilíbrio. Ele concordou me analisando com aqueles azuis como se tentasse de verdade se colocar no meu lugar, mas tentando não ser muito indelicado ou invasivo pra perguntar diretamente do por que quis me suicidar. Enquanto isso eu batucava as unhas na minha coxa, me decidindo o que perguntar. - Como exatamente funciona a máfia? digo, o que vocês fazem e por quê? Posso fazer parte? - Bem, se não fosse nós a ocupar esse lugar seria alguém, agora imagina outra máfia que nem a grifinória que são aqueles que invadiram a boate?! Seria o caos em NY, e ninguém mais teria valores ou honra. Podemos ser disfuncionais e fazer o necessário quando a ocasião pede, mas nunca machucamos inocentes. Além disso é divertido. E infelizmente, acho que você fazer parte dela vai ser consequência dessa bagunça toda... mas não se anime, é perigoso. Ele finalizou dando de ombros e esboçando um mini sorriso que me fez sorrir de volta. Tudo na vida é perigoso, mas só se vive uma vez, e a vida é curta de mais para ter medo. - Você também acha que tem um padrão nas mortes, pode me falar sua opinião? - Perguntou. - Bom, acho que se eles estivessem atrás de um de vocês, sonserinos, eles não teriam invadido a boate, e sim teriam atacado em algum momento de locomoção. Lugares fixos são bem mais protegidos que carros etc. e eles facilmente poderiam ter armado uma emboscada enquanto você fosse na padaria ou no mercado por exemplo, mas não. Então acho que esse não era bem a intenção deles, apesar deu ainda não saber qual era. Expus em palavras os meus pensamentos vendo o queixo do maior cair minimamente e um brilho estranho passar por seus olhos rapidamente, antes dele concordar como se pensasse igual. - Minhas últimas perguntas: o que você acha que eu sou? E já passou na sua mente me machucar alguma vez? - Perguntei aprumando a postura e o olhando analítico. - Não faço a mínima ideia do que você é. Você poderia ser um bruxo por causa dos poderes e tal, mas você não tem marca de feiticeiro, além disso o seu poder vai além das capacidades de um bruxo. Você poderia ser um elfo que é meio que uma espécie de fada, o que explicaria você ter voado e me seduzido a te contar a verdade, mas novamente sem marca elfica, ou qualquer outra característica deles. Você poderia ser um anjo ou um híbrido deles com humanos o que explicaria voar e a fofura, mas os primeiros são criados no céu e sabem que são anjos desde sempre, além de possuírem aureolas como marca angelical, algo que você certamente não tem. E os segundos não existem a milênios, além de também possuírem uma marca própria que mesmo que rara, seria fácil de ver. Em suma, você poderia ser muitas coisas, mas no final não faço a p***a da ideia do que você realmente é. Ele fez uma pausa antes de seguir pra segunda pergunta. - E sim, eu já pensei em te machucar mas posso explicar o motivo. Você provavelmente é um sobrenatural, e nós nos tratamos como família não importando se é anjo, híbrido, demônio... todos merecem respeito. Mas antes dessa família de magia, existe a minha família e as pessoas que me importo de mais ao ponto de fazer qualquer coisa para protege-los. Você é algo novo, volátil e poderoso... apenas pensei que, se você não conseguir controlar o que tem dentro de si, e acabar colocando as pessoas que amo, e até mesmo inocentes em risco, não vou hesitar em te matar. Então não encostar em você ainda, pelo contrário, estou sendo sincero para que confie em mim e possamos descobrir a verdade juntos. Mas se algo acontecer no futuro, não duvide que sou capaz. - Eu concordo - Vocês podem me achar louco por ter entendido o lado de Malfoy nisso tudo. Mas se eu realmente for algo perigoso no futuro, vou preferir morrer do que machucar as outras pessoas. Um silêncio extremo caiu na sala logo depois disso. Nós dois em nossas próprias mentes refletindo sobre tudo o que sabemos, mas principalmente, tudo o que não sabemos e sobre o que o futuro nos reserva. Pensei que ao saber do mundo sobrenatural eu me sentiria em casa, fazendo parte de algo... mas ainda me sinto deslocado. Ainda me sinto estranho, diferente e talvez até perigoso. Não sei quanto tempo se passou até Malfoy finalmente quebrar o silêncio: - Não sabemos de muita coisa, mas vamos descobrir pois algo me diz que essa não é uma jornada solo para você. Em apenas um final de semana aconteceu fatos de mais nos juntando para podermos chamar de coincidência. Mas antes de começarmos isso preciso que me responda uma pergunta olhando nos meus olhos, lembre que fui sincero. Posso confiar em você Harry Potter? Ele me encarava como se lesse minha alma, e como se nenhuma maldita ruga no meu rosto passasse despercebido por ele e sua análise. Mas a questão é que não sei se sou de confiança, mas estou disposto a tentar a não ser um babaca traidor ou um perigo para os outros não importa o que eu seja de verdade. - Sim Draco Malfoy, você pode. - Então venha, vou te mostrar um quarto onde você pode ficar e tomar um banho pois já já temos uma reunião para ir - Ele disse simplório salvando o arquivo do computador antes de sair da sala sendo seguido por mim. Malfoy me mostrou uma suíte em Hogwarts onde eu poderia ficar esperando, e onde realmente não me atrevi a sair por medo de me perder na mansão. Se eu já achava o apartamento do loiro grande e confuso, Hogwarts é o verdadeiro labirinto. E eu sei que sou rico e deveria estar acostumado com casas grandes etc... mas mano, eu moro em NY, só possuo apartamentos, coberturas e lofts, que apesar do luxo, são de tamanhos razoáveis. Enfim, tomei um bom banho recolocando a minha saia, mas vestindo um casaco que encontrei no guarda roupa do quarto em vez das minhas próprias blusas. Elas estavam com cheiro de bebida que só Deus. Assim que estava pronto e me sentindo bem melhor, me joguei na cama e peguei meu celular para enviar algumas mensagens e ligar para o meu pai. Trio de Ouro Oie galera =) Mione: "Ai meu Deus Harry, onde você está? Você perdeu a aula de revisão pra prova de ciências políticas. O que deu na sua cabeça pra faltar a aula? Precisa da nossa ajuda?" Ron: "Pare de chamar o nome de Deus em vão Mione! Mas e ai Harry, o que foi? Pensei que você fosse no culto comigo ontem mas nem mensagem mandou ?" Desculpa R ? Mione: "?" É que eu e meu pai acabamos brigando, mas nada que vcs precisem se preocuparem. To na casa de um amigo e estamos resolvendo umas coisas por isso não deu pra ir na aula. Ron: "Desde quando vc tem outros amigos?" Mione: "Para de ser lerdo Ron, ele ta falando do tipo de amigos que fazem sexo. Pelo menos ele é bonito? pra valer a pena faltar a aula tem que ser quase que um Deus" Ron: "Mione olha a falta de respeito o c*****o!" Não é esse tipo de amigo sksksksk Depois conto mais, só avisem os profs que to doente ou sla e depois pego a matéria com vcs. E Mione, são surta, não estamos mais no colegial, não tem problema a gente faltar as vezes. Ron: "Nem vem H, não vou mentir, mas espero que esteja bem. bjss" Mione: "Até seus chatos, tenho aula de matemática analítica agora ?" Deixei um sorriso escapulir pelo meu rosto. Sei que meus amigos são uns pé no cu que as vezes me fazem chorar, mas é bom ver as loucuras deles. Mas logo a alegria foi embora a medida que o bip no meu celular indicava que estava chamando, e logo meu pai atendeu. - Harry, é você filho? Oi pai, sou eu. Desculpa. -Eu te desculpo filho, ontem estávamos muito alterados e você sabe que eu não quis dizer o que eu disse... as vezes eu me descontrolo pois você me tira do sério, mas você sabe que eu não sou assim. Eu sei pai. Mas como você disse, já sou grande de mais pra certas coisas, isso inclui ouvir o que o senhor me disse sem fazer nada. -Isso é uma tentativa de ter masculinidade e agir que nem homem? Não sabia que você é capaz disso já que, você sabe, você é... Gay pai Sim eu sou, mas isso não impede que eu seja forte, pois isso não tem haver com ser homem. - Ta bom Harry, depois a gente conversa sobre isso. Tenho reunião o dia todo e não tenho tempo pra ligações. Tudo bem pai. Só liguei pra dizer que estou bem e que... Parei o que estava falando no meio pois ele havia desligado na minha cara, e eu tive que respirar fundo para não chorar. Sabe, no banho eu havia ensaiado direitinho o que iria falar, como iria me impor e falar que não aceitaria mais que ele gritasse comigo se não eu envolveria a imprensa... mas na hora em que eu ouvi a voz dele foi como se um peso fosse colocado no meu peito. Ouvir ele me chamar de filho me fez sentir culpado pelo que eu iria falar e eu simplesmente congelei... E agora isso me faz sentir um merda covarde que se deixa ser humilhado mesmo sabendo que isso errado. Mas é tão difícil reagir... - Ei Potter, vem a reunião vai começar - Malfoy disse da porta do quarto, respirei fundo e fui até ele. Estava andando no corredor quando ele segurou o meu pulso me fazendo para e virar e encara-lo. Puxei meu braço com brusquidão de volta vendo ele levantar as mãos com um gesto mudo de desculpa. - Desculpa, não deveria ter tocado em você. Mas você não parece bem. Respirei fundo soltando um riso sem humor antes de passar as duas mão no meu cabelo e voltar a olhar para o homem todo de preto na minha frente que parecia estar fazendo cosplay de Batman. - Estar bem é superestimado - Respondi simplório vendo ele passar a frente e abrir a porta da sala de reuniões fazendo um barulho dos infernos se fazer presente. - Ok então. Só fica do meu lado e tente não falar muito. Vou te apresentar ao pessoal e vamos discutir algumas coisas. Assenti logo o segundo para a mesma sala de reunião que agora estava lotada só sobrando a cadeira da cabeceira para Malfoy, e uma a seu lado que eu supus ser para mim. Reconheci Pansy, Luna, Cabe, Goyle, meus padrinhos, os gêmeos, o cara moreno que Fred havia comentado que se chamava Blaise, e mais uma garota que não parecia ser mais velha do que eu (com lindos cabelos coloridos) que eu tinha visto no boate. Sem ser eles havia mais três pessoas mais velhas, os homens com caras emburradas e a mulher com longas cabeleiras negras, com um sorriso estranho no rosto. Eles continuaram falando mesmo depois que eu e Malfoy nos sentamos, o que fez o loiro revirar os olhos e falar com uma voz grave, baixa mas com certeza assustadora: - Parem de gritar o inferno! Na hora todos ficaram mudos e olharam para a nossa ponta da mesa, esperando o que o anfitrião iria fazer a seguir. - Pra quem não conhece, esse é Harry Potter meu novo protegido. Harry, a maioria desse povo doido você já conhece, mas esses são Regulus, demônio e nosso técnico de invadir sistemas. Essa é Tonks, híbrida elfo que faz estágio na polícia de NY e é nossos olhos lá. Essa doida é a Bellatrix, bruxa e especialista junto com a Pans em combate. E por último esse é Snape, meu padrinho demônio e espião. Malfoy ia apontando um por um na mesa me apresentando. Nenhum esboçou reação a não ser Tonks que piscou para mim em seguida explodiu uma bola de chiclete, e Bellatrix que usou magia para flutuar um dos lápis que estavam na mesa logo antes de quebra-lo ao meio. Sobre isso do príncipe ter me chamado do "o protegido" me fez engasgar e quase que me fez cair da cadeira e tive que me controlar pra não gritar algum palavrão. Mas me contive lembrando do pedido dele de me manter na minha. Mas não sou o****o, as fanfics me ensinaram muito bem o que é ser "o protegido" de alguém da máfia, e certamente eu não o sou do Malfoy. - Bem, acho que todos já souberam o que aconteceu na boate, por falar nisso, obrigada Bella por vim tão rápido do Caribe pra essa reunião - Malfoy falava enquanto batucava com os anéis que ele tinha na mão esquerda na mesa. Fui obrigado a desviar o olhar daquela visão de sua mão incrivelmente grande pelo meu próprio bem. - Como se eu tivesse escolha, né filhote albino - Bellatrix respondeu antes de levar um tapa no braço de Sirius. - Continuando, o que aconteceu foi inadmissível, e eu quero saber por que, como e quem eu devo matar agora. Um de cada vez, podem começar. Malfoy disse antes de se encostar e ficar quase deitado na cadeira, com os cotovelos no encosto e mãos cruzadas perto de queixo. Como se fosse algum sinal estranho, o povo começou a pegar seus tablets, computadores e papeis que pareciam relatórios. Tonks foi a primeira a falar: - Bem, meu papel eu cumpri. Revisei cada relatório policial do caso, passei as cópias para Pans arquivar, mas a única coisa que eles sabem é que as balas batem com as armas que foram saqueadas do navio cargueiro do mês passado, o qual sabemos que a grifinória foi a responsável. Então sim, os mascarados eram eles. - Meus contatos no governo sabem que a Hades é um estabelecimento nosso e vão encobrir o acontecimento das imprensas maiores - Sirius falou em seguida me fazendo revirar os olhos e voltar a rabiscar os jogos da velha que eu estava jogando contra eu mesmo com o bloquinho de notas que tinha na minha frente. - O novo softwer de segurança que eu estou acabando de programar falta pouco pra ficar pronto, aí posso passar pro Blaise para instalarmos na boate e nos outros lugares para aprimorar a segurança - Agora foi a vez de Regulus, que desde que pegou o notebook não parou de digitar nem por um instante. - A garota que treinei e infiltrei na grifinória não tem muitas novidades além do que já passei pra Pans, essa máfia é muito machista e ela não consegue ter muitas informações por mais que seja a nossa melhor espiã sem ser eu mesmo - O tal de Snape falou, mesmo que continuasse com uma cara de cu que quase me fez rir. - E e Goyle tentamos impedir o ataque mas eles chegaram depreendem em SUVs blindadas já apontando as armas e quando vimos estávamos no chão, desculpa chefe - Cabe explicou. Remus começou a falar de contabilidade e o quanto eles poderiam investir em recursos para achar os culpados disso antes do Halloween (que por acaso é daqui 4 dias, bem na sexta feira). Mas nem prestei atenção, já que estava observando Fred e Jorge ao meu lado jogando no tablet, que eles dividiam, despercebidamente aquele jogo da aguinha e do foguinho do friv que eu nem sabia que existia mais. Durante tudo isso Draco se manteve calado, na mesma posição apenas escutando. Mas depois que Remus e Blaise acabaram de elaborar um plano pra pegar os atiradores de ontem, ele se virou para as duas garotas que permaneciam quietas desde que chegaram, sentadas bem na outra ponta da mesa. - Luna, que bom que Pans a convenceu a se juntar a nós, você é muito bem vinda. Mas e ai garotas, o que descobriram? A morena olhou de soslaio para a loira e ambas concordaram com a cabeça, fazendo eu ficar mais atento ao que iriam falar. - Fizemos a poção, e demorou um pouco, mas descobrimos o que o Vinnie sabia e por que o ataque aconteceu - Logo que Pansy falou isso Malfoy se sentou direito, e era como se todos tivessem prendido a respiração em ansiedade. - E o que é que ele sabia? - Meu irmão associou o comportamento incomum dos anjos de classes maiores no céu com algum acontecimento, e com o bom fofoqueiro que era, acabou descobrindo que tudo isso era devido a um certo evento que talvez pudesse vir acontecer... - Gradativamente a voz da Luna foi morrendo, ao ponto de Tonks apertar a mão dela firme sobre a mesa com solidariedade. A loira parecia... com medo, mas Pansy não, por isso completou: - O Apocalipse. Vinnie descobriu que talvez o apocalipse fosse acontecer esse ano ou no próximo, ou era o que os anjos achavam e por isso estavam nervosos com a decisão do chefão. - p**a que pariu! - Exclamei no automático. Não importa em qual contesto se fale, "apocalipse" nunca é sinônimo de algo bom. E parecia que todos na sala concordavam comigo, até os gêmeos pararam de jogar. Eu podia sentir as emoções conflitosas deles nesse momento, e não sei se é algo normal ou uma ramificação do meu poder. Mas era como se tudo fosse amplificado para mim. - Elabore melhor Pans - A voz de Malfoy tinha um tom macabro de mais. - Vinnie só descobriu que por algum motivo que os anjos desconhecem, o apocalipse está pronto para ser iniciado na Terra. Por isso ele passou os últimos dias de vida enfiado em livros, pois achou uma lenda que confirmava isso e uma profecia em dialetos usados apenas pelos arcanjos e seres mais ancestrais que eles. O máximo que ele conseguiu traduzir foi que o fim do mundo estava próximo de nós agora, e que para ele se concretizar precisaria que sete selos fossem quebrados. Pansy explicava enquanto lia suas anotações. Sua mão tremia de leve, e nada disso parecia piada para eles, o que só me assustou ainda mais. - Mas não temos certeza se isso vai mesmo acontecer, certo? - Tonks perguntou olhando para Draco como se buscasse confirmação ou conforto de um irmão mais velho. Me peguei olhando para ele também, quase que implorando para ele dizer que era um trote de iniciante pela entrada minha e de Luna no primeiro círculo da Slytherin ou algo assim. Mas ele se manteve igual. Inabalável. - Pior que temos Tonks, pois ele conseguiu desvendar o primeiro selo - Foi a vez de Luna falar - E pelo jeito ele já foi quebrado. - O assassinato de um ser de cada mundo. Um humano, um anjo e um demônio. a tríplice sanguínea do sacrifício - Pans completou - Para ser mais exata, os versos da profecia do primeiro selo que ele traduzir eram: "Asmodeus nos ensinou. E para a luxúria digo sim, meu amor. Um filho da luz, um filho das trevas e um do meio. Dourado, preto e vermelho. Quando o sinal acontecer, Em sacrifício, a tríplice ira escorrer." Pans acabou de proferir a profecia do primeiro selo, e toda a sala caiu em completo e profundo silêncio. Esses seis míseros versos iniciaram algo que atormentava a todos, e eu poderia focar nisso, mas o quebra cabeça finalmente começou a se encaixar na minha mente e eu tive que falar, vendo todos os rostos se virarem para mim. - Agora faz sentido, o tiroteio, a escolha da vítimas, o fato de não ter tido mais feridos... isso pois eles não precisavam de mais ninguém, apenas do sangue da Agatha, da Anna e do Vinnie. Mesma idade, mundos diferentes... eles foram sacrifícios para se quebrar o primeiro selo pra trazer o apocalipse. E isso também explica porque invadirem a boate e não outro lugar qualquer. Malfoy, você me disse que a Hades é um dos únicos lugares do mundo onde qualquer ser sobrenatural pode conviver com humanos, e entre si. Que lugar seria melhor para encontrar e matar um anjo, um demônio e um humano se não lá?! Todos me olhavam impressionados, mas sabiam que eu estava certo. Infelizmente eu estava certo. - Então agora sabemos, os grifinórios não são mais inimigos da Slytherin, mas sim de todos os sobrenaturais, e de toda a humanidade... eles querem o fim, mas terão que passar por nós - Malfoy disse, e todos nós trocamos olhares de confirmação. Estávamos todos juntos nessa afinal, até o fim do mundo.
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