Artimanhas

4997 Palavras
Harry Pov - Onde estava a noite. Vi que não estava aqui quando cheguei - Sem comprimentos, sem saber como eu estou... direto e frio. As vezes eu me pergunto como é ter um pai que se preocupa de verdade. - Estava no apartamento da rua onze. Luara gosta da vista de lá, então estava fazendo companhia - Inventei pra James não saber do meu loft do Brooklyn, de Hogwarts ou da cobertura do Dray, que são os lugares onde passo as minhas noites realmente. - E como ela está? Luzia - Perguntou sem tirar a cara do computador. - É Luara pai. E ela está bem - Quase dei um soco na cara dele. Não saber o nome da própria filha... nojo de alguém assim. Nojo dele. Mas ri como se fosse uma piada e algo banal ele errar o nome. - Que bom. Tenho uma missão para você. Um nome que deve ser eliminado. Eliminado... um peso caiu sobre o meu peito, mas obriguei a não transparecer reação. - De alguma forma específica? Minha mente só pensava que eu vou ter que matar alguém com minhas próprias mãos... - Não. Apenas exigimos confirmação da morte. Lembre que nem todos nós confiamos em você ainda Harry. Esse seu histórico meio controverso... não fracasse nessa missão. James parecia sério. Minha primeira missão para a Gryffindor... eles querem ver se eu sou capaz de cumprir ordens sem questionar. De eliminar quem eles querem que seja eliminado sem hesitar. Não pude deixar de me perguntar se é isso que o Inferno também quer de mim. Não no quesito matar alguém, pois a maioria lá em baixo ou é imortal ou já está morta, mas isso de obedecer sem questionar. Todos os lados querem que eu seja um peão em um jogo que não conheço. Só que eu nasci para ser a p***a da rainha fodástica. Mas não me senti f**a quando passei o resto da manhã com o meu pai pegando os dados da pessoa. Pelo jeito é um cara aleatório que começou a fazer perguntas de mais... Alguém com mãe, pai, família, que pode ter filhos... dentro de mim eu sabia que não conseguiria. Uma coisa é matar pra se defender, outra é assassinato assim. Estou aprendendo que esse jogo de impedir o apocalipse não tem muito haver com ser um herói, e sem em fazer escolhas quando não restam boas delas. E agora eu entendo perfeitamente Thomas Hobbes, o homem é realmente o lobo do próprio homem. Draco Pov Ok, talvez eu seja só um pouquinho dramático e exagerado. Harry ficou no final das contas. Na verdade foi um "Harry" puto e querendo me matar na porrada... mas ainda o meu batatinha. E ele ficou. Acho eu tenha tido medo dele ir, pois realmente não via motivos dele ficar. Certo, eu sou o ser mais gostoso dos três mundos, o cara onde todos alucinam poder passar uma noite, tenho um rostinho esculpido pelos deuses e um fogo que queima em mim de um jeito que todos querem provar... mas também sou quebrado. O verdadeiro Draco Malfoy é uma confusão, uma busca perpétua por algo que eu acho que é eu mesmo. Autenticidade e a aquela merda de sentimento de pertencimento que nunca senti. Não pensei que Harry ficaria depois de ver essa bagunça, depois de ver as decisões que sou capaz de tomar pelo bem dos outros e como tudo isso me abala... Mas acho que vasos quebrados estão destinados a se juntarem. Um ajudando o outro a colar os caquinhos até que ambos estejam fortes juntos. Juntos... até que soa bem. E no final, para minha alegria, divertimento e preocupação: ele me desafiou. Hazz teve a audácia e a coragem de me desafiar mesmo sabendo que nos duelos abertos ninguém se contem. Eu irei dar tudo de mim para vence-lo, e ele fará o mesmo. Acho que vai ser divertido. Ainda com esses pensamentos em mente, e a sombra de um sorriso dançando em meus lábios, caminhei por Hogwarts indo até um dos arsenais de armas que temos, o da ala sul. - Então vai tomar no cu c*****o! - Ouvi a voz de Pansy ainda do corredor. - Pans, não. Você não pode levar o canhão amanhã, e você sabe disso. Então para de ser uma p**a teimosa - Blaise explicou também alterado. Me encostei no batente da porta cruzando os braços e os observando. Minhas bússolas para os momentos que me sinto perdido, como os verdadeiros amigos e família devem ser. - O que foi dessa vez? - Perguntei fazendo a dupla notar minha presença. - Essa gnomo aqui quer levar o novo canhão que chegou da nova remessa de armas hoje pra testar na operação de amanhã nas docas - Blaise disse, mas logo recuou alguns passos quando Pansy o fuzilou com os olhos pelo apelido. Mas verdade seja dita, ela Harry, Luna e Dora são lindos e adoráveis gnomos. - Amanhã temos que ser discretos e você sabe disso b***h - a lembrei com um sorriso que eu não conseguia tirar do rosto. Estamos na merda, mas nem tanto assim. Harry ficou. - Mas um canhão é discreto... - Não, não é - Eu e Blas dissemos ao mesmo tempo, e nossa amiga logo nos chamou de chatos, apesar de não insistir mais na ideia. Amanhã faremos uma invasão a uma das docas do distrito comandado pela gryffindor para tentar tomar o lugar e abalar as operações e comércio marítimo deles. Rotina. Tédio. - Mas e esse brilho no olhar ai em poc? - Pansy perguntou parecendo feliz de me ver bem. - Eu contei a verdade... - comecei a explicar. - E se está aqui é porque ele não te matou. Ainda bem, menos um corpo pra enterrar - Blaise me interrompeu. - Ei! quanta empatia! E você sabe que o meu corpinho é precioso de mais pra ser desovado que nem você faz com os outros, meu caro amigo. Mas você está certo, ele não me matou, mas acho que quer - Vendo os olhares confusos resolvi explicar - ele me desafiou pra um duelo daqui a duas horas. Divertido não é?! - Coitado dele... - Meu amigo resmungou depois de um muxoxo de lamento, parecendo se lembrar da vez que ele me desafiou e passou meses se curando. - Coitado é do Draco, o cabeludinho é poderoso e o Draco é cadelinha dele. Duvido que vai jogar pesado como fez com você, Blaise querido - Pans disse arrumando as armas mais "discretas" que ela vai usar amanhã em uma mochila qualquer. Pelo menos não são um canhão... acho que isso é o máximo que vamos conseguir dela. - Será que os gêmeos vão fazer as apostas de sempre? - O olho do Blaise brilhou de expectativa. Da ultima vez ele ganhou um ganso na aposta, além de muito ouro. Não que o ouro importe, ele gostou mesmo é do ganso. Dizia que não era importante mas tratava o animal melhor que um rei, mesmo quando o pestinha destruiu metade dos móveis de Hogwarts até eu sem querer deixa-lo escapar e ele morrer atropelado. E é obvio que quem apostou o ganso, pra inicio de conversa, foi o Sirius. Tinha que ser. - Podemos chamar todo mundo do primeiro, segundo e terceiro círculo que sabem do sobrenatural para poderem assistir? - Agora era a vez da eufórica senhorita Parkinson questionar. - Podemos fazer disso o assunto do mês. Draco e o seu chefinho lutando. Perfeito - Blaise disse e eu tive que revirar os olhos. - O melhor vai ser fazer lá fora né?! Podemos iluminar o jardim dos fundos com algumas tochas pra ficar um cenário bem macabro! - Oh céus! que amigos que eu foi ter. Podem fazer o c*****o a quatro, não ligo - Falei em meio a risada. - Nem vem que você não vive sem nós, seu principezinho de grife - Minha amiga disse largando a mochila em um canto e colocou a bolsa da Gucci no ombro. Mas não ousei desmentir sua afirmação. Eu realmente amo esses idiotas. Os irmãos que eu escolhi, e que vou continuar escolhendo até não poder mais. - Blaise, você ajuda o Harry a se arrumar? Ele já deve estar chegando - perguntei. - Algo em específico? - Ele questionou apontando as milhares de armas e uniformes que estavam ali dispostos e que Harry poderia usar. Olha que temos mais 5 salas iguais a essas, só aqui em Hogwarts. - Roupa a prova de fogo e as armas que ele quiser. E ao contrário do que vocês pensam, eu não pretendo facilitar pra ele. Harry vai descontar a raiva me fazendo de válvula de escape. E eu super aceito isso, até me sinto feliz em ajudar a superarmos essa crise entre nós, mas também temos que usar esse evento pra treinar taticamente e descobrir mais de suas habilidades, ainda mais que o apocalipse está cada vez mais próximo. Depois disso o clima ficou meio pesado, então fomos cada um para suas devidas atividades. Blaise teve que ir ver uma coisa sobre um dos seguranças da Hades que está doente, Pansy foi fazer algumas poções de cura afirmando que "quer ver ossos quebrados hoje no duelo, mas não quer ninguém choramingando de dor depois no ouvido dela, e por isso já vai fazer as poções", e eu fui ver como está o pregresso de decodificar a estrofe da profecia do quinto selo. Pelo que pudemos entender, tem haver com os filhos de Belzebu. E do mesmo modo que os filhos de Asmodeus, os desse príncipe em específico costumam ser híbridos bruxos, muitos morando em Nova York. Não vi o Harry, mas sei que ele chegou. Seu cheiro incomum e o barulho que ele faz ao andar são inconfundíveis, (ele anda patinando, é tão fofo). Então subi pra me aprontar também, colocando uma roupa de treino toda preta e flexível, com muitos compartimentos para facas e coisas do tipo. Me armei minimamente e desci para o jardim, o qual estava completamente diferente devido a decoração da Pansy. Minha amiga não conhece limites. Todos estão aqui fora. Wolfstar está em um canto junto com um Harry já pronto e a chatinha da Luara. De relance vi algumas cabeleiras ruivas, mas os gêmeos se moviam tão rápido que eu só podia ouvir seus gritos: "Apostas, façam suas apostas". Theo e Regulus estavam sentados em uma ponta mais distante do gramado, sendo que o segundo mexendo assiduamente no notebook (como sempre). Minha mãe também esta aqui, vestida com um longo vestido azul brilhoso no estilo de túnica grega, o que é um completo contraste com o vestido preto, moderno e colado que minha irmã está vestindo. E muitos outros além desses estavam dispostos no nosso imenso jardim, contornando uma circunferência de um círculo de quase quinze metros de diâmetro, delimitado pelas tais tochas que minha amiga falou que colocaria. Sendo que a luz do quase por do sol fazia as chamas que crepitavam a nossa volta fazerem projeções sinistras no manto de terra gramado que agora era nossa humilde arena. - Se lembre dos pontos fracos que aprendeu ao treina-lo. Você é o treinador e é poderoso, deixe ele descontar a raiva para que fique mentalmente melhor, mas não perca o controle do jogo. Dite as regras - Bellatriz sussurrou para mim e eu apenas concordei com a cabeça, hipnotizado de mais com a beleza que era Harry Potter todo de preto, armado e com um olhar selvagem no rosto. Tive que engolir em seco pra não ficar e******o, mas com certeza o dia de hoje vai alimentar a minha imaginação fértil e os meus sonhos. - Tem certeza disso batatinha? - Perguntei me aproximando do centro do círculo com passos decisivos. Por volta de trinta pessoas nos olhavam, mas eu não conseguia desviar os olhos dos dele. - Não tenho medo de você, Malfoy. Meus pelos se arrepiaram, e com certeza não era pelas primeiras brisas mais frias do cair da noite. Percebi que aquela raiva dele... era apenas isso. Tentei notar algo como ódio, medo, arrependimento, repudio... mas nada disso era transmitido do Harry. Ele estava com muita raiva, mas ainda aqui comigo. Ele ficou... Então bora pro show. - Apenas um arco e flecha e algumas adagas? Tem certeza que da conta de duelar com o incrível príncipe do Inferno? - O provoquei. - Não preciso de mais nada pra acabar com você Draco. E vamos continuar aqui só conversando porque a donzela só sabe fazer isso, ou vamos começar essa merda? - Retrucou sobre comemoração dos que nos assistia. Pelo canto do olho, vi que pequenos raios azuis vividos já lutavam para serem libertos em seu ante braço, e nesse ponto eu o entendo muito bem. Ter um grande poder dentro de si é quase como tentar conter algo vivo, volátil e que quase sempre deseja sair. Algo vivo que é você, mas ao mesmo tempo quer te dominar por inteiro. E por isso que duelos como esse existem. Aliviar a tensão, deixar de se conter um pouco... sem contenções ou arrependimentos. - Como desejar - Disse galanteador antes de me afastar alguns passo e me preparar. O mundo a nossa volta parou de importar. Uma parte de mim tinha ciência que a maioria das pessoas estavam em silêncio observando quem iria atacar primeiro, quem iria cair primeiro... mas nessa dança eu só queria saber do homem a minha frente que levantou um arco composto e, com a distância certa e uma velocidade incrível, atirou a primeira flecha contra mim. A rebati com a costa da mão, jogando-a para fora e a fazendo cair inútil em um lugar qualquer. - Naquele dia eu estava dormindo. Suas flechas não vão me atingir agora que estou preparado. Já lutei muito contra muitos arqueiros - Tive que dizer com graça. - Ah é, esqueci que o dondoco tem medo de cupidos - Harry se segurava pra não gargalhar também, mas percebi que isso era uma distração quando fiquei hipnotizado por aquele sorriso e quase não desviei da segunda flecha que cortou o ar da tarde em minha direção. Harry é realmente bom com o arco, mas eu tenho super velocidade baby. Mal desviei dessa última quando mais três vieram, lançadas ao mesmo instante, com apenas um repuxar de corda. Com a mão direita desviei da que vinha em direção ao meu abdome, com a esquerda a que vinha em direção a minha cabeça, mas isso resultou na do meio atravessando a pele do meu braço entre os ossos rádio e ulna. Um pico de dor e adrenalina explodiu em mim, ao ponto que acho que meu olhar explodiu em chamas. No entanto, em vez de se assustar, Harry me olhou na mesma intensidade, sem as chamas, mas com o mesmo fogo vorás de desejo de adrenalina no olhar. Parti a flecha do meu braço, retirando os pedaços que me atravessavam e jogando no chão antes de olha-lo de novo. Éramos duas forças vivas colidindo, e ainda bem que o povo teve senso de se afastar alguns passos. Em contrapartida, eu e o Harry nos aproximamos, tornando a luta para algo corporal a curta distância. Ele largou o arco no chão, mas não pegou nenhuma das adagas que ele carregava, então fiz o mesmo partindo para nada menos que o mano a mano. Tive senso de não usar minha super força, pois além de ser maior, sou mais forte que o batatinha. Mas Harry agia pela adrenalina, pela raiva e pelo desejo animalesco de finalmente poder liberar seus poderes, poder liberar tudo que ele reprimia. Os socos de Harry nem chegavam a colidir com a minha pele pois eu mantinha a guarda alta esquivando de tudo, mas ele não deixava de tentar, usando de sua agilidade por ser pequeno como vantagem. Dei uma cotovelada no seu peito que com certeza vai deixar roxo, e como resposta ele prensou um lábio ainda mais contra o outro antes de avançar e chutar meu saco. Cambaleei pra trás vendo pontos pretos na minha visão. - BEM FEITO!!! - Luana gritou fazendo coro com os gritos de comemoração da irmã do Harry e dos demais que torciam pra ele. - Você ta do lado de quem, em pestinha? Eu sou seu irmão p***a - Consegui falar entre os dentes, ainda meio retorcido e quase chorando pelo ataque a parte mais preciosa do meu corpo. - Por isso mesmo - Minha irmã gritou em resposta tirando risadas de todos. - Parem vocês dois - Minha mãe se limitou a dizer, mas pelo tom de voz sei que ela está se divertindo com isso tudo também. Sádicos sem coração. - Por favor, não desiste. Ainda quero te bater mais - Harry pediu sorrindo que nem uma criança quando ganha sorvete. - Anda Draco, Harry ainda quer te bater mais - Os gêmeos começaram a implicar e mandei dedo do meio pra eles, voltando a ficar na guarda (mesmo com a respiração descompassada) encarando o meu garoto. Hazz, afobado como sempre, se adiantou tentando arrumar uma deixa pra me acertar com um chute lateral. Mas isso foi o seu erro. Sempre que faz isso, o moreno deixa o pé de baixo instável, pois ele o levanta um pouco na meia ponta para conseguir chutar mais alto. Me adiantei pra passar uma rasteira na sua perna de base, mas o brilho que ultrapassou o olhar alheio por um milésimo de segundo me respondeu que isso foi uma gaive. Não dele, mas minha. Tudo isso era uma finta, uma armadilha para mim, e no segundo seguinte era eu que estava no chão, com ele sobre mim. Sempre o esperto da relação... não que a gente tenha uma relação ainda... vocês entenderam. Seu sorriso vitorioso por conseguir me surpreender, usando o conhecimento que tenho dele contra mim mesmo, deixou de ser encantador e passou a ser um pouco psicopata quando ele enfiou uma das suas adagas bem na base do meu abdome, perfurando uns bons seis centímetros. A dor foi aguda e forte, mas cessou quando ele retirou a arma e o ferimento começou a se cicatrizar, mesmo que o meu sangue preto ainda escorresse para a grama. Todos a nossa volta ficaram em silêncio com isso. Minha voz saiu rouca e uma oitava mais perigosa quando disse: - Você está brincando com fogo baby. - Não tenho medo de me queimar - A voz dele era tão carregada quanto a minha, e eu juro que podia agarra-lo ali mesmo e toma-lo para mim. Acho que o desejo ficou nítido no meu rosto, pois Harry soltou um riso nasal e tentou se afastar. Mas usei a própria adaga que ele enfiou em mim para fazer um corte profundo em sua bochecha. Harry gemeu baixinho e xingou um pouco enquanto nós dois nos levantávamos e nos afastávamos para respirar um pouco. Ele me olhou feio quando sentiu o tanto de sangue que saia. Apenas o olhei como quem diz: "Você tem sorte ter sido apenas na bochecha, eu estou com o braço transpassado e uma entrada de adaga na barriga" Observei o nosso redor, pra ser mais preciso, as tochas que contornavam o círculo onde nossos amigos nos olhavam. Harry entendeu o que eu iria fazer e começou a se mover antes da primeira chama tentar atingi-lo. Usei as próprias chamas das tochas, as aumentando e as fazendo se projetar para frente a fim de formar caminhos de fogo para acerta-lo. Por isso fiz questão da roupa dele ser a prova de fogo. Harry parecia aqueles camundongos nos labirintos de laboratório, correndo e desviando de cada obstáculo de chama que eu projetava contra ele. Uma ou duas vezes ele caiu ou tropeçou e deu de cara com o fogo, mas logo me apressei para não deixar as chamar queimarem o seu cabelo, mesmo que sua cara tenha ficado cheia de fuligem. Cabelo não se toca, ainda mais fios bonitos e travessos como os dele. Agora só os mais sádicos dos nossos amigos continuavam firmes na circunferência do círculo, pois a maioria se afastou devido das chamas e do claro perigo iminente. Harry lançava tudo o que via na minha direção, o que incluiu uma faca que peguei pela parte do corte quando a mesma quase fez picadinho do meu pescoço, um sapato e muitas outras coisas que não faço ideia de onde vieram. As Luas usavam os poderes da minha irmã de mover objetos no tempo e no espaço para tirar coisas do meu guarda-roupa ou da minha casa, para trazer pra cá, jogar para o Harry, para ele lançar contra mim. Irmãs... não as tenha. O tempo foi passando e eu acho que até mesmo a adrenalina no corpo do moreno foi se esgotando e o cansaço tomando conta, até um momento que ele parou, bem a uns cinco metros a frente de mim, e simplesmente me olhou. No segundo seguinte eu senti como se mil espadas tivessem me cortando. Senti como aquela dor insuportável e alucinante que senti poucas vezes na minha vida. Uma dor que consumia tudo de mim, meu controle, minha lucides... e minha razão, me sufocando e fazendo lacrimejar. Gritos saiam pela minha boca como se fossem navalhas cortando a minha garganta, e nesse momento eu entendi que Harry estava usando os poderes dele também. Projetando a pior dor do mundo em mim. Ele tirou a distância entre nós e começamos a lutar. Minha cabeça parecia que iria explodir, e a dor era estonteante... meu cérebro parecia convicto que eu iria morrer, mesmo eu não tendo nem um mísero machucado para tanto. Tudo uma ilusão mental. Harry acertou muitos socos, cotoveladas, joelhadas e chutes em mim, enquanto eu tentava revidar, mesmo que nada tenha sequer surtido o mesmo efeito nele. E era para eu estar com raiva por isso, com ódio na verdade... mas não. Eu gosto de mais desse garoto, e se ele está bem, se é disso que ele precisa, que nós precisamos pra começarmos a nos entender e não surtarmos um com o outro depois... tudo bem. Facadas, machucados e hematomas se curam bem mais rápido que o coração. No soco seguinte que Hazz lançou contra mim, usei minha velocidade e envolvi a sua mão ainda no ar com a minha, o obrigando a parar e me olhar. - Você tá sexy pra c*****o assim. Não dei tempo para ele responder antes de derruba-lo no chão e o deixa-lo ali, me afastando alguns passos e me preparando. - Você desiste, Harry Potter? - Perguntei alto para todos ouvirem. - Não - A resposta saiu mais do que um granido, pois no minuto seguinte ele cuspiu sangue no chão, mas era uma resposta. Respirei fundo antes de reunir todas as chamas que dançavam pelo recinto, as envolvendo em meus braços e pernas. Como a noite caiu pela terra, e não havia mais luzes acesas, o fogo que me consumia e que eu controlava era a única fonte de claridade. O contra-ataque do Harry foi mental, enquanto fisicamente ele continuava caído a alguns metros de mim na grama. E o que ele fez dessa vez foi jogo baixo, ele irradiou... Culpa. Me fazendo relembrar como me senti culpado por envolve-lo nisso tudo, me dando uma amostra dos próprios sentimentos confusos de quando eu contei sobre o pacto com o meu pai. Ele pegou pesado... Portanto, aumentei o nível da investida também, controlando as chamas e as fazendo envolve-lo em um casulo. Não perto o suficiente para queima-lo, mas para lhe da medo, da a sensação de sufocamento... para ele desistir. Pois só podemos acabar com isso se um desmaiar, morrer, ou desistir. E não estou afim de lhe provocar nenhum dos dois primeiros. E Harry precisa desistir porque eu sou orgulhoso de mais pra isso, mesmo estando demasiadamente apertado pra fazer pipi, e querendo muito tomar um banho. Mas ele não desistiu. Os minutos se passaram e as chamas continuaram o rodeando, mas ele não desistia. Na verdade eu m*l podia vê-lo através do fogo, e realmente comecei a ficar preocupado. Sirius gritava ao longe para mim cessar os fogos, mas eu já trabalhava nisso antes de ouvi-lo. Em menos de três segundos as chamas sumiram, desapareceram completamente retornando para dentro de mim, e eu me adiantei até o lugar no chão onde a minha batatinha estava caída. Eu senti que todos a minha volta prendiam o fôlego, e tenho certeza que Harry não precisava irradiar nenhum sentimento r**m (de dor ou de culpa) mais, pois nada se comparava ao que eu estava sentindo agora. Minha boca estava seca e minhas mãos tremiam com medo de ter ido longe de mais, de ter forçado de mais... Parecia que um maldito anjo do tempo havia congelado o mesmo, pois cada passo parecia uma eternidade, e eles ecoavam dentro de mim fazendo o desespero aumentar. Mas no fim me ajoelhei ao lado dele, apalpando em busca de batimentos cardíacos. Foi quando senti minha pele do ombro arder pra c*****o. Todavia, a dor durou só por alguns segundos, enquanto o alivio foi eterno. Harry estava perfeitamente bem, me olhando profundamente e ainda com a mão na flecha que atravessava o meu ombro, uma das que tinha ido pro chão no início do duelo, e que ele aproveitou que caiu perto pra fincar em mim quando me aproximei. - Também te acho sexy pra c*****o assim - Ele respondeu com um sorriso leve e espontâneo no rosto. Nem parece que está coberto de sangue, suor, fuligem e com mato por todo lado, até no cabelo. - Você me fez achar que eu tinha te machucado - Meu coração ainda batia desregular por causa do susto. - Um gostinho do que você me fez passar quando fiquei preocupado com você no tempo em que esteve no inferno, e nessas últimas semanas que teve um regresso psicológico por causa dessa merda toda, e mesmo assim só me contou o motivo ontem. Além disso você pode ser o poder, a liderança e a soberba, mas eu sempre vou ser a inteligência e a estratégia. - Você é uma criaturinha vingativa, sádica e cheia de artimanhas Harry Potter - Por que nós dois estávamos rindo deitados no meio da arena e conversando, mesmo depois de quase se matar? Sei lá, somos Drarry. - A gente interrompe eles? - Ouvi pela audição sobrenatural a Tonks perguntando. - Não... acho melhor entrarmos. Eles tem muita coisa pra conversar - Minha mãe foi sensata, e obvio que ninguém a retrucou quando ela mandou todos irem para o interior da mansão. - Aprendi com o melhor - Harry sussurrou, alheio ao fato de estarmos sozinhos agora. - Ei! eu não sou vingativo nem c***l - Tentei me fingir de ofendido. - Você tem razão. Você, Draco Malfoy, é a pessoa mais doce e empática que eu conheço. Você se importa com os inocentes e faz de tudo pra protege-los, mesmo que isso faça você assinar um trato por mim. - Harry, eu sinto muito... - Aos poucos meus ferimentos iam fechando, apesar da flecha ainda estar cravada no meu ombro, me dando um terrível dejà vú. - Eu sei Dray, eu sei. E eu não posso te culpar por fazer algo que é necessário para o bem de todos, mesmo que isso me machuque. Mas a partir de agora decidiremos as coisas juntos. Sem mais segredos, sem mais omissões... Concordei com a cabeça desesperadamente, e ele continuou. - Sabe porque eu resolvi terminar o duelo com essa flecha no seu ombro? Pois foi assim que tudo começou. Nesse mesmo lugar eu te feri na cobertura pois tive medo de você e da situação... eu não confiava em você, nem você em mim pois a gente m*l se conhecia. Mas já chega disso. A flecha de agora encerra esse circulo, e inicia outro - Harry completou. Em algum momento uma leve e fininha chuva foi engrossando e se tornando mais forte e... molhada. Mas não ligávamos para isso, ou para nossa pele coberta de machucados, ou o desespero do nosso corpo que pedia por um banho e descanso... O que estávamos conversando agora era mil vezes mais importante. - Então que seja um novo ciclo lindo, como você - Disse e Harry corou um pouco, se sentando e tirando a flecha do meu combro a força e sem aviso prévio. - Ai c*****o! - Exclamei de dor. - Fresco - Harry disse sorrindo. - Então estamos de bem? - Perguntei passando o dedão de leve pelo machucado que fiz em sua bochecha. - Estamos... mas eu ainda vou fazer drama por alguns dias, então você que lute. Dei uma gargalhada gostosa com isso antes de me levantar e pega-lo no colo. Meu ombro, meu braço e meu abdômen arderam por causa disso, mas não dei ouvido atravessando o gramado até a porta dos fundos da casa. Tínhamos que sair da chuva antes que um raio caie no Harry. Do jeito que ele é azarado... melhor não arriscar. Enquanto isso um sentimento bom ia me preenchendo, uma plenitude, uma felicidade e talvez... Percebi que Harry ficou pois ele e eu estamos juntos a muito tempo. Podemos não ter oficializado, mas lutaremos um pelo outro e ficaremos, pois esse sentimento que bate no nosso peito só pode ser... Engoli em seco e descobri que já sei o que eu tenho que fazer em seguida. Quase o deixei escapar por causa de mentiras, mas não cometerei esse equivoco de novo. Quando se tem um tesouro nas mãos... só os burros e os covardes os perdem. E eu não sou nenhum dos dois, talvez apenas um pouco quebrado. Mas as melhores pessoas são assim, imperfeitas, e é isso que torna tudo tão empolgante. - Então... acho que preciso da sua ajuda - Harry resmungou enquanto eu ia em direção a enfermaria, ainda o carregando nos braços. - Pra que? - Perguntei. - Pra matar alguém.
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