"Já que sou, o jeito é ser"
Harry Pov
Ok, se eu estiver sonhando, nem ouse me acordar. Ou eu juro que viro bruxo e taco uma avada em vocês.
Estar aqui nos braços de Draco Malfoy, sentindo o gosto do se beijo, seu corpo ao meu, literalmente o fogo do inferno tocando singelamente a pinha pele e tendo a cidade de Nova York e o céu como testemunhas é nível... Wow!
O jeito que ele esta me prensando contra a parede, que toma o controle e não tem medo de me beijar de verdade, é digno de um dominador. Digno do príncipe do Inferno.
E eu não podia estar mais feliz.
Isso é uma delícia...
Eu tenho noção que ainda tenho muito o que aprender com a vida. Mas agradeço por ela estar me dando e mostrando todas as coisas que eu teria perdido se eu realmente tivesse morrido a meses atrás.
Imagina morrer sem beijar Draco Malfoy?! Que realidade triste!
E a vida pode não ser perfeita, pelo contrário pois isso de apocalipse só está me ferrando, mas ela é incrível ao mesmo tempo. Não vivemos de extremos e sim de equilíbrios, proporções e consequências. Um dia caímos e outro levantamos. Em um estamos no pódio levantando o troféu e no outro nem competimos. Mas a questão não é isso, é quem está com você nesse caminho.
E nesse aniversário eu percebi que tudo pode estar fodido, mas pelo menos dessa vez eu estou fodido com minha família. A família que eu escolhi e que me escolheu.
E se nesse meio tempo eu posso beijar Draco Malfoy... só vejo vantagens.
Amo a frase de Martin Luther King que diz: "Toda hora é hora de se fazer o que é certo", mas o que eu faço se toda a eternidade parece certa para ficar ali com o Draco?
Mas não acho que tenhamos a eternidade...
Dray se afastou um pouco rompendo o ósculo com uma feição estranha. Como se tivesse prestando a atenção em algo que o preocupou. Os cabelos bagunçados e os lábios vermelhos pelo beijo não combinavam em nada com aquele cenho franzido.
- Tem algo de errado lá em baixo. Fica aqui que eu já volto - Nem reclamei do vazio que senti quando seu corpo se fez ausente ao meu, pois percebi que isso era sério.
Em uma velocidade incrível Draco já estava fora do escritório (as vezes ele age tão normal que eu esqueço os poderes que tem), me deixando aqui sem reação depois de uma seção de amassos bem intensa.
Ele deve ter ouvido algo sério pra descer tão rápido e tão determinado, e me senti um inútil por não ter ouvido nada, percebido nada... mas uma sensação r**m se fez presente na boca do meu estômago, como uma tensão que não era minha.
As parcas que escreveram o meu destino devem estar de zoeira. Nem uma f**k noite de folga antes de voltarmos a merda? Ok, então putas.
Eu sei que Draco falou para mim ficar aqui em cima, mas quando foi que eu o escutei mesmo né?!
Tentei controlar a adrenalina e a euforia que me faziam tremer um pouco. O r**m de ter ansiedade, um pouco de TEI e ter poderes sobrenaturais que desconheço a dimensão, é que qualquer emoção forte tem uma reação no meu corpo. Consigo sentir o meu sangue fluindo mais rápido e mais voraz do que antes.
Em momentos assim ou eu não fico cansado nunca e acabo assustando as pessoas com a minha disposição, ou eu tenho alguns tremores psicossomáticos, ou eu começo a irradiar o meu poder, ou coisas piores.
Muito piores...
Tentei respirar fundo e focar no que eu queria fazer, me lembrando dos treinos com o Draco de como me acalmar. Fui para dentro do escritório me direcionando até o armário de armas que fica trancado pela digital do Draco. Em um impulso e tentativa curiosa coloquei a minha digital no leitor, e me assustei quando foi aceita e a tranca do armário se abriu.
Anotei mentalmente essa informação que o Draco colocou minha digital como senha das coisas para surtar mais tarde.
Peguei uma pistola simples apenas por precaução e a coloquei no cós da minha saia. Fui para fora do escritório, passando pelo camarote e descendo até o andar térreo da boate, onde não ecoava mais música alguma.
Uma pontada de medo se apossou de mim, mas segui com determinação até a aglomeração de pessoas em um dos cantos. Mas a maior parte do que eu sentia sei que não é meu, e sim dos outros a minha volta. Como uma segunda camada de sentimentos, emoções...
Draco estava no meio de um semicírculo bem desorganizado, sem o terno e com a camisa social com as mangas arregaçadas. Ele estava batendo em um cara com o dobro do tamanho dele que estava tentando bater de volta e fracassando miseravelmente.
Pansy e os gêmeos estavam logo atrás de guarda. E em um canto Ginny abraçava a Dora que chorava.
Me senti mais confuso do que cego em tiroteio.
- O que está acontecendo? - Perguntei pra Theo.
- Esse babaca disse que Tonks mereceu ter a marca sobrenatural arrancada por ser uma ex elfo estranha e doente por ser aroace. Tonks acabou escutando e foi no banheiro chorar, mas sua irmã e Luna estavam lá e fizeram Tonks falar o que houve, a acalmaram um pouco e saíram pra falar com a Pansy que começou a bater no cara. Ai do nada o Draco chegou e não deixou ninguém mais encostar no babaca sem ser ele.
Tá explicado esse misto de sensações que estou capitando, incluindo a fúria assassina do filho de Lúcifer e a tristeza e pânico da Dora.
Para Draco não há nada mais importante que o lema da slytherin, e se esse cara escroto (nitidamente de um nível inferior da máfia) quebrou esse código machucando um m****o em vez de o protege-lo, não importa o que o líder estivesse fazendo, ele pararia para fazer a pessoa pagar.
Nem vou entrar no âmbito de como esse cara foi babaca por falar da sexualidade alheia sem um pingo de respeito. Ele foi LGBTfóbico, e ainda fez parecer que Dora tem culpa por ter sofrido a violência de ter a marca arrancada.
Sendo que a vítima nunca tem culpa, quando que as pessoas vão aprender isso?!
Outro soco foi dado pelo meu capetinha sexy contra o cara alto, que ficou tonto mas logo partiu de novo para cima do Dray que desviou e atingiu uma joelhada nas costelas alheia.
E eu estava realmente amando ver esse cara apanhar (Dray é sexy nervoso), só que Draco estava tão focado em bater no canalha que nem percebeu como essa confusão toda só estava fazendo m*l para a Dora, que nitidamente só queria que tudo parasse. E eu podia sentir o seu desespero...
Ginny estava tentando fazer o melhor para conforta-la, mas só quem já teve um ataque assim sabe reconhecer outro tão bem.
Não tive medo nem receio de perfurar o bloqueio que Pansy e os gêmeos faziam para manter os outros sonserinos de fora do epicentro da briga. Na verdade eles nem tentaram me impedir, apesar de me olharem confusos.
Passei por Draco que parou de bater no cara me olhando tipo: "que merda você está fazendo?", mas o ignorei indo até o homem que estava se levantando.
Apontei a pistola que eu carregava entre suas têmporas, o fazendo ficar imóvel na hora.
- Draco, a Dora - Disse ainda encarando o verme que estava aos meus pês sobre a minha mira.
Tenho ciência que a boate ficou ainda mais em silêncio, mas pelo menos isso fez o choro embargado de Tonks soar mais nítido, e o loiro atrás de mim cair em si, indo até ela e a envolvendo em seus braços protetores a deixando chorar.
- Nome e ciclo, se não atiro na sua cara, e eu realmente não quero matar mais alguém justo no meu aniversário - Nem eu reconhecia a minha própria voz, mas tentei tomar controle da situação para defender a Dora do jeito que eu queria que alguém tivesse me defendido todos esses anos de caras que só falam merda como esse.
- Lucas, sou do quinto ciclo - O cara respondeu tremendo que nem uma galinha no Alasca e encarando a arma.
Mas minha mão nem mexia.
- Bom Lucas, você conseguiu ser um pé no saco para a humanidade. Você está nitidamente bêbado, mas dizem que bêbados falam a verdade que a sobriedade nos inibe... portanto você é um babaca de primeira, mas só mostrou sua verdadeira natureza agora.
Enquanto falava deixei uma mísera porcentagem do meu poder ir até o cara para o dar a sensação de estar sufocando, mesmo que o ar continuasse a entrar pelo seu nariz normalmente.
Eu precisava extravasar o meu poder e raiva, e esse cara era um ótimo alvo. Além disso transportei um pouco do pavor da Dora para ele. Todo agressor precisa sentir um gostinho do que sua vítima passa.
- Eu já tive minha cota de pessoas como você na minha vida, e não vou deixar que faça isso com alguém como a Dora. Agora você é do nível sete, receberá menos e ficará sobre vigilância por não ser confiável ou digno da slytherin. Mas não posso expulsar você da máfia como eu quero pois você já me viu, e pra ser um traíra não custa. Mas saiba que é melhor se comportar se não você sai, só que morto.
Deixei minhas palavras terem impacto antes de guardar a arma e ir em direção ao Draco, Tonks, Ginny, Luna e minha irmã. Tudo ainda sobre o olhar dos convidados restantes que me encaravam pasmos e em um silêncio profundo.
Menos Sirius e Bella que aplaudiam feito loucos e Pansy que ria da cara de pavor do tal de Lucas.
- Quem é você pra dizer em qual ciclo eu vou ficar? Você não pode simplesmente chegar e querer começar a mandar em tudo! - Lucas parecia bem mais valente agora que não tinha a minha arma apontada para a sua cabeça.
- Sim, eu posso - Não hesitei em dizer, mas todos olhavam para Draco.
- Sim, ele pode. É aniversário dele.
Apesar da cara séria por causa da situação vigente, Draco tinha um certo brilho no perolado do seus olhos de orgulho quando me olhou de volta, ainda agarrado a Dora.
Duvido que ele solte ela em menos de algumas horas.
E era sobre esse espírito de protetor do Draco que eu fiquei pensando enquanto dirigia de maneira despreocupada a Penélopy indo de volta a cobertura do loiro.
A noite estava fria, mas não tão extrema como as anteriores, já que a neve parou de cair. Draco e Luna estavam agarrados a Dora (que já parou de chorar, mas ainda cisma que o que o cara disse está certo) no banco de trás, e minha irmã esta capotada de sono ao meu lado, enquanto eu dirijo pelas ruas nem tão vazias assim de NY.
A "cidade que nunca dorme", sempre gostei disso. Por exemplo, são quatro e pouca da manhã e as ruas continuam cheias como se fosse dia.
Chegamos na cobertura, Luna e minha irmã foram para o quarto da loira dormirem (não entendi já que tem mais quartos de hóspedes, mas Draco disse que é melhor desistir de achar sentido na Luna). Em contrapartida, eu e ele passamos quase uma hora com a Tonks até ela cair no sono. Depois fui para o meu quarto tomar um bom banho para me perder nas memórias dos acontecimentos de hoje.
Que noite meus amores, que noite...
Se eu disser que tenho algumas mudas de roupas (incluindo pijamas) aqui no meu quarto na cobertura do Draco vocês vão achar estranho? Não ligo, a vida é minha.
Já de pijamas e feito minhas higienes pessoais, pensei em ir dormir, mas ai lembrei de que semana é essa.
Caminhei sentindo o chão gelado aos meus pés pelos corredores com os quadros estranhos da cobertura, rumando para o quarto do Draco. Agora, mesmo com as luzes apagadas, eu sei me localizar aqui, como se meus pés se sentissem familiarizados com tudo... Talvez eu tenha exagerando na primeira vez que vim e xinguei horrores o tamanho do apartamento por estar nitidamente alterado, ou talvez eu passe mais tempo aqui que na minha própria casa e por isso tudo seja tão familiar... vai saber.
Dei alguns toques na porta e logo Draco abriu. Ele estava como sempre fica em casa: calça de moletom e... só. Sem sapato ou camisa, mas eu acho que isso é porque ele só tem roupas ou muito chiques no guarda roupas ou calças de moletom... só pode.
- Hazz, o que foi? Aconteceu algo? - Ele parecia cansado, mas tinha um livro na mão.
"Capitães de Areia" de Jorge Amado, uma boa leitura, mas não depois de uma noite como essa.
- Essa é a semana onde você vai sentir necessidade de dormir, e pela sua cara, você esta precisando.
Entrei no quatro e já fui pulando na cama. Já fizemos isso umas duas ou três vezes depois daquela chamada de vídeo a alguns meses que fez ele dormir. Então eu tenho o cronograma das semanas certas, e quando elas chegam ele já está até acostumado com o fato que eu vou ficar enchendo o saco até ele me deixar faze-lo dormir.
Mas dessa vez ele nem questionou muito, deixou o livro na cabeceira da cama e se deitou usando minha perna de travesseiro.
Pensei que o fato de termos nos beijado tornaria esses momentos mais "de boas" que já fazíamos antes, estranhos. Mas não, era como antes, ou até melhor.
Comecei a fazer carinho no cabelo dele. Ele fala que isso o irrita e que ninguém pode tocar no cabelo dele, mas não resiste o sorriso relaxado e o sono se aproximando quando eu o faço.
Depois me acomodei melhor e disse:
- Que tal conversarmos um pouco em vez de uma história?
- Tudo bem. O que quer falar? - Draco ficava traçando círculos com a ponta dos dedos na minha perna enquanto conversávamos aos sussurros.
- Você se alterou bastante hoje. Nunca vi você partir pra briga, ou usa os poderes ou acaba com a pessoa apenas na conversa.
- Muitos que estavam lá não sabem que eu sou príncipe do Inferno, então eu não podia simplesmente queimar aquele traste ambulante vivo.
- Faz sentido - continuei fazendo carinho no cabelo do loiro - E sobre a decisão que eu tomei sobre o cara, tá tudo bem né?!
Quando eu estava no carro eu fiquei pensando que talvez eu tenha exagerado e me achado de mais. Quem sou eu pra dizer qual seria a punição do cara?
- Obvio que sim batatinha. Eu estava com tanta raiva que nem estava pensando direito... mas você sim. Você sentiu a Dora, a entendeu, e fez o certo... obrigada por isso. Além disso você é o meu protegido, qualquer coisa que falasse eu iria concordar.
Meu coração disparou, mas meu cérebro falou mais alto.
- Não sei se gosto desse termo...
- Meu protegido? - Draco virou a cabeça pra trás a fim de conseguir me olhar nos olhos, e eu apenas concordei com a cabeça - Por quê? - Ele realmente parecia curioso.
- Não sei se estou pronto para um compromisso, e "meu protegido" na máfia é quase como me declarar seu soulmate.
- Eu também não sei se estou pronto para algo sério agora... que tal deixarmos rolar? Sem pressão, sem compromisso... apenas ver no que vai dar - Apesar de suas palavras soarem calmas e meio sonolentas, eu consegui sentir a verdade e a importância delas.
Ele me entendia.
- Eu acho ótimo - Disse sorrindo um pouco.
Ficamos um tempo em silêncio apenas trocando carências, e eu até cheguei a pensar que Draco tinha dormido, mas logo ele disse baixinho e meio apreensivo:
- Eu preciso te contar algo.
Ok, odeio que digam isso.
- Pode falar - Disse com a garganta meio seca.
- Eu meio que te dei um selinho quando você estava em coma. O ano tinha acabado de virar, e eu sei que foi errado, tipo o conto da bela adormecida onde o tal príncipe não tinha direito algum de tocar a boca alheia sem permissão, mas...
Draco parou de falar por causa da minha risada.
- O que foi? Eu tô tentando pedir desculpas aqui!
- É que eu já sabia que você me deu esse selinho.
Draco me olhou confuso, então resolvi explicar melhor.
- Alguns dias depois que eu acordei Regulus me enviou as gravações da filmagem do tempo em que estive em coma para eu saber do que houve ao meu redor. E não, eu não me senti violado quando você me deu aquele selinho, na verdade achei até que fofo, e foi um dos motivos que me fez querer dar mais esse passo com você.
Draco levantou a cabeça da minha perna para me olhar melhor. Tentei ler as emoções que passavam pelo seu rosto: entendimento, carinho, fofura, felicidade... e um outro que eu não consegui identificar, mas que combinava muito com o rosto dele.
Fazia seus olhos parecerem tão vivos...
- Posso te beijar? - Perguntou e eu apenas concordei com a cabeça, ansiando pelo ósculo.
Draco me tomou em seus lábios, não com aquele desejo e amplitude da boate, mas singelamente como se ele quisesse que eu visse sua alma com aquilo, e eu não deixei a desejar me afundando naquela ternura que fazia o beijo ter um sabor especial.
Um sabor Drarry.
Depois de um tempo tive que separar o ósculo, e em resposta Draco depositou alguns selinhos nos meus lábios antes de se afastar de vez.
- Eu acho melhor eu te contar uma história pra você dormir, pois se continuarmos assim vamos nos beijar até amanhecer.
- Não vejo desvantagens nisso - Draco disse com um ar brincalhão, mas quando o olhei sério ele voltou a se deitar na minha perna, e eu comecei a contar a primeira história que veio na minha mente:
O Conto dos três irmãos.
Antes mesmo da morte ceifar o segundo irmão o****o Draco já ressonava baixinho, completamente rendido ao sono. Juro que tentei me levantar e ir para o meu quarto, mas ali era tão quentinho, tão confortável...
Não tive ciência que cai no sono até aquele pesadelo começar de novo.
Os gritos, a mulher implorando para eu salva-la, seus cabelos loiros mel salpicados de sangue, e as sensações que eu conseguia capitar dela:
Desespero, agonia... quase como a alma dela estivesse sendo picotada.
Sua respiração era descompassada, e a minha também. Sua pele borbulhava como larva, e a minha também. Seu grito ficava preso na garganta, e o meu também. Suas forças se esvaiam, e as minhas também. Seu coração parou de bater, e o meu também...
Acordei assustado e gritando, que nem todas as outras vezes, mas nessa alguém me segurava e me olhava preocupado.
O sol já raiava lá fora calmo e morno, mas aqui no quarto eu continuava me sentindo frio, quase que congelando. O que me fazia tremer, mesmo que no sonho eu estivesse quase em chamas.
- Harry! você está gelado! Você está bem? O que aconteceu? - Draco estava sentado na minha frente, me segurando nos braços e me envolvendo no seu cobertor.
Demorei um tempo para me situar, mas quando consegui respondi:
- Desculpa se eu te acordei, acho que acabei caindo do sono aqui, se eu estivesse no meu quarto não te atrapalharia... - Sussurrei ainda com o coração disparado pelo pesadelo vívido, e me sentindo culpado por ter atrapalhado a noite de sono do loiro.
- Ei, pare com isso! Eu acordaria mil vezes se você precisasse de mim.
Ele fez uma pausa e me abraçou mais forte, o que era exatamente o que eu precisava. Deve está sendo estranho para Draco me ver tão abalado com um pesadelo sendo que noite passada eu estava lá, apontando uma arma e agindo tão calculosamente.
Mas o que ninguém sabe além de Ginny, é que normalmente as minhas noites são assim mesmo.
- Quer me contar o pesadelo? - Ele perguntou baixinho.
Ponderei se deveria responder, e eu realmente precisava colocar pra fora.
- Foi o mesmo de sempre. Uma mulher, na verdade acho que era um demônio aparentando ser do sexo feminino, sendo torturada. Mas Draco, o r**m é que sempre parece tão real... e eu consigo sentir as emoções dela, o desespero... - Me perdi nos fleches do sonho, fazendo um arrepio percorrer meu corpo e Draco passar mais calor para mim pelos seus poderes.
- Como assim o de sempre? A quanto tempo você tem esses pesadelos Hazz? - Draco parecia sério e preocupado.
- Não sei, esse em específico desde que eu acordei do coma. Mas eu sempre tive problemas com pesadelos Dray, não precisa se preocupar.
Desde que eu me lembro por gente minhas noites são banhadas por pesadelos. Tem épocas que eles são mais frequentes, e épocas que eles me deixam em paz um pouco, mas eles sempre estão lá. Ginny fala que deve ser uma reação natural a tudo isso de "sobrenatural" que eu vejo desde pequeno. Meu cérebro não era capaz de entender, então meu subconsciente tentava me falar mais sobre esse mundo que agora eu sei.
E hoje em dia é apenas o meu medo sendo expressado de algum modo.
- Todos sempre te deixam tão agitados como o de hoje? - O olhar de Draco estava começando a me dar medo, não dele, mas do que ele iria me contar.
- Eu sempre acordo mais ou menos assim, mas durante o pesadelo eu não sei, estou dormindo né... Por quê?
- Harry... eu não acordei com você gritando, acordei pois senti aquilo que eu sinto quando você usa o seu poder. A melodia, a eletricidade... e quando eu te olhei você estava flutuando a alguns centímetros da cama com aqueles raios azuis e roxos no braço.
Ok, apenas aquelas cenas de possessão de filme de terror passavam na minha mente, e isso me assustou pra c*****o.
- Flutuar? - Sussurrei ainda bastante aéreo, e segurando a vontade de vomitar as bebidas de ontem.
- Ei, calma, respira e relaxa. Se não você vai ter um ataque de pânico.
E sim, eu estava quase tendo um. Mil teorias passavam pela minha cabeça. Será que isso são só pesadelos mesmo? Pelo visto não. Mas desde quando isso vem acontecendo? O que realmente foi um "pesadelo normal" e o que foi um "pesadelo sobrenatural" na minha vida de pesadelos? Por que eu nunca percebi que isso poderia ter haver com o meu poder? Por que eu nunca comentei nada com o Dray? Mas se não são pesadelos, o que são? E como assim eu invoco o meu poder dormindo? Isso tem que ser perigoso...
- Quais são os pesadelos mais recorrentes que você tem tido esse ano? - Draco perguntou enquanto se levantava e ia até a escrivaninha pegar o notebook.
- Draco... - Eu não conseguia nem raciocinar direito, tudo parecia girar, e era como se o peso do mundo fosse depositado no meu peito me impedindo de respirar.
- Calma, lembra que estamos juntos nessa? Agora me conta tudo o que você lembrar - Draco parecia completamente solidário e disposto a me ajudar.
Ele se sentou de pernas cruzadas na cama apoiando as costas na cabeceira. Finalmente consegui me mover, engatinhando um pouco até perto dele, dei um beijo em seus lábios que o pegou de surpresa, mas logo ele correspondeu. Não durou muito como os de ontem, mas isso porque eu lembrei que não tinha escovado os dentes e separei o ósculo as pressas.
- Obrigado - Resmunguei antes de deitar entre suas pernas e começar a falar.
Não sei quantas horas passei contando os detalhes dos meus pesadelos para o Draco. Só sei que ele não parava hora nenhuma de digitar naquele computador e de contornar minha bochecha com a ponta do dedo, sempre disposto a ouvir até as coisas que eu achava que eram irrelevantes.
No final não chegamos a nenhuma conclusão, mesmo que a ideia de serem visões continuar a nos rondar.
Mais perguntas para a pilha de questionamentos sobre mim e tudo isso de apocalipse. No entanto, Draco está certo que isso é importante de algum jeito, e por isso ele me proibiu de dormir sozinho.
Quando eu estiver aqui na cobertura eu durmo na minha cama e Draco faz a "vigia" a noite inteira acordado me olhando, já que ele não precisa dormir. E quando ele precisar, a gente dorme junto (o que não é de tudo r**m assim...). Já quando eu estiver no meu loft ou na cobertura do James, Luara tem que dormir comigo, e temos que colocar uma câmera vigiando nós a noite inteira para que Draco possa olhar tudo de maneira remota do seu computador ou da sala de vigia de Hogwarts.
E eu certamente me senti desconfortável com algumas dessas medidas, mas a ideia de flutuar a noite e descontrolar os meus poderes me assusta ainda mais. E isso é só quando eu for realmente dormir, nos outros momentos eu tenho a minha privacidade.
Já era quase três da tarde quando saímos do quarto por estarmos com mais fome do que é humanamente possível.
- Até que fim os pombinhos saíram pra ver a luz do dia - minha irmã disse assim que adentramos a cozinha, onde as meninas estavam a mesa comendo um almoço que parecia divino.
Minha irmã e a mania dela de se sentir dona de todo lugar que vamos...
- Bom dia pra você também Luara, cara de sapa - Draco se sentou na cabeceira da mesa.
- E aí Draco, cara de mato - Luara respondeu e eu realmente me questionei qual é a idade das pessoas a qual eu convivo.
- Bom dia Luna, bom dia Luara... Como você está Dora? - Perguntei dando um beijo na testa de cada uma.
- Não muito bem Harry, mas tenho um horário na Ginny daqui a uma hora e depois vou tirar o dia pra passear um pouco no park com alguns amigos - Ela parecia meio abatida mesmo.
- Se quiser te levamos, é caminho de Hogwarts. Acabei de receber uma mensagem de Pansy, e ela quer ver eu e o Harry lá urgente - Draco disse largando o celular e arrumando o seu prato de comida.
- Tudo bem.
- Que dia é hoje mesmo? - Questionei me servindo também.
- Se ontem foi o seu aniversário, e você nasceu no dia 15 de Janeiro, que dia é hoje Harry Potter? - Minha irmã foi grossa como sempre.
- Não me culpe, estou de férias da facu até dia 20, e isso faz eu perder a noção dos dias.
Draco apenas riu e voltou a comer. Na verdade todos nós voltamos, e não tardou a terminarmos, nos aprontarmos e estarmos saindo de casa rumando para Hogwarts.
Não quero que minha irmã se envolva com isso de máfia (já basta um Potter fodido pelo destino), mas também não quero que ela fique completamente no escuro. Por isso Draco concordou em apresentarmos Hogwarts para ela, e Cho e Luna treina-la em defesa pessoal, o mínimo de história sobrenatural e essas coisas.
Apenas.
Nada pesado como os meus treinamentos, apenas o suficiente pra saber que ela vai sobreviver caso algo aconteça. Que ela saiba se virar.
Deixamos Tonks no consultório da Ginny, e logo chegamos em Hogwarts. Minha irmã teve a mesma reação que eu ao ver as acomodações da mansão voltadas para a máfia.
Tudo isso é tão... brilhante!
Deixamos Luna apresentar a mansão para Luara, e fomos até o estande de tiros, pois tem noventa por cento de chance da Pansy está lá.
E acertamos.
- Bom dia panacas - A morena disse fingindo alegria depois de acertar o último disparo bem no centro do alvo.
- Já é quase seis da tarde Pans - Tive que dizer.
- E? O dia tem 24h que eu saiba, então eu posso dar bom dia a hora que eu quiser - Respondeu, e realmente, o humor dela não está nada bom.
- Pansy foco, o quem quer nos falar? O que houve? - Draco interveio.
- As irmãs Rowena e Regina acabaram de traduzir o próximo selo, e acho que dessa vez estamos na dianteira, pois sem movimentações suspeitas da gryffindor até agora.
Senti a ansiedade borbulhando no meu peito, fazendo sintonia com a esperança. Pela primeira vez traduzimos esse c*****o a tempo, e isso é perfeito. Vamos impedir isso, vamos finalmente conseguir impedir a quebra de um dos selos...
- E qual é a profecia? - Draco parecia tão ansioso quanto.
Pansy pegou o celular, e se pôs a ler:
"Os lá de baixo com raiva
Os lá de baixo sempre com ira
Mas dócil um grande deve ficar
para o quarto selo destrancar"