Cassandra
Tentei me acalmar, com medo da ameaça que as enfermeiras fizeram de me acalmar com sossega leão.
Então cá estou eu, sozinha, sentindo as dores se amenizarem por conta dos remédios que o médico me deu, segundo ele já estou de alta, pois já fizeram de tudo que estavam ao seus alcance e que a minha recuperação seria em casa. Vocês conta ou eu conto ? Que eu não tenho casa, mas quando pensei em abrir a boca, a Dandara me disse " pode deixar, doutor! " .
Em menos de meia hora que a conheço e ela me trata como se fossemos amigas de longa data. Ela me parece ser uma ótima pessoa e acho que vamos nos dar muito bem se é que ela já não foi embora, mas tem algo que me preocupa.
Não sei o que vai ser de mim agora, oficialmente sou uma sem teto e não sei a quem recorrer, as únicas pessoas que conhecia era o Teobaldo e minha mãe .
Para aquele inferno, que Teobaldo enche a boca pra chamar de casa eu não volto, Lucinda me abandonou sem pensar duas vezes e sabe-se lá onde ela está agora.
Não estou com uma lista cheia de opção a escolher, tenho orgulho e não vou ficar me humilhando para ter um prato de comida, cama e um teto sob a minha cabeça como eu fazia um dia atrás. Arranjar um emprego está fora e cogitação, parece que sou o azar em pessoa .
Por que... Porque tinha que quebrar a canela logo agora?
A porta se abre e entra Jerônimo com a cara emburrada .
_ Será que você não sabe bater na porta antes de entrar ? _ pergunto cruzando os braços sem com um nenhum pingo de medo da sua carranca, pois levo ao pé da letra aquele velho ditado " cara feia para mim é fome " .
_ Me poupe _ ele revira os olhos com drama e se senta na poltrona . _ Só estou aqui por que fui ameaçado.
_ Por quem ? _ questiono olhando para as minhas unhas, que horror, elas estão horríveis, sujas e quebradas com os cantinhos rasgados e muito excesso de cutícula.
_ Dandara, por quem mais ?!_ ele resmunga. .
_ Olha, eu agradeço por me defendido quando o Teobaldo iria me bater, por me dado uma carona e por ter me trago para o hospital, mas acho que agora por diante eu posso cuidar de mim mesma. _ Falo empinando o queixo .
Ele ri, sua risada é rouca e cheia de sarcasmo .
_ Dá pra ver como você se cuida! Aposto que não andaria a menos de uma quadra de distância e cairia em um buraco ou de cima de uma ponte.
Sinto o meu rosto esquentar de raiva fecho ainda mais a cara e cruzo os braços, emburrada .
_ E a Danda me mataria se deixar você sair por essa porta sozinha, ou melhor se conseguir pelo menos andar já que....
_ Pare! Não termine de repetir essa frase .
Ele me olha com o cenho frangindo por algum tempo que considerei desconfortável e fez tisctisc com a boca .
_ Acabei de crê que você é mesmo uma doida .
_ Vá se lascar! Nem aqui nem na China que vou com você pra algum lugar ._ ralho furiosa com a audácia desse babaca.
Grosso.
Chato.
Turrão.
Lindo.
Epa! Quer dizer .... vamos riscar esse último adjetivo da lista, mas enfim, ele é tudo isso e muito mais .
_ Não sei o que tinha na minha cabeça quando te chamei pra montar na garupa do meu cavalo .
_ Você chamou por que quis! Você se intrometeu por ser um abelhudo! Eu estava sob o controle da situação.
Dessa vez o andarilho de uma figa gargalhou, jogando a cabeça para trás e explodindo na gargalhada .
_ Não me faça rir _ Jerônimo fala limpando uma lágrima imaginária no canto dos olhos . _ Você estava realmente no controle da situação, com o nariz sangrando fugindo de um gorducho que tem o dobro do seu peso.
Não falei nada, por que sabia que ele estava certo, não sou muito boa em correr, não sei o que acontece, mas bate uma dor no meu calcanhar que fica insuportável andar _ isso sempre acontece quando estou com medo. Não gosto nem de pensar no que aconteceria, se eu não tivesse conseguido escapar e corrido igual uma condenada.
Decidida a ignorar o ser tão... tão insuportávelmente sentado na poltrona de forma despojada .
Ajeitei os travesseiros como pude e fechei os olhos fingindo estar dormindo.
(***)
Algum tempo depois Dandara aparece com várias sacolas de roupas e remédios, fiquei aliviada quando Jerônimo saiu nos deixando a sós .
Não sei quantas vezes recusei aquele monte de coisas que ela tinha comprado para mim, mas ela insistia que não era nada e que não tinha problema, pois comprou especialmente para mim.
Fiquei sem graça e acabei cedendo .
Ela me ajudou tomar um banho e lavar os cabelos, as roupas que tinha comprado eram normais como, calça, short, blusa e até vestidos, conjuntos de lingeries.
Penteei os meus cabelos e vesti um short, uma blusa folgada, calcei um par de sandálias simples e confortáveis.
Me segurei ao máximo para não dar um escândalo quando uma enfermeira veio trocar o curativo.
_ Será necessário trocar o curativo todos os dias, manter bem higienizado para não correr um risco de infecção .
Dandara assentiu prestando atenção no que ela fazia na minha perna, enquanto eu fitava a parede a minha frente .
Jerônimo
Estava de pé no corredor feito um poste, já paguei a conta, Danda fez questão de tirar Cassandra da fila de espera para uma cirurgia, é assim que funciona em hospital público, se você quer que seu ente querido seja atendido de forma rápida com direito pelo menos um quarto é necessário enfiar a mão no bolso .
Isso soou como se eu fosse mão de vaca, não me importo em gastar, pois sei que cada centavo foi pra ajudar uma pessoa que supostamente a minha irmã já tem uma grande afeição.
A porta do quarto se abriu, primeiro saiu a enfermeira, depois Danda com várias sacolas e por fim uma mulher que pensei jamais existir, os cabelos pretos brilhantes soltos e bem penteado os olhos pareciam ter ficados mais escuros, uns azuis marcantes que não consegui desprender o olhar, também notei de como a sua pele é branca e aparentemente macia .
Ela também trocou os trapos que vestiam por roupas casuais, sem o rosto estar sujo e suado me dei conta de como Cassandra é um mulher bonita e até sensual.
Balancei a cabeça, notando como fiquei a encarando por tempo demais.
O hospital não era muito longe assim do acampamento, mas estava ficando irritado por termos andar devagar, Cassandra ainda está aprendendo a manusear muletas e toda hora temos que parar para ela recobrar o fôlego.
Uma caminhada de 5 minutos se tornaram 1H, segundo ela era como ter que aprender a caminhar novamente.
Quando a peguei no colo, ela começou a tagalerar para colocá-la no chão mas não
dei ouvidos _ mesmo sendo difícil, já que Cassandra não economizou no tom de voz.
Quando chegamos nas barracas, Cassandra ficou quieta e parou de reclamar, pois o seu queixo estava literalmente no chão.
Sorri, gostando de ver que nossa caravana a deixou surpresa.